terça-feira, 6 de abril de 2010

Biografia: Alejandro Jodorowsky


"A maior parte dos cineastas fazem filmes com os olhos. Eu faço filmes com os colhões. (...) Exijo dos meus filmes o mesmo que os norte-americanos exigem das drogas psicodélicas."

Esta é com certeza uma das mais célebres frases do diretor, dramaturgo e quadrinista Alejandro Jodorowsky, conhecido por seu cinema transgressor, pouco preocupado em agradar ao grande público e que mistura símbolos místicos de várias culturas com imagens surrealistas. E, por mais extravagante que possa ser, ela é extremamente coerente com sua obra.

Alejandro Jodorowsky nasceu em Iquique, no Chile em 07 de fevereiro de 1929, mudando-se para Santiago em 1942, ao ingressar na universidade para estudar psicologia. Formado, muda-se em 1955 para Paris onde estudou mímica com Marcel Marceau. Nessa époica conhece Maurice Chevallier e com ele faz seu primeiro filme A Gravata (1957) que por muito tempo permaneceu desaparecido. Nessa mesma época conhece o dramaturgo espanhol Fernando Arrábal e o pintor francês Fernando Arrabal. Os três juntos fundariam em 1962 o Moviment Panique, uma corrente de pensamento e expressão artística concebida em homenagem ao deus grego Pan. Era um grupo multímidia onde as performances eram sempre ao vivo e misturavam teatro de vanguarda, literatura e cinema. Nessa mesma época cria uma tira de história em quadrinhos Fabulas panicas e publica diversos livros e dirige diversas peças teatrais vanguardistas em Paris e na Cidade do México.

É no México que Jodorowsky faria a sua estréia como diretor de cinema com o filme Fando e Lis (1967), baseado em uma peça de Fernando Arrábal que juntos haviam dirigido anos antes. O filme estreou no Acapulco Film Festival e sua primeira exibição causou um grande tumulto. Fando e Lis com sua história de um jovem de vinte anos e sua amiga paralítica, infantis e abandonados, em busca de uma cidade chamada Tar, chocou a platéia mexicana de tal modo que Jodorowsky, sob ameaça de violência, teve de sair da sala fugido pelas portas dos fundos e disfarçado e o filme foi banido no México.

Apesar dessa "efusiva" recepção, Jodorowsky permaneceu em seu estilo inconfunível e marca o seu nome no cinema com duas obras primas nos anos 70. Em 1971 lança El topo, um faroeste surrealista onde um pistoleiro na busca de capturar os responsáveis por um massacre, acaba por realizar uma viagem espiritual em busca da transcendência. El topo estrou sem alarde nos EUA em dezembro de 1970, numa sessão programada para a uma da madrugada no teatro The Elgin. Entretanto, El topo provocava fascinação em muitos dos que o assistiam e a propaganda boca-a-boca fez com que o filme conseguisse uma expressiva bilheteria e projetasse o nome de Jodorowsky no cinema mundial. O ex-beatle John Lennon e sua esposa Yoko Ono impressionados com o filme propõem a Jodorowsky o financiamento de um de seus filmes. Como resultado, chegaria aos cinemas, dois anos depois, A Montanha Sagrada (1973), a obra prima de Jodorowsky que foi ovacionada no Festival de Cannes no mesmo ano.

Agora famoso, Jodorowsky retorna à França em 1975 com o obejtivo de fazer uma versão para o cinema do romance Duna de Frank Hebert. O filme teria a participação no elenco de Orson Welles e Salavador Dalí, além da trilha sonora composta pelo Pink Floyd e o conceito visual criado pelos artistas H. R. Giger, Dan O'Bannon e Möebius. Entretanto, os produtores declinaram da idéia, e o romance acabou sendo filmado nos Estados Unidos por David Lynch, que não concordando com os cortes que os produtores fizeram em sua obra, acaba por renegá-lo.

Após essa frustração, Jodorowsky produz Tusk (1980) que conta a improvável história de amizade entre uma menina e um elefante no seio de uma rica família inglesa na Índia Colonial. Nos anos 80 Jodorowsky passa a escrever histórias em quadrinhos em parceria com nomes consagrados das HQs, produzindo uma grande número de obras primas. A parceria com Möebius dá origem a Incal e A Casta dos Metabaroes. Com o iuguslavo Zoran Janjetov ele fez Os Tecnosacersotes e com Milo Manara, Bórgia.

Em 1989 retorna ao cinema com o filme Santa Sangre, bastante elogiado pela crítica e com uma boa bilheteria o que o faz ser convidado a filmar por um grande estúdio um roteiro do produtor
Alexander Salkind. Aceita o convite e filma O ladrão do arco-íris (1990). Entretanto, durante a produção, há diversos cortes contrários à vontade de Jodorowsky que ao final, Jodorowsky acaba por também renegar o filme.

Atualmente, Jodorowsky vive na França e passa seu tempo organizando encontros de leitura voluntários. Toda quarta-feira, reúne interessados e discípulos para ler trechos de obras na maioria das vezes espirituais. Há 14 anos, cumpre essa mesma rotina, segundo o próprio, sem cobrar nada, apenas juntando contribuições para quitar o aluguel da casa onde leciona. Atua como um líder espiritual, interpretando com gestos cada palavra e buscando investigar a alma humana.

Nenhum comentário: