segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Biografia - Kristian Levring

Nascido na Dinamarca em 1957, Kristian Levring. Estudou na Escola Nacional de Cinema de Dinamarca, e complementou sua formação como cineasta vivendo oito anos na França. Após ter editado e produzido um grande número de documentários e longas-metragem, estréia como diretor em 1988, com o filme "Et skud fra hjertet". Em 1995, associa-se a Lars Von Trier (Os Idiotas), Thomas Vinterberg (Festa de Família) e Sorn Kragh-Jacobson (Mifune) no manifesto Dogma 95 e lança o que seria o seu mais famoso e premiado filme "O Rei está vivo". Em 2002, volta à direção com o filme "The intended" e em 2008 retorna com "Den du frygter" que concorreu a concha de ouro do Festival de Cinema de Sán Sebastian na Espanha.

Crítica - O rei está vivo

por Jotakapa

Um filme que se limita formalmente para se concentrar no que se pretende essencial - a história e as representações, pressuposto comum aos outros filmes do manifesto Dogma 95. E se os "mandamentos dogmáticos" são na realidade um espartilho formal, possibilitam por outro lado uma aposta inequívoca no argumento e no trabalho dos actores. Dir-se-ia que se está em territórios algures entre o teatro filmado e o falso documentário.

"O Rei está vivo", apesar de me parecer um pouco inferior a "A Festa" e "Os Idiotas", mostra-se um filme deveras interessante, algo chocante, mas sempre fértil. Encena uma situação de difícil cabimento no nosso quotidiano para melhor estudar os comportamentos humanos, os seus limites e a sua natureza.

Não pude evitar - fecunda coincidência! - pensar no "Big Brother" televisivo, a propósito deste filme. E pensei o quão pequeninos são os horizontes do programa no seu propósito de laboratório humano quando comparados com o cinema e o seu poder maior de nos dar a ver coisas muito próximas da experiência directa, densa e complexa.

É impressionante observar como, na grande maioria das personagens, o lento caminho para o desespero leva a expulsarem aquilo que têm de pior, de mais egoísta e de mais feio enquanto seres humanos. Perspicaz, a personagem talvez mais humana (o pseudo-encenador do Rei Lear) refere-se à redutibilidade animal de cada um dos seus companheiros, antecipando a luta feroz pela sobrevivência, física, mas muito mais mental. As tensões entre as personagens vão gerando o triste strip-tease da essência humana, criando divisão onde se exigia união e egoísmo onde se exigia solidariedade.

Independentemente do seu desequilíbrio narrativo e dos seus altos e baixos emocionais e interpretativos, é justo destacar o mérito deste filme em suscitar, primeiro, a autoreflexão e, depois, a discussão mais ou menos acesa de um tema tão fascinante quanto o das relações humanas.

Botucatuense vence o Festival do Minuto

O botucatuense, cineasta e frequentador do Cine Clube, José Renato Arena Scorssato, venceu na última terça-feira o Festival do Minuto, um festival de vídeos de apenas um minuto. O filme chama-se "Mãonológo" e, retratando o mundo por uma mesa, a ganância por uma toalha amarela e utilizando apenas as mãos dos atores, trata da trajetória do dinheiro entre vários tipos de pessoas. Como prêmio, o cineasta receberá R$ 1 mil reais, que será divido entre a equipe de produção (Júlio de Carvalho e Luciano Fabris) e os cinco atores da Quadrilha Teatral Notívagos Burlescos que participaram do vídeo. As filmagens ocorreram no Centro Cultural de Botucatu, durante duas noites, resultando num total de cinquenta minutos de imagem, que editadas, resultaram no vídeo de um minuto. No bimestre anterior, produzindo o vídeo "Melodraminha" do colega Marcelo Dorsa, ele já havia vencido este festival. Além disso este ano, Renato Scorssato, ficou em segundo lugar no festival de cinema da UNESPAR (Universidade Estadual do Paraná), onde estuda, com o vídeo "Santuccilânida". Em abril, ele também exibiu o documentário "Estação Fantasma" no Centro Cultural de Botucatu, produção que mostra o abandono da estação da extinta FEPASA, sob a ótica de um ferroviário aposentado.

Veja aqui o vídeo "Mãonológo".

Maiores informaçãoes: Festival do Minuto.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

08/11 - Italiano para principiantes


Italiano para principiantes - Dir: Lone Scherfig. Duração: 97 min.

Sinopse
Andreas, um jovem padre viúvo, chega aos subúrbios de Copenhaguen para substituir o pároco local. JØrgen Mortensen é um recepcionista de hotel com problemas amorosos e frequenta o curso de italiano. Olympia é uma rapariga charmosa, apesar de muito desajeitada, que sonha em inscrever-se no curso de italiano. Apaixona-se por Andreas e no funeral da mãe descobre que é irmã de Karen, uma cabeleireira que se apaixona por Finn, empregado de mesa mas, quando é despedido, torna-se professor no curso de italiano. Giulia é uma italiana, colega de Finn no restaurante, e tem uma pequena paixão por JØrgen Mortensen. O curso de italiano vai funcionar para estas personagens frágeis e solitárias como uma espécie de catalisador que as conduzirá ao encontro do amor, vivido à típica maneira italiana. Italiano para principiantes é o décimo segundo filme do movimento Dogma 95 e recebeu 20 premiações, entre elas o Urso de Prata de Berlim em 2001.

Veja aqui o trailler.

