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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Biografia: Roberto Palmari

Roberto Palmari e José Lewgoy

Extraído de http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/roberto-palmari/

Roberto Palmari (1935-1992) é um cineasta, roteirista, ator e produtor de cinema brasileiro.

Filho de uma abastada família de imigrantes italianos, Roberto Fillipe Palmari nasceu em 5 de junho de 1934. Trabalhou para a extinta TV Tupi, foi um dos criadores da TV Excelsior e entrou para a história da sétima arte tupiniquim, ao realizar os longas “O Diário da Província” e “O Predileto”.

Em 1954 Palmari viajou para a Itália e conheceu o diretor de cinema Federico Fellini, que entre outros, realizou E LA NAVE VA. Estudou literatura e fez estágio na TV Estatal italiana. De volta ao Brasil conseguiu, em 1959, um papel no tele-drama “Urgente (Um namorado para Sheila)”, do diretor Ademar Guerra na extinta TV Tupi. Dirigiu tele-teatros transmitidos ao vivo pela mesma emissora, e realizou o primeiro festival de MPB da televisão Brasileira, lançando cantores como Elis Regina e Edu Lobo. Ainda na Tupi dirigiu o Programa Marisa Urban, sob a redação do escritor Jaime Leitão.

Como publicitário lançou campanhas, comerciais de TV e ganhou muitos prêmios. Criou e dirigiu o Show da Rhodia, lançando a coleção de inverno de 1970. A trilha sonora ao vivo do evento ficou por conta dos Mutantes com direção musical do maestro Julio Medaglia.

Sua primeira realização cinematográfica aconteceu no ano de 1976. O longa “O Predileto”. No elenco Jofre Soares, Suzana Gonçalves e Othon Bastos. O filme levou o Kikito de ouro de melhor filme na 4° edição do Festival de Gramado de 76. Jofre Soares ganhou como melhor ator. Roberto Palmari e Roberto Santos melhor roteiro.

No ano de 1977, a revista masculina Status realizou seu 1° Concurso de Contos Eróticos. Os três contos premiados foram adaptados (por realizadores diferentes) para cinema e reunidos em um filme chamado Contos Eróticos. Palmari foi convidado para adaptar e dirigir o episódio “As três virgens”. Um destaque da produção foi a atriz Carmem Silva. Ela recebeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante no XI Festival de Cinema de Brasília.

Em 1978 deu início ao seu terceiro e último projeto cinematográfico, “O Diário da Província”. O filme tem como pano de fundo a crise do café de 1929, e transforma em personagem o jornal rio-clarense de maior expressão nas décadas de 20 e 30: O Alpha. O longa contava com José Lewgoy, Gianfrancesco Guarnieri, Paula Ribeiro e Beatriz Segall. A equipe de pesquisa foi composta por Nelson Anunciato (Fubá), Paula Ribeiro e Fernado Cilento Fitipaldi. Foi premiado no festival de Vantiz na França e vendido para distribuição na Alemanha e França.

Nesse ínterim foi locutor do programa Carnet Social da Rádio PRF2 (Rádio Clube) em Rio Claro, interior de São Paulo. Em dezembro de 1979 lançou, também em Rio Claro, o Momento – A semana passada a limpo. Tablóide com viés político-cultural. Entre seus colaboradores se destacavam: a fotógrafa Claudia Andujar, Jaime Leitão, Henfil e Ignácio Loyola Brandão. Com o fim do Momento, Palmari ainda tentou publicar a Folha Solta, mas a empreitada não passou dos primeiros números.

No ano de 1992 sofreu aneurisma cerebral e foi transferido para Porto Alegre, onde faleceu no dia 3 de outubro.

Em 1993 foi aprovado um Projeto de Lei (nº.08/93) dando o nome do renomado cineasta rio-clarense Roberto Palmari, ao local, que passou a ser conhecido como Centro Cultural Roberto Palmari.

