sábado, 22 de setembro de 2012

22/09: Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)

Marcas da Violência - David Cronenberg (2005)

Sinopse
Tom Stall mora com sua esposa Edie e seus dois filhos na pequena cidade de Millbrook, no estado de Indiana. Certo dia, Tom percebe um assalto em andamento em seu restaurante e mata os assaltantes para defender seus clientes. Depois disso, passsa a ser visto por muitos como um herói e a mídia passa a incomodá-lo. Porém, o que Tom não esperava é que um homem chamado Carl Fogarty lhe procurasse para acusá-lo de ter lhe feito um grande mal no passado. Duração: 96 minutos

sábado, 8 de setembro de 2012

08/09: Gêmeos - Mórbida Semelhança (David Cronenberg, 1988)

Gêmeos - Mórbida Semelhança - David Cronenberg (1988)

Sinopse
A deprimente história de gêmeos idênticos, ambos ginecologistas -- o cortês Elliot e o sensível Beverly, lados bipolares de uma só personalidade -- que compartilham a mesma profissão, o mesmo apartamento, as mesmas mulheres. Quando uma nova paciente, a fascinante atriz Claire Niveau, abala esse estranho vínculo, eles afundam em um redemoinho de confusão sexual, drogas e loucura. A impressionante atuação de Jeremy Irons -- no papel de ambos os gêmeos -- levanta questões perturbadoras sobre a natureza da identidade pessoal.  Duração: 117 minutos

sábado, 1 de setembro de 2012

01/09: Videodrome (David Cronenberg, 1983)

Videodrome - David Cronenberg (1983)

Sinopse
Max Renn, o dono de uma pequena emissora de televisão a cabo, capta imagens de uma "snuff", que seriam cenas de pessoas que eram realmente torturadas e mortas. Inicialmente os sinais pareciam vir da Malásia, mas depois descobre-se que eram gerados em Pittsburgh. Gradativamente Max fica sabendo que esta transmissão se chama Videodrome, que na verdade é muito mais que um mórbido show de televisão e sim um experimento que usa as transmissões regulares de televisão para alterar permanentemente as percepções de quem as vê, causando danos no cérebro. Max começa a sofrer efeitos bizarros e alucinógenos destas transmissões, se vendo no meio das forças que criaram e querem controlar o Videodrome. Mas Max descobre que seu corpo pode ser a última arma que poderá usar contra seus inimigos. Duração: 90 minutos.

sábado, 25 de agosto de 2012

25/08: Código Desconhecido (Michael Haneke, 2000)

Código Desconhecido  - Michael Haneke (2000)

Sinopse
A narrativa é divida entre três grupos de pessoas: a atriz francesa Anne Laurent (Juliette Binoche), o marido dela e sogros; uma romena, Maria (Luminita Gheorghiu), luta para ter dinheiro para sua família voltar para casa; e Amadou (Ona Lu Yenke), um professor para crianças surdas-mudas que está em conflito com seu clã africano. O catalisador das histórias começa numa esquina, onde o cunhado de Anne, Jean (Alexander Hamidi), insulta Maria, que implora ajuda. Amadou, enraivecido, provoca uma briga com Jean, resultando em repercussões negativas para os três grupos. Duração: 118 minutos

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

11/08: Cópia Fiel (Abbas Kiarostami, 2010)

Cópia Fiel - Abbas Kiarostami (2010)

Sinopse
James Miller (William Shimell) é um filósofo inglês que vai a uma pequena cidade da Toscana apresentar seu livro sobre o valor da cópia na arte. Chegando lá, encontra Elle (Juliete Binoche), uma francesa que é dona de uma galeria de arte há muitos anos, que vive com seu filho pré-adolescente (Adrian moore). Eles passam a tarde juntos. Ao mesmo tempo em que vão se conhecendo, começam a desenvolver um complexo jogo de interpretação de personagens. Duração: 106 minutos.