Biografia - Lone Scherfig

Esta diretora dinamarquesa nascida em Copenhaguen (02/05/1959) foi a primeira mulher a receber o certificado Dogma 95.
Filmografia:

Direção:
Meu irmão quer se matar (2002)
Italiano para principiantes (2000)

Roteirista:
Marcas da vida (2006)
Meu irmão quer se matar (2002)
Italiano para principiantes (2000)

Crítica - Italiano para principiantes

Italiano para principiantes
Por Marcelo Silva Costa

Italiano para Principiantes é o 12º filme do movimento "Dogma 95" e o quinto a chegar no Brasil (a saber, os outros foram: "Os Idiotas", "Festa de Família", "Mifune" e "O Rei Está Vivo"). O movimento Dogma 95 é um decálogo em que, em dez mandamentos, alguns diretores (Lars Von Trier, Thomas Vinterberg, entre outros) ditam algumas regras para se fazer cinema. Ou para se voltar a fazer cinema. Uma olhadela nas dez regras do Dogma 95 percebemos que, mais do que qualquer coisa, o Dogma 95 é uma volta a simplicidade cinematográfica.

É lógico que para funcionar como manifesto, Dogma 95 teria de chamar a atenção do público/crítica para uma nova/velha forma de se ver cinema. A atitude, claro, veio embalada nos radicais primeiros filmes do movimento. Atitude aliada a marketing, estamos no século XXI, baby.

A radicalização imposta aos primeiros filmes não existe em "Italiano para Principiantes" ("Italienski for Begyndere" - 2000), e isso é totalmente positivo. Lone Scherfig, a diretora, usa dos dez mandamentos do movimento para criar uma comédia romântica leve, bem-humorada e de happy end.

Uma jovem cabelereira (Karen), um grosseiro ex-jogador de futebol (Halvfinn), uma desastrada confeiteira (Olympia), um pastor perdido espiritualmente (Andreas), um recepcionista de hotel (Jorgen) e uma cozinheira italiana (Giulia) tem seus destinos cruzados em uma aula de italiano promovida pela prefeitura da cidade. A aula, gratuita, é uma saída que cada uma dessas pessoas comuns encontraram para fugir do marasmo da vida solitária que levam. A história se passa em Copenhague, na Dinarmaca, e a imagem de uma Itália romântica (o desfecho acontece em Veneza) seduz o grupo de alunos.

Cada personagem carrega, sobre os ombros, uma série de problemas, totalmente humanos, desses que eu ou você poderíamos ter. Essa fraqueza pessoal gera uma visível insegurança. Assim, uma mãe alcoólatra, um homem impotente, uma mulher desastrada, pessoas comuns sofrendo problemas comuns, acabam tornando infeliz a vida de cada membro desse grupo.

E nessa simplicidade de roteiro, Scherfig leva o espectador a passear com os personagens nessa história intimista, entre o dolorido e o divertido. Funciona como conto de fadas moderno, onde o bailar em Veneza é o toque da fada-madrinha sobre os ombros dos personagens. Funciona como comédia romântica leve que envolve o espectador ganhando sorrisos ao final. E, principalmente, mostra que o movimento Dogma 95 não é tão cheio de arestas como se pregava. E, é bom variar encontros românticos com socos e pontátes, convenhamos.

Lone Scherfig foi a primeira mulher a realizar uma filme seguindo o Dogma 95. Sua obra ganhou o Urso de Prata em Berlin/2001. E, dos dez preceitos do movimento, só quebrou um, talvez, o mais importante no quesito "punk" da história: o décimo. Mas ela deve ser perdoada. O filme vale esse perdão.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Novembro - Dogma 95

O Dogma 95 é um movimento cinematográfico internacional lançado a partir de um manifesto publicado em março de 1995 na Dinamarca. Os autores foram os cineastas dinamarqueses, Thomas Vinterberg e Lars Von Trier.
O Manifesto Dogma 95 foi escrito para a criação de um cinema mais realista e menos comercial.
Segundo os cineastas, trata-se de um ato de resgate do cinema como feito antes da exploração industrial (segundo o modelo de Hollywood). O manifesto tem cunho técnico — apresenta uma série de restrições quanto ao uso de técnicas e tecnologias nos filmes — e ético — com regras quanto ao conteúdo dos filmes e seus diretores —, e suas idéias são tão controversas quanto seus filmes.

As 10 regras do Dogma 95:
  1. As filmagens devem ser feitas em locais externos. Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).
  2. O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).
  3. A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).
  4. O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).
  5. São proibidos os truques fotográficos e filtros.
  6. O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer).
  7. São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (O filme se desenvolve em tempo real).
  8. São inaceitáveis os filmes de gênero.
  9. O filme deve ser em 35 mm, padrão.
  10. O nome do diretor não deve figurar nos créditos.
Site oficil do Dogma 95: www.dogme95.dk

O CINECLUBE EXIBE:
01/11 - FESTA DE FAMÍLIA - Thomas Vinterberg (1998)
08/11 - ITALIANO PARA PRINCIPIANTES - Lono Scherfig (2000)
22/11 - O REI ESTÁ VIVO - Kristian Levring (2000)
29/11 - OS IDIOTAS - Lars Von Trier (2000)

OUTROS FILMES
>>EM SUAS MÃOS - Annette K. Olsen (2004)
>>CAMA DE GATO - Alexandre Stockler (2002) (do movimento brasileiro T.R.A.U.M.A. similar ao Dogma 95)
>>>JULIEN DONKEY-BOY - Harmony Korine (1999)
>>>MIFUNE - Søren Kragh-Jacobsen (1999)

Cartaz Outubro - Novembro