Hoje o Centro Cultural Roberto Palmari é palco de inúmeras ações culturais, tais como cursos de teatro, oficinas variadas, cursos de dança, festivais de dança, apresentações teatrais, exibição de filmes, encontros de escritores, atividades musicais, entre muitas outras atividades voltadas para o desenvolvimento sócio-cultural dos cidadãos rio-clarenses pertencentes aos mais variados segmentos da nossa comunidade.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

09/10: Ação entre amigos (Beto Brant, 1998)

Ação entre amigos - Beto Brant (1998)
FILMADO EM BARRA BONITA

Sinopse
Em 1971, Miguel, Paulo, Elói e Osvaldo participaram da luta armada contra a ditadura militar e acabaram sendo presos quando tentavam assaltar um banco. Eles foram barbaramente torturados, sendo que Lúcia, a namorada de Miguel que estava grávida, morreu quando seus algozes colocaram nela uma "coroa de cristo" até estourar seu cérebro. Vinte e cinco anos depois, os quatro amigos ainda se vêem e quando vão para uma pescaria Miguel mostra aos amigos uma foto de um encontro político em São Paulo, afirmando que uma das pessoas fotografadas foi Correia , o homem que os torturou por meses. Duração: 76 minutos.

Biografia: Beto Brant

Beto Brant nasceu em Jundiaí em 1964, indo ainda pequeno para São Paulo. É graduado em cinema pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1987.

Inicialmente foi diretor de videoclipes. Os mais marcantes foram os clipes dos Titãs, todos do álbum Titanomaquia (1993): Nem sempre se pode ser Deus, Taxidermia, Será que é isso que eu necessito? (este lhe rendeu o prêmio MTV Brasil Music Awards). Sua carreira como curta-metragista foi marcante. O curta Jó foi o primeiro filme de sua lista de produções premiadas em festivais ao conquistar o título de melhor curta-metragem no Festival de Havana.

O primeiro longa-metragem, Os Matadores, conta a história de assassinos de aluguel da fronteira com o Paraguai. O thriller policial apresentava um elenco considerável para um iniciante: Murilo Benício, Chico Diaz, Adriano Stuart, Maria Padilha, Wolney de Assis e Stênio Garcia. A estréia teve boa receptividade e rendeu, entre outros feitos, as estatuetas do Kikito de Ouro de melhor diretor no Festival de Gramado e a do Lente de Cristal no Festival de Cinema Brasileiro de Miami.

O segundo longa foi Ação entre Amigos. O enredo da trama expõe o dilema de quatro ex-militantes do período de resistência à ditadura militar e possibilidade de se depararem, anos mais tarde, com o torturador do passado. Quatro personagens diferentes, quatro perfis de ex-torturados diferentes que misturaram conformismo com sede de vingança e travaram, pouco a pouco, um debate sobre anistia e justiçamento. O elenco foi composto por figuras menos conhecidas, elemento que permitiu uma maior identificação entre personagens e público. Mais um longa, mais prêmios: o "bi" em Miami, o Troféu Passista no Festival de Recife, além de uma repercussão internacional marcante.

O terceiro longa foi O Invasor. A trajetória de sucesso do filme começou com o Festival de Brasília, com os prêmios de melhor diretor, melhor trilha sonora e o de ator-revelação para o integrante dos Titãs, Paulo Miklos, amigo feito no período dos clipes. O músico surpreendeu por sua performance dual cômica/soturna, venceu a categoria de melhor filme latino-americano em Sundance e dividiu as atenções com o rapper Sabotage (autor dos diálogos de Miklos, de músicas da trilha e de uma participação especial). O elenco conta com Marco Ricca, George Freire, Alexandre Borges, Jayme Del Cueto, Mariana Ximenes, Tanah Correa, Chris Couto e Malu Mader. Em Recife, venceu a competição com sete prêmios: melhor filme, direção, fotografia, montagem, trilha sonora (Sabotage), ator (Marco Ricca) e atriz coadjuvante (Mariana Ximenez).

