sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

16/02: Os Pássaros (Alfred Hitchcock, 1963)

Os Pássaros - Alfred Hitchcock (1963)

Sinopse
Considerado um dos melhores filmes de Hitchcock, Os Pássaros é um exercício de suspense dos mais intrigantes. Pássaros começam a ficar violentos e atacarem pessoas na pequena cidade de Bodega Bay, espalhando o terror na localidade. Duração: 114 minutos. 

Crítica: Os Pássaros (Alfred Hitchcock, 1963)

por Victor Ramos

Com uma filmografia repleta de suspenses coerentes, Alfred Hitchcock lançou seu nome no patamar de mestre do suspense. Analisando a carreira de Hitchcock com um olhar voltado para o tema da morte, o primeiro filme de fama de sua autoria a fazer uso deste tema foi Festim Diabólico (Rope, 1948), onde o subconsciente de dois assassinos que compõem todo ponto gênese do filme é explorado de forma fria.

Hitchcock abraçou a causa do crime no cinema e, posteriormente a Festim Diabólico dirigiu outra obra famosa que faz parte de sua filmografia; o filme Pacto Sinistro (Strangers on a Train, 1951) é mais uma obra que estuda os elementos que constroem a frieza de uma mente assassina. A temática de morte utilizada por Hitchcock era executada como única naquela época e, poucas das outras produções que faziam uso de tal tema, utilizavam a exploração da psicopatia; de todo modo, as poucas que exploravam este mal não atingiam com êxito a devida maestria requerida, diferente de Alfred Hitchcock, que marcou o tema como uma das características de seu cinema luxuoso.

Em 1954, mais dois filmes relacionados a mortes foram assinados com a direção do mesmo Hitchcock, os filmes Disque M Para Matar (Dial M for Murder, 1954) e Janela Indiscreta (Rear Window, 1954) foram os que fortaleceram de uma forma peculiar mais ainda a carreira do mestre do suspense. De um lado Janela Indiscreta, que de seu modo analisa o quanto a obsessão humana pode desencadear sérios problemas, e de outro lado Disque M Para Matar, que explora a ganância da natureza humana e, até onde ela pode nos levar. Ambos os filmes adquiriram com êxito o sucesso de seus objetivos cinematográficos que compõem as características do verdadeiro suspense e, também na massa entre os críticos e o público.

Até então, qualquer filme com o nome ‘’Alfred Hitchcock’’ estampado nos créditos era sinônimo de bom trabalho. Em 1955 surgiu o filme O Terceiro Tiro (Trouble with Harry, The, 1955), que tratou da morte como uma piada, porém, a recepção do longa não foi tão calorosa quanto nas outras produções anteriores que são dignas de serem denominadas ‘’obras’’. Após O Terceiro Tiro, Hitchcock só viria a tratar da mente assassina em 1958 com o filme Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958). Um corpo Que Cai não teve uma boa recepção na época, porém, hoje o filme é considerado ser uma das melhores obras de Hitchcock.

 
Em 1960, apenas poucos anos antes de Hitchcock dirigir uma de suas mais originais e ousadas obras cinematográficas, eis que surge o filme Psicose (Psycho, 1960). Psicose foi – e é – para muitos o apogeu da carreira de Hitchcock, dono de um dom pouco visto no cinema, um dom onde em Psicose brotou originalidade e muito suspense acompanhado de elementos que originaram produções seguintes de outros diretores distintos.
 
Até então, tudo na carreira de Hitchcock foi exibido de uma forma coerente. Foi exibido espionagem, psicopatia, frieza, romance e muito humor negro. Hitchcock se tornara uma marca quase exclusiva do cinema que trata de crimes humanos. Em 1963, surgiu o filme que redefiniu mais uma vez o cinema e marcou com carimbo de ouro a carreira de Alfred Hitchcock, o filme Os Pássaros (Birds, The, 1963). Os Pássaros foi algo que Hitchcock nunca tinha sentido antes, o lado da morte que ele nunca provou: o sobrenatural.
 
