domingo, 27 de junho de 2010

Programação Cine Clube Ybitu Katu Julho 2010: Adaptações Literárias

Neste mês exibiremos grandes clássicos do cinema que foram baseados em livros de grande impacto na literatura brasileira e mundial.

03/07: Fahrenheit 451 (François Truffaut, 1966)
Em um Estado totalitário em um futuro próximo, os "bombeiros" têm como função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi convencionado que literatura é um propagador da infelicidade. Mas Montag (Oskar Werner), um bombeiro, começa a questionar tal linha de raciocínio quando vê uma mulher preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer viva. Baseado na obra homônima de Ray Bradbury. Duração: 117 minutos

10/07: Medo e delírio em Las Vegas (Terry Gilliam, 1998)
Um jornalista e seu advogado, em busca do tão famoso "Sonho Americano" chegam a Las Vegas entorpecidos por drogas para cobrir um evento esportivo para uma revista. Baseado na obra Medo e Delírio em Las Vegas - Uma jornada selvagem ao coração do sonho americano de Hunter Thompson. Duração: 118 minutos

17/07: A Hora da Estrela (Suzana Amaral, 1985)
Macabéa, uma imigrante nordestina semi-analfabeta, trabalha como datilógrafa numa pequena firma e vive numa pensão miserável. Conhece casualmente o também nordestino Olímpico, operário metalúrgico, e os dois começam um casto e desajeitado namoro. Mas Glória, esperta colega de trabalho de Macabéa, rouba-lhe o namorado, seguindo o conselho de uma cartomante. Macabéa faz uma consulta à mesma cartomante, Madame Carlota, e esta prevê seu encontro com um homem rico, bonito e carinhoso. Baseado na obra homônima de Clarice Linspector. Duração: 96 minutos

24/07: Alice (Jan Svankmajer, 1988)
Quando Alice seguiu o Coelho Branco no País das Maravilhas, iniciou-se assim uma surpre- endente e perigosa aventura onírica pelo mundo infanto-juvenil. Cinema checo surrealista que combina acção real com animação stop motion. Reconta as histórias clássicas de Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas e Alice do outro lado do espelho), mas num estilo diferente. Enquanto as histórias originais são mais fantásticas, excêntricas e alegres, Alice é um retrato mais sombrio e triste da saga "Wonderland". Baseado nas obras Alice no País das Maravilhas e Alice do outro lado do espelho de Lewis Carrol. Duração: 86 minutos

31/07: Johnny vai à guerra (Dalton Trumbo, 1971)
Um jovem soldado estadounidense é atingido por uma granada e fica gravemente ferido. Perde os olhos, ouvido, nariz, mandíbula, pernas e braços, mas permanece consciente numa cama de hospital. monumento cinematográfico erigido contra todas a guerras: do passado, do presente e do futuro. Afinal, Trumbo criou a figura do soldado sem nome como uma metáfora de todos os homens que perderam a vida na guerra. Filme poético e chocante, é narrado em dois níveis, com o preto e branco e o colorido separando a vida e a agonia de um soldado reduzido a um torso em combate durante a 1ª Guerra Mundial. Por meio de um monólogo interior, somos testemunhas do que foi a vida do jovem soldado e acompanhamos o que restou do seu corpo numa sala escura de hospital. Baseado na obra homônima de Dalton Trumbo. Duração: 106 minutos

ESPECIAL JULHO: REPRISES ÀS QUARTAS DOS FILMES MAIS VOTADOS DO ÚLTIMO SEMESTRE

07/07: Cantando na chuva (Gene Kelly & Stanley Donen, 1952)
Don Lockwood e Lina Lamont são dois astros do cinema mudo que, com a chegada do som, devem fazer a transição também em suas carreiras. Enquanto Don se sai muito bem, Lina se aproveita o quanto pode de Kathy Selden, uma jovem que sonha em ser atriz, mas tem que trabalhar como escrava dublando a péssima voz de Lina. Quando Don se apaixona por Kathy, decide fazer de tudo para que o talento da amada seja finalmente reconhecid. Duração: 118 minutos

14/07: Os Companheiros (Mario Monicelli, 1963)
Na Itália, no século 19, um empobrecido professor aristocrata (Mastroianni) lidera grupo de funcionários de uma empresa têxtil na luta por melhores condições de trabalho. Duração: 125 minutos.