Crítica: Cópia Fiel (Abbas Kiarostami, 2010)


por Marcelo  Hessel

Se a qualidade de uma obra de arte depende do contexto e está nos olhos de quem a vê, argumenta o escritor inglês James Miller (William Shimell) no começo de Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010), então uma falsificação pode ter a mesma validade do original. É como a imagem da Coca-Cola reinventada pela pop art, diz ele, que está na Toscana para divulgar o seu livro, intitulado justamenteCópia Fiel.

Em seu primeiro filme rodado fora do Irã, o mais importante cineasta do país, Abbas Kiarostami, parte desse princípio de Miller para legitimar a sua homenagem a Viagem à Itália. Como no clássico de 1954 de Roberto Rosselini, temos o que normalmente seria uma pequena questão burguesa - os problemas de relacionamento de um casal - amplificada pela concha acústica que é a história da arte europeia. Uma obra depende de seu contexto: entre os muros da Itália, as pequenezas da vida a dois se tornam material de um drama maior.

James Miller precisa voltar para a Inglaterra, mas antes aceita de Elle (Juliette Binoche), uma francesa dona de galeria que há anos vive na Itália com seu filho, um convite para passear pelas ruazinhas da comuna de Lucignano. Passando por um café, os dois são confundidos como marido e mulher, e por brincadeira passam a encenar esses papéis. O momento dessa virada é essencial: James e Elle por uma viela antes deserta, mas que de repente se enche de varais e mulheres e barulhos de bebês. É como se atravessassem um portal para o neorrealismo.

Kiarostami diz que cada um deve interpretar a obra como quiser, mas é inegável que duas obsessões de sua cinematografia iraniana seguem preservadas aqui: as mulheres e o tempo. Em filmes como Gosto de Cereja (1997), a obra que transformou Kiarostami em grife e o cinema iraniano em moda, percebe-se mesmo no mais seco monte de terra o acúmulo do tempo. O tempo, inscrito na paisagem, é que molda os homens. Mas com as mulheres é diferente. Elas vivem no Irã em uma espécie de estado de suspensão, numa semiclandestinidade, e sobre elas o tempo não parece agir. É uma condição trágica, no fundo, e Kiarostami tem passado anos fazendo filmes com close-ups de mulheres para tentar socorrê-las.

Na Europa de Viagem à Itália e de Cópia Fiel, o secularismo permite um acúmulo do tempo distinto do iraniano. É o tempo, por exemplo, que cerca James à esquerda e à direita na cena da foto com a noiva. Lucignano surge constantemente em espelhos, janelas, romanceada por velas, por não dá pra negar a História. Mas enquanto James Miller filosofa contra o "eterno" da arte, contra a mistificação, porque afinal logo retornará para a Inglaterra, a francesa Elle está sofrendo no rosto o peso dos anos mal vividos. Fora do Irã, é sobre as mulheres que age o tempo de Kiarostami.

E se o diretor apega-se ao close-up de Juliette Binoche, que nunca esteve tão bonita e tão vulnerável, é para entender por que tanto sorri essa sua Mona Lisa.

sábado, 4 de agosto de 2012

04/08: Elles (Malgorzata Szumowska, 2011)

Elles - Malgorzata Szumowska (2011)

Sinopse
Jornalista de uma grande revista voltada para o público feminino, Anne (Juliette Binoche) trabalha em uma matéria sobre a prostituição estudantil. Ela consegue os depoimentos de duas estudantes de Paris, Alicja (Joanna Kulig) e Charlotte (Anaïs Demoustier), que abrem suas vidas sem pudor ou vergonha. Tais confissões acabam ecoando no dia a dia de Anne e interferindo em seus relacionamentos pessoais. Duração: 96 minutos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Programação Agosto de 2012: Juliette Binoche

No mês de agosto, a encantadora atriz francesa Juliette Binoche ganha uma mostra especial com quatro filmes estrelados por ela aqui no Cine Clube Ybitu Katu.

