Kolya - Uma Lição de Amor - Jan Sverák (1996)sexta-feira, 14 de outubro de 2011
15/10: Kolya - Uma Lição de Amor (Jan Sverák,1996)
Kolya - Uma Lição de Amor - Jan Sverák (1996)sexta-feira, 7 de outubro de 2011
08/10: Ponette (Jacques Doillon, 1996)
Ponette - Jacques Doillon (1996)Crítica: Ponette (Jacques Doillon, 1996)
Doillon traz-nos um universo completamente diferente daquilo a que estamos habituados, o universo das crianças na idade pré-escolar. Ou seja, a linguagem do filme e seus diálogos são praticamente todos de compreensão muito fácil, infantil. Doillon lida neste filme com a percepção que uma criança tem/ganha quando confrontada com uma situação tão difícil como a morte de uma mãe. Não é fácil aceitar a morte de alguém que nos é querido mesmo quando somos adultos, mas Doillon vai mais longe e mostra-nos o sofrimento de uma criança de 4 anos que de um momento para o outro se vê privada da figura mais protectora para uma criança, a mãe. Aceitar este facto requer várias explicações que lhe são dadas pelos adultos, pelas outras crianças da sua idade, inclusive os seus primos que convivem com ela dia a dia. Mas Ponette recusa-se a aceitar o facto de a mãe ter morrido e é aqui que a interpretação desta criança se transcende e traz todo o valor ao filme. É quando Ponette inventa que fala com a mãe de noite, quando a tia lhe diz que a mãe está no céu com Deus, quando a educadora a ensina a rezar, que toda a essência do filme faz sentido. É nestes momentos de uma procura de respostas às perguntas que uma criança de 4 anos, perdida numa condição que não compreende, não quer compreender e que procura incessantemente remediar e revogar toda essa condição a que está sujeita, que esta obra se valoriza.
Ponette vai mais longe e cria ela própria o seu momento de despedida com a mãe. Quando Ponette passeia de mão dada com a mãe pelo bosque e lhe pede que nunca mais se vá, Doillon mostra-nos que embora seja difícil aceitar o facto de a mãe estar morta e não voltar, a resignação de um indivíduo tem que chegar. E que melhor maneira do que a de Ponette, quando cria imaginariamente uma despedida da mãe, simbolizando a sua aceitação de uma condição que era mais forte que a sua constante negação de tal circunstância. Ponette é um filme belo, emocionante e extremamente simples. Aqui não há grandes enredos, traições e paixões. Ponette trata da morte, da dor e do amor. Ponette é arte em cinema.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
01/10: Tartarugas Podem Voar (Bahman Gobadi, 2004)
Tartarugas Podem Voar - Bahman Gobadi (2004)Crítica: Tartarugas Podem Voar (Bahman Gobadi, 2004)
por Angélica BitoExtraído de http://cinema.cineclick.uol.com.br/criticas/ficha/filme/tartarugas-podem-voar/id/1070
Num acampamento de refugiados curdos, as pessoas se reúnem para ouvir as notícias da guerra. A figura central desse grupo é o carismático Satélite (Soran Ebrahim), um garoto que exerce a liderança entre crianças, jovens e adultos. É ele quem instala antenas nos povoados para que possam saber as notícias da guerra iminente. Além disso, lidera um grupo de crianças que vivem de "caçar" minas terrestres, instaladas por norte-americanos, e vendê-las. Dessa forma, o filme registra o caos em que essas pessoas vivem, o isolamento e a completa falta de informações. Nesse povoado também vive Agrin (Avaz Latif), uma garota cujo irmão, Hyenkov (Hirsh Feyssal), perdeu os braços, assim como grande parte das crianças da região, acidentadas nas minas espalhadas. Sempre com uma criança nas costas, que parece ser mais um irmão, Agrin perambula pela vila, atraindo a atenção de Satélite, que tenta, sem sucesso, a aproximação.
Há muitas crianças no povoado mostrado no filme. E elas parecem ter mais destaque do que os próprios adultos, a começar por Satélite, que parece ser o líder supremo na aldeia. A todo momento, Tartarugas Podem Voar mostra crianças vivendo situações adultas. Afinal, que tipo de infância é essa na qual uma menina é estuprada por soldados e tem filhos antes de chegar aos 15 anos? A inocência é roubada a todo momento pela guerra e a miséria em um lugar onde não há tempo para bonecas. Na TV, saem os videoclipes e entram os noticiários nos controles remotos controlados por mãos infantis.