21/07: Amores Brutos (Alejandro G. Iñarritu, 2000)
Em plena Cidade do México, um terrível acidente automobilístico ocorre. A partir deste momento, três pessoas envolvidas no acidente se encontram e têm suas vidas mudadas para sempre. Um deles é o adolescente Octavio, que decidiu fugir com a mulher de seu irmão, Susana, usando seu cachorro Cofi como veículo para conseguir o dinheiro para a fuga. Ao mesmo tempo, Daniel resolve abandonar sua esposa e filhas para ir viver com Valeria, uma bela modelo por quem está apaixonado. Também se envolve no acidente Chivo, um ex-guerrilheiro comunista que agora atua como matador de aluguel, após passar vários anos preso. Ali, em meio ao caos, ele encontra Cofi e vê a possibilidade de sua redenção. Duração: 153 minutos.

28/07: Tempos Modernos (Charles Chaplin, 1936)
Um operário de uma linha de montagem, que testou uma "máquina revolucionária" para evitar a hora do almoço, é levado à loucura pela "monotonia frenética" do seu trabalho. Após um longo período em um sanatório ele fica curado de sua crise nervosa, mas desempregado. Ele deixa o hospital para começar sua nova vida, mas encontra uma crise generalizada e equivocadamente é preso como um agitador comunista, que liderava uma marcha de operários em protesto. Simultaneamente uma jovem rouba comida para salvar suas irmãs famintas, que ainda são bem garotas. Elas não tem mãe e o pai delas está desempregado, mas o pior ainda está por vir, pois ele é morto em um conflito. A lei vai cuidar das órfãs, mas enquanto as menores são levadas a jovem consegue escapar.

Cartaz Programação Julho 2010

sábado, 19 de junho de 2010

19/06: Pequenas flores vermelhas (Zhang Yuan, 2006)

Pequenas flores vermelhas - Zhang Yuan (2006)

Sinopse
equim, 1949. Com apenas quatro anos, o pequeno Qiang é matriculado num colégio interno. Mas Qiang é uma criança rebelde e não consegue seguir as regras. Sua desobediência impede que ele ganhe as desejadas flores vermelhas, dadas apenas aos alunos mais bem-comportados, e acaba atraindo a antipatia da professora Sra. Li. Só que ele também consegue que outras crianças se juntem à sua rebelião particular ao convencê-las de que a professora é, na verdade, um monstro que come crianças. Duração: 92 minutos

sexta-feira, 11 de junho de 2010

12/06: Lanternas Vermelhas (Yimou Zhang, 1991)

Lanternas Vermelhas - Yimou Zhang (1991)

Sinopse
Em 1920, após a morte dos pais, Songlian é obrigada a se casar com Chen Zuoqian, senhor de uma família importante da China. Porém, Chen já possui três esposas, cada uma morando em “casas” separadas dentro de seu enorme palácio. A competição entre as esposas é dura, as quatro armam todo tipo de intrigas na disputa para obter os privilégios e confortos oferecidos pelo senhor do palácio. Duração: 125 minutos

Crítica: Lanternas Vermelhas (Yimou Zhang, 1991)

Extraído de http://miriamfajardo.blogspot.com/2008/06/lanternas-vermelhas-1991.html

No início do século XX a China ainda preservava algumas tradições milenares. Uma delas dava total liberdade ao homem rico, de possuir o número de esposas que ele bem desejasse. Quando utilizei o verbo possuir é porque estas mulheres eram compradas, e esses homens poderosos pagavam um dote por elas. A partir daí, a situação dessas mulheres seria a de propriedade. O filme concentra toda a sua tensão entre os muros da propriedade de um poderoso homem e a rivalidade de suas quatro esposas. A tradição é assim: o mestre seleciona uma de suas esposas para passar a noite. A eleita recebe um tratamento especial, com direito a massagem nos pés e a escolha do cardápio para as refeições do dia seguinte, e a fachada de sua casa é iluminada com enormes lanternas vermelhas. São raros instantes de prazer dos quais ela pode gozar antes de mais uma vez disputar a atenção do mestre com as “irmãs”. A chegada de Songlian gera ciúmes e descontentamento uma vez que ela rapidamente passa a se tornar a favorita do mestre.