04/08: Elles (Malgorzata Szumowska, 2011)
Jornalista de uma grande revista voltada para o público feminino, Anne (Juliette Binoche) trabalha em uma matéria sobre a prostituição estudantil. Ela consegue os depoimentos de duas estudantes de Paris, Alicja (Joanna Kulig) e Charlotte (Anaïs Demoustier), que abrem suas vidas sem pudor ou vergonha. Tais confissões acabam ecoando no dia a dia de Anne e interferindo em seus relacionamentos pessoais. Duração: 96 minutos.

11/08: Cópia Fiel (Abbas, Kiarostami, 2010)
James Miller (William Shimell) é um filósofo inglês que vai a uma pequena cidade da Toscana apresentar seu livro sobre o valor da cópia na arte. Chegando lá, encontra Elle (Juliete Binoche), uma francesa que é dona de uma galeria de arte há muitos anos, que vive com seu filho pré-adolescente (Adrian moore). Eles passam a tarde juntos. Ao mesmo tempo em que vão se conhecendo, começam a desenvolver um complexo jogo de interpretação de personagens. Duração: 106 minutos.

17/08: Os Amantes da Pont-Neuf (Leos Carax, 1991)
Pont-Neuf, a ponte mais antiga de Paris, serve de abrigo para muitos sem-teto. É lá que Alex (Denis Lavant) conhece Michele (Juliette Binoche). Ela é uma pintora de classe média que, fugindo de um relacionamento que não deu certo, decidiu viver nas ruas para pintar o máximo possível antes que fique cega em função de uma doença. Alex ganha alguns trocados fazendo perfomances circenses, mas é viciado em álcool e sedativos. Eles se tornam amigos e amantes e dividem as duras experiências cotidianas das ruas. O relacionamento entre os dois acaba se tornando uma dependência, e o medo de um perder o outro começa a se tornar massacrante. Duração: 120 minutos.

25/08: Código Desconhecido (Michael Haneke, 2000)
A narrativa é divida entre três grupos de pessoas: a atriz francesa Anne Laurent (Juliette Binoche), o marido dela e sogros; uma romena, Maria (Luminita Gheorghiu), luta para ter dinheiro para sua família voltar para casa; e Amadou (Ona Lu Yenke), um professor para crianças surdas-mudas que está em conflito com seu clã africano. O catalisador das histórias começa numa esquina, onde o cunhado de Anne, Jean (Alexander Hamidi), insulta Maria, que implora ajuda. Amadou, enraivecido, provoca uma briga com Jean, resultando em repercussões negativas para os três grupos. Duração: 118 minutos.

sábado, 28 de julho de 2012

28/07 - Euphoria (Ivan Vyrypayev, 2006)

Euphoria - Ivan Vyrypayev (2006)

Sinopse
Em alguma região inóspita da Rússia, Vera e Pasha trocam olhares em uma festa de casamento. Vera é casada com Valeri e tem uma filha pequena, o que não impede Pasha de procurá-la para esclarecer por qual motivo trocaram olhares naquele dia. É quando uma mordida de cachorro abruptamente transforma a vida de todos. Duração: 71 minutos.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

07/07 - Stalker (Andrey Tarkovsky, 1979)

Stalker - Andrey Tarkovsky (1979)

Sinopse
“Quando o homem nasce, é fraco e flexível; quando morre é impassível e duro. Quando uma árvore nasce, é tenra e flexível; quando se torna seca e dura, ela morre. A dureza e a força são atributos da morte; a flexibilidade e a fraqueza são a frescura do ser. Por isso, quem endurece, nunca vencerá…” (Stalker)

Sinopse: Ninguém sabe explicar como surgiu "A Zona", um lugar estranho, cercado por soldados e arame farpado. Muitos tentam entrar, pois acreditam que lá dentro encontrarão um local onde os desejos secretos de cada um se tornam realidade. Mas apenas alguns marginais conhecidos como “stalkers”, dotados com poderes telepáticos, sabem evitar as armadilhas espalhadas e penetrar nesta zona. Um deles conduz um cientista e um escritor que querem desvendar o mistério, mas a aproximação terá de ser cautelosa. Duração: 163 minutos