Seria muito mais fácil se Tartarugas Podem Voar tomasse alguma posição política em relação ao conflito Iraque versus EUA, mas não é isso que o filme faz. Misturando dramas diretamente relacionados à guerra e algumas situações cômicas, o filme de Ghobadi simplesmente mostra um breve e delicado retrato do que realmente acontece por lá. Algo que não vemos nos noticiários. A tragédia rodeia todos os personagens e, paradoxalmente, há muita vida em cada um deles. Apesar de situar-se em um período e local específicos, Tartarugas Podem Voar também pode ser visto como o retrato de um microcosmo da guerra. Qualquer uma delas.
Programação Outubro 2011: Filmes com crianças como protagonistas
O Cine Clube Ybitu Katu exibe:
01/10: Tartarugas podem voar (Bahman Gobadi, 2004)
15/10: Kolya - Uma Lição de Amor (Jan Sverák,1996)
22/10: O Tambor (Volker Schlöndorff, 1979)
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
24/04: O Viajante (Abbas Kiarostami, 1974)
O Viajante - Abbas Kiarostami (1974)Longa de estréia de Kiarostami, o Viajante, conta uma brilhante parábola sobre um garoto em idade escolar, negligenciado pelos pais, que utiliza de quaisquer meios para viajar até Teerã e poder assistir ao jogo da seleção nacional de futebol. Duração: 70 minutos
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
03/09: Linha de Passe (Walter Salles e Daniela Thomas, 2008)
Linha de Passe - Walter Salles e Daniela Thomas (2008)
O filme conta a história de quatro irmãos que vivem na periferia de São Paulo. Com a ausência do pai, precisam lutar por seus sonhos. Reginaldo, o mais novo, procura obstinadamente seu pai que nunca conheceu. Dario, prestes a completar 18 anos, sonha com uma carreira como jogador de futebol profissional. Dinho, frentista em um posto de gasolina, busca na religião o refúgio para um passado obscuro. Dênis, o irmão mais velho, já é pai de um filho e ganha a vida como motoboy. No centro desta família está Cleuza, que, aos 42 anos, está grávida do quinto filho. Sandra Corveloni venceu o prêmio de Melhor Atriz no festival de Cannes por sua atuação neste filme. Duração: 113 minutos.
Crítica: Linha de Passe (Walter Salles & Danielas Thomas, 2008)
Empenhados por uma vontade iniciada com a parceria de Terra Estrangeira, Walter Salles e Daniela Thomas ciclicamente repensam o Brasil nas suas questões históricas e também nas urgências mais atuais. A consolidação de novos modelos de família e a luta pela sobrevivência diária na metrópole excludente são as mesmas situações que vemos camufladas em novelas das oito onde a mesa do café da manhã dos personagens menos afortunados representa uma fantasia de realidade que ridiculariza mais do que diverte. É bem diferente de vermos Cleuza (Sandra Coverloni) servindo o prato do filho enquanto os dois discutem, a carne chegando ao prato com a mão de raiva da mulher que mata vários leões por dia. Interessante que Sandra tenha ganhado o prêmio de melhor atriz em Cannes já que o verdadeiro personagem da história tem mais quatro pontas além dela, a mãe e seus quatro filhos formando uma unidade familiar contemporânea, ela sim o personagem completo e complexo que vemos ser desenhado nos conflitos individuais de cada um, na luta individual de cada um por pertencimento e aceitação, inserção social, a busca pelas raízes paternas, tudo finalmente entendido como a necessidade de vinculação, essa palavra perdida em cujo sumiço se esconde a depredação das relações humanas.