Dividido em quatro partes — as estações do ano —, Lanternas Vermelhas apresenta as quatro mulheres, de quatro gerações diferentes, não tanto como esposas, mas sim como concubinas, destinadas a servir o marido num ciclo perpétuo de obediência e humilhação. As estações talvez simbolizem cada uma das quatro personagens: a primeira esposa, fria e pouco solicitada, seria o inverno. A segunda esposa, no outono da vida, luta silenciosamente contra o perecimento de sua fertilidade. A terceira esposa, bela como a primavera, é um poço de exuberância e classe. Songlian, representando o verão, é quente, incipiente, fresca.

Os enquadramentos de Zhang Yimou, na maioria, são frios, distantes e simplistas. E por vezes, espetaculares. A fotografia do filme desenha um impecável contraste entre o brilho rubro que emana da casa eleita pelo mestre para passar a noite e a escuridão em que as outras três concubinas fazem seus planos de sedução. Lanternas Vermelhas expõe os sentimentos de vingança, traição e descontentamento em que as mulheres eram diariamente submetidas, o que é percebido com clareza em determinadas cenas como a do corte de cabelo. É notável a idéia do diretor em jamais mostrar o rosto do mestre ao longo do filme. Sempre o vemos de costas, ou de longe, ou por trás dos véus que circundam a cama de suas esposas, reforçando a idéia de que ele poderia ser qualquer um, qualquer pessoa daquela época. A ênfase está exatamente nas atrizes, apontando a condição feminina daquele país. As mulheres não tinham voz ativa em qualquer contexto, eram reduzidas unicamente a objetos sexuais, e poderiam sofrer graves conseqüências caso “saíssem da linha”. Lanternas Vermelhas, portanto, trata-se de uma denúncia não apenas ao horror da poligamia consentida, mas à luta pela sobrevivência das mulheres em meio ao machismo oriental.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

05/06: Amor à flor da pele (Wong Kar-Wai, 2000)

Amor à flor da pele - Wong Kar-Wai (2000)

Sinopse
Chow e sua mulher acabaram de se mudar. Logo, ele conhece Li-Zhen , uma jovem que também acabou de se mudar com o marido. Ele trabalha para uma companhia japonesa, o que significa que está freqüentemente viajando. Como sua mulher também fica, muitas vezes, longe de casa, Chow passa muito tempo com Li-zhen. Eles se tornam amigos e, um dia, são forçados a encarar os fatos: seus respectivos parceiros estão tendo um caso. Duração: 90 minutos

Crítica: Amor à flor da pele (Wong Kar-Wai, 2000)


Amor à Flor da Pele é estupendo. Esse que muitos críticos têm considerado o melhor trabalho de Wong Kar-wai é, talvez, o mais belo filme do ano. Um dos mais proeminentes diretores de Hong Kong, Wong conseguir criar uma obra delicada e arrebatadora, em que mais uma vez faz, de maneira exemplar, o universal emergir do particular.

Hong Kong, 1962: época de mudanças – a Revolução Cultural na China mexeu com a vida de muitas famílias (a de Wong, por exemplo, saiu de Xangai nesse período), e o inchaço populacional combinado à situação econômica do lugar fez com que muitas pessoas precisassem alugar quartos em casas de outrem. E é justamente em torno de dois casais que sublocam quartos em apartamentos vizinhos que é construído Amor à Flor da Pele: um love affair entre dois dos cônjuges acaba por aproximar as partes traídas, no caso a sra Chan (Maggie Cheung, divina), uma secretária, e o sr Chow Mo-wan (Tony Leung, maravilhoso), um jornalista.