Crítica: Stalker (Andrey Tarkovsky, 1979)

por Rodrigo Fisher

Não são poucos os filmes que tentam explorar os vários aspectos da sociedade, e do ser. É ainda menor o número daqueles que tentam explicar o sentido da vida, seja de forma abstrata ou lógica. E são poucos os que conseguem tal façanha. Tomo a permissão de reduzir esse número a dezenas, se contarmos os que além de bons argumentos, forem verdadeiros deleites audiovisuais. Stalker, de Andrei Tarkovsky, é um dos poucos que conseguem flertar com a percepção do ser e estar. Com um pano de fundo ficcional, Stalker explora os campos metafísicos do ser, da esperança, da humanidade. Por metáforas e belos poemas, o longa constrói consigo uma responsabilidade grande, e com o decorrer da trama, somos brindados com a leveza do ser; com a capacidade humana de fé, ou falta dela.

Para se fazerem tais pregações, o longa usa como metáfora a Zona. O estranho e misterioso lugar, que tem a fama de ser a fonte da felicidade. Com isso, um professor e um escritor procuram um Stalker – homem capaz de levar à salvo pessoas à Zona -, para leva-los ao lugar e conseguirem o que buscam. Chegando lá, deparam com uma vegetação mórbida, e pelo caminho até o Quarto – lugar onde a felicidade estaria residida -, os homens enfrentam conflitos exteriores e interiores. 

Os personagens: professor e escritor representam, respectivamente, nossos lados esquerdos – responsável pela parte lógica – e direito – responsável pela parte emocional. Com esse embate de funções, os dois personagens estão em constantes conflitos. Em um desses conflitos, o sentido da vida é posto em discussão, e é proferida pelo Stalker a afirmação de que a música era um exemplo de sentido da vida. A música era a capacidade humana de exercitar o lado lógico e o lado emocional, e desse modo, tocar a alma do ser. Os recursos usados por Tarkovsky também são sublimes. A mudança de coloração, dos tons de cinza da cidade para a multicoloração da Zona é uma alusão à falta de esperança no centro urbano, e consequentemente, a abundância dela na natureza crua. 

Sobre a concepção da Zona, vale ressaltar a cena em que a câmera transpassa pelo solo do lugar, e com isso, nos é mostrado todos os valores da sociedade sobre as águas. Símbolos religiosos, dinheiro, armas, tudo o que o ser humano dá valor, na Zona, está destruído. Com isso, temos a idéia de que a Zona simboliza um lugar de inversão de valores. Certo ponto, um dos personagens cogita a possibilidade de se mudar para o lugar, assim não teria as preocupações dos centros urbanos, devido à calma ali encontrada. Além de tudo, a Zona é seletiva, deixando apenas entrarem os oprimidos, os infelizes, mas permitindo a estadia apenas aqueles que respeitarem as regras por ela impostas. 

Por fim, o filme trata da busca do ser humano por um lugar de paz, um lugar que dê a paz. E desacreditados, desistem dela por alegarem a falta de lógica. É a descrença humana posta em discussão. Não nos são oferecidas as respostas, mas a busca por elas, assim como a busca dos dois homens pela Zona.

Programação Julho 2012: Cinema Russo: Dos tempos de URSS à Russia Contemporânea

Nesse mês de férias, reservamos quatro filmes representativos da história do cinema russo, desde os tempos de URSS até os dias atuais com a Rússia globalizada.