Desvinculados por vários fatores, seja de ordem social, geográfica ou monetária, Denis (João Baldasserini), Dario (Vinícius de Oliveira), Dinho (José Geraldo Rodrigues) e Reginaldo (Kaique de Jesus Santos, uma revelação e tanto) transitam pela cidade em busca de seus lugares. Nas viagens de Denis em sua moto a câmera e a montagem surpreendem com perspectivas quase verossímeis, e é dele também a cena que mais impressionou, quando ele tira o capacete e pergunta ao interlocutor rico e perdido: Cara, você tá me vendo? A explicitação do drama de ser invisível costurando todas as pontas do filme. Reginaldo, o filho mais novo, se envolve nesse drama ao escolher enxergar o pai em um motorista de ônibus para fugir da visível diferença que o separa dos irmãos pela cor da pele. Dinho prefere a via da resignação religiosa, via essa que não consegue lhe amparar na hora mais difícil de seu personagem. Dario, o orgulho da mãe corintiana não desmerece o nome de craque, mas tem o talento ignorado por uma verdadeira indústria de atletas na qual ele não consegue se encaixar apesar de tudo. Uma boa cena de Dario é a da falsificação da identidade, quando ao câmera foca a carteira sendo copiada e deixa em destaque a imagem do ator Vinícius, que na foto do documento é exatamente aquele garoto que conhecemos em Central do Brasil. Uma óbvia e sutil referência.
Congregando os quatro personagens, Cleuza trabalha contra o ritmo em que flui a sua vida com a mesma dificuldade com que lida com uma pia entupida, na árdua tarefa de manter visível a linha que liga cada um dos filhos ao pertencimento de grupo, de família. A simplicidade de sua interpretação sem afetações constrói a verdade fantasiosa de uma mulher real, que mesmo grávida transita por todos os espaços, o trabalho, o bar e o estádio de futebol lotado. E essa mesma gravidez, demonstração de uma vida sexual ativa, é o signo da feminilidade escondida sob a aparência descuidada de quem não tem tempo para vaidades e completa o universo de significações da personagem como mulher-total. E sob essa constatação é que Sandra Coverloni merece destaque pela construção de um personagem redondo que impressiona por quase não parecer um personagem ou parte de algo ficcional.
Os desfechos de cada um dos cinco parecem ressaltar isso, com finais de uma poética da realidade para todos, menos para Cleuza e Denis que são os dois personagens que caracterizam a maturidade em detrimento da juventude presente em Dario, Dinho e Reginaldo. Como se a concretude da vida tivesse tirado de Cleuza e Denis a capacidade de perseguir sonhos, por mais concretos que eles sejam.
Assim a parceira Walter Salles e Daniela Thomas deixa mais uma boa marca no cinema nacional, sem apelar para as velhas armadilhas do pitoresco, criando uma história cuja mensagem é universalmente inteligível. E mais uma vez, salvas a Sandra Coverloni e Kaique de Jesus Santos que formaram a dupla mais entrosada nessa bela linha de passes.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Programação Setembro de 2011: O Futebol no Cinema
O Cine Clube Ybitu Katu exibe:
03/09: Linha de Passe (Walter Salles & Daniela Thomas, 2008) - Brasil
10/09: Two Half Times in Hell (Zoltán Fabri, 1962) - Hungria
17/09: O Medo do Goleiro Diante do Penalti (Win Wenders, 1972) - Alemanha
24/09: O Viajante (Abbas Kiatostami, 1970) - Irã
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
20/08: Zelig (Woody Allen, 1983)
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
13/08: Manhattan (Woody Allen, 1979)
Crítica: Manhattan (Woody Allen, 1972)
por Rodrigo Carreiro
Extraído de http://www.cinereporter.com.br/criticas/manhattan/
“Manhattan” (EUA, 1979) é um desses filmes que expõem, da maneira mais dura possível, o enorme abismo que separa público e crítica cinematográfica. Ao longo dos anos, especialistas e estudiosos de cinema aprenderam a amar esse filme e considerá-lo como o melhor da longa e prolífica carreira do cineasta. Por outro lado, “Manhattan” não costuma ganhar palavras agradáveis dos habituais fãs do diretor. Muita gente acha que o filme é, na verdade, decepcionante. Afinal de contas, quem está com a razão?
Minha resposta, entre as muitas possíveis: nem os críticos e nem o público. “Manhattan” não é o melhor filme de Woody Allen, posto que pode ser disputado tranqüilamente por vários outros grandes filmes do mestre novaiorquino (“Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, “A Rosa Púrpura do Cairo” e “A Outra”, só para citar alguns). Mas é um trabalho ambicioso, que marcou uma fase de transição importante para a carreira de Allen. “Manhattan” transita entre a comédia romântica, a crônica de costumes e a homenagem a uma cidade neurótica. Talvez por mirar em três alvos tão diferentes, Woody Allen não tenha conseguido agradar a gregos e troianos.