A atmosfera que paira sobre os lugares que eles freqüentam já é um bocado concupiscente, e isso se nos aparece nas relações que travam em seus empregos: Su Li-zhen (a sra Chan) ajuda o chefe a driblar a esposa para que este consiga se encontrar com a amante (em um momento, inclusive, quando encarregada de comprar presentes para ambas, diz que podem ser a mesma coisa, já que não faz mesmo diferença – triste ironia, pois que são exatamente duas bolsas iguais o motivo que a faz ter certeza da traição do marido); o maior amigo do sr Chow, Ping, por sua vez, arma planos mirabolantes para conseguir se encontrar com uma mulher casada e é capaz de dar calote em um lupanar.

Su Li-zhen e Mo-wan começam a travar contato por causa de sua desconfiança: o homem convida a bela vizinha para um café de modo a tentar descobrir algo e eles, juntos, acabam por ter certeza de que estão sendo traídos. A partir daí, desde que os amantes estão viajando, os dois começam a passar cada vez mais tempo juntos e o que era formalidade acaba dando lugar a sentimentos profundos porém contidos: "Não seremos iguais a eles" diz a sra Chan em determinado momento ao sr Chow, claramente refreando seu amor por não querer repetir os atos de seu marido.

Embora não haja qualquer referência a um envolvimento sexual entre os dois personagens – a não ser uma cena em um táxi, em que a sra Chan diz não querer voltar para casa, docemente encostando a cabeça no ombro do sr Chow, enquanto esse lhe segura a mão – Amor à Flor da Pele é pura sensualidade, sendo cada gesto dos atores cheio de paixão, de ardor, de desejo. O filme em inglês se chama In The Mood For Love, algo como "No Clima para o Amor" e esse nome é um bocado apropriado desde que muito ali é realmente clima , como, por exemplo, a nostalgia que está sempre presente: a história da sra Chan e do sr Chow é pura saudade do que poderia ter sido. Contribui para isso a música, escolhida a dedo por Wong e que inclui a lindíssima "Yumeji’s Theme", além de Nat King Cole – o cantor preferido de sua mãe – e a sublime melodia composta especialmente por Michael Galasso. Cada canção ou tema é tocado diversas vezes durante o filme, principalmente "Yumeji", quase exaustiva não em um sentido fastidioso, mas envolvente, transportador.

A beleza do filme está na maneira como Wong consegue manipular as imagens e os sons, criando uma obra única. À imagem, principalmente, o diretor confere mesmo o estatuto de realidade; há um jogo que Su Li-zhen e Mo-wan praticam durante todo o tempo que dura a sua relação e que consiste na imitação do ausente: de seus esposos, querendo saber como estes começaram seu caso, os dois simulam as situações através das quais os amantes teriam se conhecido; de Su Li-zhen com seu marido, com ela o inquirindo sobre sua traição; e, finalmente, em uma das mais tristes cenas do filme, da separação deles mesmos, causada pela volta de seus cônjuges. A mimese da possibilidade, que perpassa a totalidade do filme, está ali equacionando imagem e real. É como se Wong dissesse: tudo é cinema.

Ao contrário de ser um puro esteta, como acusam alguns, apenas preocupado com a forma, com Amor à Flor da Pele o diretor mostra como é capaz de realizar uma obra em que a estética significa: cada plano, fotografado incrivelmente por Christopher Doyle, é criador de mundo. Porque neles não há somente momentos em que quase se sente o cheiro dos cabelos de Maggie Cheung ou a textura de seus vestidos, mas há um sentido de tempo a lhe impregnar que é capaz de costurar a teia de pequenos recortes de vida de que é formado o filme. O tempo é majestade: a repetição dos atos e acontecimentos (Su Li-zhen a descer a escada, Mo-wan a acender, cheio de charme, um cigarro) mostram a banalidade do que é efêmero e humano e faz surgir eternidade; sim, porque são esses atos repetidos que continuarão a existir sempre – um homem a acender seu cigarro, uma bonita silhueta de mulher a caminhar – e é a eles que corresponde a cena final, em que, passados vários anos desde o seu encontro com a sra Chan, o sr Chow se dirige até um templo milenar, as ruínas de Angkor Wat, para contar um segredo, que, segundo a tradição, se fosse dito em um buraco e depois fechado com barro, lá permaneceria guardado, eterno. E é nesse lugar que fica guardada a história de amor de Su Li-zhen e Mo-wan, que, mesmo tendo sido efêmera, se torna eterna porque amor e romance sempre existirão.
Para quem desejar ler uma excelente crítica a respeito do estilo do diretor Wong Kar-Wai, basta clicar aqui.