O Cine Clube Ybitu Katu exibe:


07/07 - Stalker (Andrey Tarkovsky, 1979)
“Quando o homem nasce, é fraco e flexível; quando morre é impassível e duro. Quando uma árvore nasce, é tenra e flexível; quando se torna seca e dura, ela morre. A dureza e a força são atributos da morte; a flexibilidade e a fraqueza são a frescura do ser. Por isso, quem endurece, nunca vencerá…” (Stalker)

Sinopse: Ninguém sabe explicar como surgiu "A Zona", um lugar estranho, cercado por soldados e arame farpado. Muitos tentam entrar, pois acreditam que lá dentro encontrarão um local onde os desejos secretos de cada um se tornam realidade. Mas apenas alguns marginais conhecidos como “stalkers”, dotados com poderes telepáticos, sabem evitar as armadilhas espalhadas e penetrar nesta zona. Um deles conduz um cientista e um escritor que querem desvendar o mistério, mas a aproximação terá de ser cautelosa. Duração: 163 minutos
 
14/07 - A Greve (Serguei Eisenstein, 1925)
 Em 1912, durante o governo do Czar, a greve dos operários de uma fábrica é brutalmente reprimida pela polícia. Propaganda do regime soviético ao denunciar as barbáries do governo anterior. Duração: 82 minutos.

21/07 - Fausto (Aleksandr Sokurov, 2011)
Fausto é um pensador, rebelde e pioneiro, mas também um ser humano anônimo feito de carne e sangue, governado por impulsos internos, cobiça e luxúria. Última parte da tetralogia de Sokurov sobre a natureza do poder, o filme é livremente inspirado no conto Fausto, de Goethe.Duração: 134 minutos.


28/07 - Euphoria (Ivan Vyrypayev, 2006)
Em alguma região inóspita da Rússia, Vera e Pasha trocam olhares em uma festa de casamento. Vera é casada com Valeri e tem uma filha pequena, o que não impede Pasha de procurá-la para esclarecer por qual motivo trocaram olhares naquele dia. É quando uma mordida de cachorro abruptamente transforma a vida de todos. Duração: 71 minutos.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

26/05: Viajo porque preciso, volto porque te amo (Karim Ainouz e Marcelo Gomes, 2009)

Viajo porque preciso, volto porque te amo - Karim Ainouz e Marcelo Gomes (2009)

Sinopse
José Renato (Irandhir Santos) tem 35 anos, é geólogo e foi enviado para realizar uma pesquisa, onde terá que atravessar todo o sertão nordestino. Sua missão é avaliar o possível percurso de um canal que será feito, desviando as águas do único rio caudaloso da região. À medida que a viagem ocorre ele percebe que possui muitas coisas em comum com os lugares por onde passa. Desde o vazio à sensação de abandono, até o isolamento, o que torna a viagem cada vez mais difícil. Duração: 75 minutos

Crítica: Viajo porque preciso, volto porque te amo (Karim Ainouz e Marcelo Gomes, 2009)


Um road movie pelo sertão ou uma poesia sobre a fuga. Viajo por que preciso, volto porque te amo (Brasil, 2009) de Karim Ainouz e Marcelo Gomes, vai além da geografia dos espaços e do valor de uma simples frase de efeito surgida numa parede. Por ser poético e ficcional, sem deixar de documentar o real, pode-se dizer que ainda não se encaixa em um padrão do cinema brasileiro.

Obrigado a estar no banco do passageiro, a primeira cena de Viajo por que preciso, volto porque te amo não esconde ao espectador que embarcará como carona ao lado do geólogo José Renato (Irandhir Santos). Ele tem 35 anos e é enviado ao sertão nordestino a fim de pesquisar as condições para um possível canal que será feito com o desvio de águas de um único rio caudaloso da região. Não vê-se o protagonista em momento algum, ele é apenas uma voz em off que orienta as cenas de um sertão que por horas é o mesmo árido de sempre e por outros momentos é um desconhecido, um grande vazio com luzes noturnas.

José Renato é um apaixonado e ao mesmo tempo foge da decepção dessa paixão. Fazendo referências interessantes de momentos vividos e pequenos detalhes entre ele e sua mulher, o narrador constrói o cenário que assistimos aliando seus pensamentos dia após dia que se afasta (ou se aproxima) de sua casa. Fazemos parte desse diário de viagem.