É destaque da geração de longas-metragens dos anos 90, sua brilhante carreira não surpreende em festivais culminando premiações, principalmente em seu último filme, O invasor (2001) como no Festival de Brasília (melhor diretor) e no Sundance Film Festival (melhor filme latino-americano). Um dos melhores frutos do investimento estatal e exemplo do difícil percurso que um cineasta enfrenta para alcançar uma boa produção é O invasor.

O filme, apresenta uma característica das produções brasileiras: chegou a ser disputado e comprado no Festival de Berlim por distribuidoras estrangeiras sem ter um distribuidor nacional interessado. Com orçamento baixo (R$ 1 milhão), os patrocínios vieram de prêmios (R$ 370.000 do próprio Ministério da Cultura e R$ 300.000 da estatal BR Distribuidora), em apoios (como do Estúdio Mega, da Quanta - Equipamentos, e da Videofilmes - empréstimo de câmeras e equipamentos), além de diversas locações cedidas gratuitamente e até cachês modestos para os atores. Beto Brant, dotado de um estilo próprio na forma como conta suas histórias ou pelo conteúdo delas, brinca com fórmulas narrativas do cinema policial norte-americano com tramas provocativas, essencialmente brasileiras. Seu objetivo era o de ver seus filmes serem exibidos na TV aberta, como "qualquer outra fita do gênero".

Não será propriamente uma surpresa se alguém resolver traçar um paralelo entre O Invasor e Cidade de Deus, da mesma forma que Ação entre amigos e O que é isso companheiro? foram confrontados. Parâmetros de comparação não faltam: é possível traçar esta abordagem pelo conteúdo, pela estética ou até mesmo pelas próprias estruturas com as quais os dois filmes foram construídos. Outra característica do trabalho de Beto Brant é realizar filmes que começam e terminam com reticências, mas que não se tratam de obras abertas. Os filmes terminam num clímax surpreendente e que não se extingue, deixam o espectador em suspenso, estupefato com o ponto em que as coisas chegaram. Talvez seja este o efeito que o cineasta deseja atingir com relação ao próprio status da realidade brasileira.

Filmografia
2009 - O Amor Segundo B. Schianberg
2007 - Cão Sem Dono
2001 - O Invasor
1998 - Ação Entre Amigos
1997 - Os Matadores
1993 - Jó (curtametragem)
1989 - Dov'e Memeghetti? (curtametragem)
1987 - Aurora (curtametragem)

Prêmios
- Melhor Roteiro – Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA),CÃO SEM DONO (2007)
- Melhor Trilha Sonora – Festival de Goiânia,CÃO SEM DONO (2007)
- Prêmio de Melhor Diretor – Festival do Rio, Crime Delicado (2005)
- Prêmio de Melhor Roteiro Adaptado – Academia Brasileira de Cinema, Crime Delicado (2006)
- Prêmio de Melhor Roteiro e Melhor Fotografia – Festival Brasileiro de Miami, Crime Delicado (2006)
- Ganhou o Prêmio de Melhor Filme Latino-Americano, no Sundance Film Festival, por "O Invasor" (2001).
- Ganhou o Kikito de Ouro de Melhor Diretor, no Festival de Gramado, por "Os Matadores" (1997).
- Ganhou o prêmio de Melhor Diretor, no Festival de Brasília, por "O Invasor" (2001).
- Ganhou o Troféu Passista de Melhor Diretor, no Festival de Recife, por "Ação entre Amigos" (1998).
- Ganhou 2 vezes o Lente de Cristal de Melhor Diretor, no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, por "Os Matadores" (1997) e "Ação entre Amigos" (1998).
- Ganhou o prêmio de Melhor Curta-Metragem, no Festival de Havana, por "Job" (1993).
- Dirigiu o clip da música "Será que é isso que eu necessito?", da banda Titãs, pelo qual ganhou o MTV Brasil Music Awards.