História do Cinema Chinês

Depois de duas décadas no ostracismo por conta da censura do regime comunista, o cinema chinês, nas décadas de 1990 e 2000, volta a ganhar destaque no cenário mundial, por conta, principalmente, de diretores como Wong Kar-Wai, Jia Zhang-Ke e Zhang Yimou, que vem ganhando destacados prêmios em diversos festivais internacionais. Entretanto, a origem do cinema chinês remota do início do século XX, sendo o primeiro filme realizado em 1905 que consiste em uma gravação da Ópera de Pequim, Ding Jun Shan. Na década seguinte, há um domínio de produtoras estrangeiras, mas na década de 20, a indústria cinematográfica doméstica começa a desenvolver-se, sobretudo na cidade de Xangai. É de 1922 o filme chinês mais antigo ainda conservado, O romance de um vendedor de frutas de Shichuan Zhang.

Entretanto, as primeiras películas que vão ganhar grande notoriedade serão produzidas na década de 30, com o aparecimento das idéias comunistas, como Chūncán (Cheng Bugao, 1933 – em inglês, Spring Silkworms) e Dàlù (Sun Yu, 1935 - em inglês, The Big Road). Com a ocupação de Xangai pelos japoneses durante a II Guerra Mundial, esta produção é interrompida, só retornando a partir de 1946. É nessa época que são produzidos os grandes clássicos do cinema chinês antigo, como Wànjiā dēnghuǒ (Shen Fu, 1948 – em inglês Myriad of lights); Xiǎochéng zhī chūn (Fei Mu, 1948 – em inglês Spring in a small town) e Wūyā yŭ máquè (Zheng Junli, 1949 – em inglês Crows and Sparrows). O filme Spring in a small town foi escolhido em 1999 por uma comissão de críticos da China, Hong Kong e Taiwan, o melhor filme chinês de todos os tempos. Com a tomada de poder em 1949 por Mao-Tsé Tung, o governo passa a ver o cinema como uma maneira eficaz de se fazer propaganda. De 1949 até 1966 houve um grande aumento na produção cinematográfica, incluindo o envio de diretores chineses para Moscou ter aulas de direção de cinema com os russos e a abertura da Academia de Cinema de Pequim, em 1956. O cineasta mais destacado dessa época era Xie Jin, que dirigiu O Exército Vermelho de Mulheres (1961) e Wutai jiemei (1965 – em inglês Two Stage Sisters).

Com a Revolução Cultural Chinesa de 1966 e a paralisação do progresso material e tecnológico do país por ela provocada, aliada a uma rígida censura, fez com que o cinema chinês se tornasse inexpressivo até a década de 80, com a reabertura da Academia de Cinema de Pequim. A primeira turma de cineastas formada desde a sua abertura, contava com Zhang Yimou e Chen Kaige que na década de 90 voltariam a colocar o cinema chinês no mapa em grande estilo, dando origem ao Novo Cinema Chinês. Chen Kaige vence a Palma de Ouro em Cannes com o clássico Adeus Minha Concubina (1993) e Zhang Yimou vence o Urso de Ouro em Berlim com Lanternas Vermelhas (1991), além de carregar outros inúmeros prêmios com Nenhum a menos e O Caminho Para Casa, ambos de 1999.