Na verdade, não agradou nem a ele mesmo; na época do lançamento do filme, Woody Allen chegou a se oferecer para dirigir outro filme de graça para a Universal, o estúdio que bancou a obra, por achar que tinha feito um filme ruim. Depois, mudou de opinião. Em parte, fez isso devido à excelente recepção de críticos respeitados, como Roger Ebert.
Os elogios vieram por uma parte de especialistas que conseguiu compreender a verdadeira intenção de Woody Allen. Em 1979, o cineasta iniciava uma guinada ambiciosa na carreira cinematográfica. Allen desejava abandonar definitivamente o personagem cômico que havia criado em filmes como “Bananas” e “A Última Noite de Boris Grushenko”, e passar a filmar histórias mais densas, de humor mais refinado, com um toque de análise da condição humana. Algo na linha do grande ídolo de Allen, o diretor sueco Ingmar Bergman.
“Manhattan”, portanto, não é uma comédia anárquica como “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, que havia dado o Oscar ao cineasta dois anos antes e permanecia vívido na memória do público. O filme tem uma fotografia esplêndida de Gordon Willis, em preto-e-branco, e caminha num ritmo tranqüilo. Não provoca gargalhadas a cada minuto, mas traz um enfoque crítico e bem-humorado a um aspecto da condição humana que Woody Allen iria, a partir dali, inspecionar repetidamente em seus filmes: a frivolidade dos relacionamentos amorosos nos grandes centros urbanos.
Isaac Davis (Allen) é o protagonista. Ele escreve um programa de TV bem-sucedido, mas não gosta do que faz. Foi abandonado pela mulher, Jill (Meryl Streep), que a trocou por uma garota; ela ameaça escrever um livro contando os podres do casal. Davis namora com uma garota de 17 anos, Tracy (Mariel Hemingway), e sofre porque não acredita numa relação com uma adolescente.
Nesse ínterim, o melhor amigo dele, o professor Yale (Michael Murphy), começa a trair a esposa com uma excêntrica intelectual da cidade, Mary Wilkie (Diane Keaton). No começo Davis a odeia, mas então algo muda dentro dele, e os dois começam a se aproximar. A confusão amorosa, como se pode ver, está armada. Não é um triângulo amoroso, com um rolo complicado que ninguém sabe direito onde começa, e muito menos onde vai terminar.
O texto limpo e preciso de Woody Allen ganha a tradução visual adequada nas mãos de Gordon Willis, que comanda um tour pelos principais pontos turísticos de Nova York (o museu Guggenheim, o Planetário, a Ponte do Brooklyn, cafés badalados) e integra perfeitamente cada um desses ambientes à história. A fotografia em preto-e-branco não enfatiza os contrastes, mas o jogo de sombras e as tonalidades acinzentadas, o que ajuda a imprimir ao filme o ritmo nostálgico que ele pede.
No final das contas, “Manhattan” é um filme de atores; uma comédia sem piadas – o que talvez seja a causa das críticas negativas que recebe. Woody Allen mantém parte da persona que construiu para si mesmo, o intelectual tagarela e inseguro, mas oferece, na verdade, uma versão mais rica e complexa de si mesmo. E o desempenho espontâneo de Mariel Hemingway confere o misto de jovialidade e sofisticação que o filme pede.sexta-feira, 5 de agosto de 2011
03/08: Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo (e tinha medo de perguntar) (Woody Allen, 1972)
Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo (e tinha medo de perguntar) - Woody Allen (1972)Programação de Agosto: Woody Allen
Um dos principais comediantes do cinema norte-americano, Woody Allen encontrou uma boa maneira de fazer psicanálise: levando seu divã para o cinema. Com diálogos ágeis e humor ácido, expõe as fraquezas humanas enquanto critica a sociedade americana e a comunidade judaica à qual pertence.
Cine Clube Ybitu Katu exibe:13/08: Manhattan (1979)
20/08: Zelig (1983)
27/08: Rosa Púrpura do Cairo (1985)