Durante a odisséia encontra-se os mais estranhos e incríveis personagens que vão moldando os sentimentos do narrador ao longo do caminho. Desses personagens são as prostitutas que têm o dever de preencher o vazio de José Renato, não somente com o sexo, mas com suas histórias e trajetórias. Destaque para Pati que ao ser questionada sobre o que esperava da vida, ela apenas resume querer ¨Uma vida-lazer com sua filha e um companheiro¨.

Tratar o sertão nordestino sem mitologias é um das características mais interessantes dos dois diretores. Construíram, com as experiências anteriores como em Cinema, Aspirinas e Urubus e O Céu de Suely, um novo conceito sobre a região. Afinal, os sertanejos também são afetados pela mídia e pelas desesperanças do urbano, e fugir do imaginário popular sobre a região não é tarefa fácil. Em entrevista com o diretor Jean-Claude Bernardet, Karim Ainouz e Marcelo Gomes, ambos nordestinos, falam sobre a necessidade que sentiam em experienciar, vivenciar de fato, tudo que ouviam e supostamente sabiam da região. Um trabalho, acima de tudo, sensorial.

Viajo por que preciso, volto por que te amo foi gravado num período de aproximadamente 10 anos, partindo de um projeto que inicialmente seria sobre as feiras do interior nordestino. Karim Ainouz e Marcelo Gomes relatam que tinham uma ligação meio mística com as filmagens, mas até 2009 não tinham muita certeza do que fazer, até decidirem que seria um trabalho que envolveria as gravações do sertão mescladas a história de um personagem, o José Renato, muito bem trabalhado na voz de Irandhir Santos.

A fotografia do filme chama bastante a atenção por mesclar imagens de slides, de uma câmera super-8, duas câmeras 16mm (Bolex), uma câmera tcheca (Minockner) e uma mini-DV VX1000 (Sony). Essa mistura resulta numa bonita colagem e visões sensoriais intensas a quem assiste. Viajo por que preciso, volto por que te amo é simples de concepções técnicas, porém se mostra carregado de uma narrativa intensa. Um filme para ser lido, ou uma leitura para ser vista.

A sensação no fim do longa, é a da necessidade de mudança. Zé Renato encara a viagem como uma transmutação do seu sentimento de perda e vazio. Ao vivenciar os 75 minutos dessa trajetória, fica a vontade de ir para qualquer lugar, uma necessidade de fuga que deixa o espectador buscando algo. Uma sensação de querer uma ¨vida-lazer¨ e de abandono quando Zé Renato cessa a sua fala, afinal não vendo o personagem o espectador se confunde com as coisas ditas e vistas por ele. Impossível não sair do cinema não carregando um pouco do geólogo dentro de si. E mesmo que piegas, o espectador ao fim sabe que todos já viajaram porque precisavam e voltaram porque amavam algo ou alguém.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

12/05: Casanova e a Revolução (Ettore Scola, 1982)

Casanova e a Revolução - Ettore Scola (1982)

Sinopse
 1791. Nicolas Edmé Restif de la Bretonne (Jean-Louis Barrault), o controverso escritor e editor, vê a condessa Sophie de la Borde (Hanna Schygulla), a dama de companhia de Marie-Antoinette (Eléonore Hirt), deixar Paris secretamente. Ele conclui que o rei Luís XVI (Michel Piccoli) e sua família já tinham deixado a capital. Determinado em satisfazer sua curiosidade e testemunhar o maior evento histórico de sua vida, o escritor parte em perseguição à condessa, pois assim achará o rei. No caminho conhece um idoso cortesão, que não é nem mais nem menos que Casanova (Marcello Mastroianni), o mestre da sedução, que guarda seu encanto ainda, apesar de ter 66 anos. Por um acaso do destino eles acabam na mesma carruagem onde também estão também Sophie e Thomas Paine (Harvey Keitel), um ativista político americano. Como o cocheiro faz seu trajeto através da cidade de Metz, os viajantes descobrem que eles estão seguindo a mesma rota de outro cocheiro, que leva à família real. Duração: 122 minutos.