Na década de 2000, surge uma nova geração de cineastas chineses que além de manter a qualidade da geração anterior, experimenta novas formas estéticas que acabam por colocar o cinema chinês como um marco vanguardista desta década, com destaque para Zhang Yuan, diretor de Pequenas Flores Vermelhas (2006) e Jian Zhang-Ke, diretor dos aclamadíssimos O Mundo (2004) e Em busca da vida (2006); além de Tsai Ming-Liang, vindo de Taiwan, diretor de A hora da partida (2001) e O sabor da melancia (2005). Entretanto, o que talvez seja o maior nome do cinema chinês na atualidade vem de Hong-Kong e seu nome é Wong Kar-Wai. Uma das principais características do cinema de Wong Kar-Wai é a extrema sensibilidade humana e estética que ele aplica em seus filmes, seja em um relacionamento homossexual (Felizes juntos, 1997), em uma traição amorosa (Amor à flor da pele, 2000), ou em um amor platônico (2046 – Segredos do Amor, 2004).

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Programação Junho 2010: Cinema Chinês

Nas últimas duas décadas, o cinema chinês vêm alcançando um enorme destaque no cenário mundial, por conta, principalmente de diretores como Wong Kar-Wai, Jia Zhang-Ke e Zhang Yimou que vêm ganhando destacados prêmios em diversos festivais internacionais. Além de mostrar o choque da ocidentalização em sua cultura, o cinema chinês tem como característica marcante grandes demonstrações de sensibilidade estética e humana dentre os seus cineastas.

O Cine Clube Ybitu Katu exibe:

05/06: Amor à Flor da Pele (Wong Kar-Wai, 2000)
Chow e sua mulher acabaram de se mudar. Logo, ele conhece Li-Zhen , uma jovem que também acabou de se mudar com o marido. Ele trabalha para uma companhia japonesa, o que significa que está freqüentemente viajando. Como sua mulher também fica, muitas vezes, longe de casa, Chow passa muito tempo com Li-zhen. Eles se tornam amigos e, um dia, são forçados a encarar os fatos: seus respectivos parceiros estão tendo um caso. Duração: 90 minutos

12/06: Lanternas Vermelhas (Yimou Zhang, 1991)
Em 1920, após a morte dos pais, Songlian é obrigada a se casar com Chen Zuoqian, senhor de uma família importante da China. Porém, Chen já possui três esposas, cada uma morando em “casas” separadas dentro de seu enorme palácio. A competição entre as esposas é dura, as quatro armam todo tipo de intrigas na disputa para obter os privilégios e confortos oferecidos pelo senhor do palácio. Duração: 125 minutos

19/06: Pequenas Flores Vermelhas (Zhang Yuan, 2006)
Pequim, 1949. Com apenas quatro anos, o pequeno Qiang é matriculado num colégio interno. Mas Qiang é uma criança rebelde e não consegue seguir as regras. Sua desobediência impede que ele ganhe as desejadas flores vermelhas, dadas apenas aos alunos mais bem-comportados, e acaba atraindo a antipatia da professora Sra. Li. Só que ele também consegue que outras crianças se juntem à sua rebelião particular ao convencê-las de que a professora é, na verdade, um monstro que come crianças. Duração: 92 minutos

26/06: Nenhum a menos (Yimou Zhang, 1999)
Gao é professor da Escola Primária Shuiquan e precisa sair de licença para cuidar da mãe doente. Um lugar distante e pobre, a única pessoa que aceita substituir o professor é uma menina de 13 anos Wei Minzhi. Como a evasão escolar é muito grande, Gao instrui Wei a não permitir que nenhum de seus alunos abandone o curso prometendo-lhe 10 yuans extras em seu pagamento. Perdida em meio às crianças, Wei faz de tudo para manter os alunos na escola, até que um garoto de 10 anos, é obrigado a partir para a cidade em busca de trabalho. Para trazê-lo de volta, Wei inicia um incasável jornada à procura de seu aluno na cidade grande. Duração: 106 minutos

terça-feira, 1 de junho de 2010