Os Pássaros é o filme mais ousado da carreira de Hitchcock, e isto se deve por vários elementos chave que constroem a armação da obra. Hitchcock não era um diretor que gostava de fazer uso de alta tecnologia em seus filmes, e muitos destes filmes também se atendo ao costume peculiar do mestre, eram rodados completamente em estúdio. Os Pássaros foi algo novo a ser utilizado por Hitchcock, pois fez uso de tomadas externas, técnica que ele não abraçou, e também fez uso de efeitos especiais inovadores na época para criar as temíveis criaturas voadoras.
 
Se atendo ao que é visto na tela, Hitchcock impõe os espectadores a assistir o mais puro que se pode oferecer do suspense. Modificando algumas passagens do roteiro escrito por Daphne Du Maurier e Evan Hunter, Hitchcock retira o coerente explicativo e deixa apenas em tela o caos. Pássaros assassinos que de súbito matam aos moradores de uma pequena cidade compõem esta obra magnífica e enigmática.

Quem interpreta a protagonista de uma forma peculiar e ousada, é a bela atriz Tippi Hedren, que dá vida a Melanie Daniels. Acompanhando Tippi Hedren segue um grande elenco que adiciona ao talento da equipe técnica pontos positivos. Os personagens possuem personalidades complexas e, nenhum possui característica de mocinho (a) inocente. Todo trabalho dos atores presentes foram desafios postos no caminho como obstáculos, e felizmente foram superados no final das contas, pois ao assistir Os Pássaros, a impressão que dá ao olhar para as atuações, é de que todos os atores presentes nasceram para os devidos papéis, bem como o posterior Pulp Fiction (filme de 1994 dirigido por Quentin Tarantino).
 
 
Os Pássaros faz uso do suspense magistral do início ao fim, explora o medo do desconhecido e mostra a essência do verdadeiro cinema de Hitchcock. Uma verdadeira aula de cinema que, prova melhor que ninguém que o explícito nem sempre é necessário para criar uma atmosfera sufocante típica do gênero.
 
Os Pássaros é um filme atemporal que inicia com maestria o tom tenebroso e, que confirma com o seu final a tamanha importância de si para o cinema. Os Pássaros, diferente dos outros filmes de Hitchcock, não possui o famoso ‘’The end’’ ao final da obra, é aí onde é visto que este realmente é uma obra-prima que consegue fazer com que o suspense contido na obra não acabe. O verdadeiro epílogo da trama fica restrito aos olhos do espectador e, a tensão continua no ar.

"Morro de medo de ovos, pior do que morrer de medo, eles me revoltam. Aquela coisa branca arredondada sem nenhum buraco. Você já viu algo mais revoltante de que uma gema de ovo quebrando e derramando seu líquido amarelo? O sangue é alegre, vermelho. Mas a gema do ovo é amarela, revoltante. Eu nunca a provei."
(Alfred Hitchcock)

Biografia Alfred Hitchcock (1889-1980)

por Carlos Gerbase


Alfred Hitchcock é um dos cineastas mais comentados, biografados e reverenciados de todos os tempos. É difícil escrever sobre ele sem a sensação de estar repetindo o que todos sabem, ou pelo menos o que todos deveriam saber há muito tempo. Mais difícil ainda é buscar novos ângulos para a análise de suas obras e de sua vida.

Ele já foi tratado como um simples artesão, como um mero empregado dos estúdios, repetindo a mesma fórmula para garantir bilheterias, mas também já foi alçado à condição de gênio, de grande autor, principalmente depois que os franceses da Nouvelle Vague (Truffaut à frente) promoveram uma releitura respeitosa (e quase sempre precisa) de seus principais filmes. Então, quem é o verdadeiro Hitchcock? 
Antes de tudo, era um trabalhador do cinema. No sentido proletário do termo. Ao contrário dos diretores da atualidade, que são empresários, muitas vezes multi-milionários, e que se envolvem diretamente na produção de seus filmes, Hitch manteve sua vida dentro da câmara, preocupando-se, essencialmente, com o que o público assistiria. Decidir o enquadramento sempre foi mais importante que decidir o orçamento. Talvez por isso, ele conseguia imprimir aos seus filmes um caráter, ao mesmo tempo, autoral e popular.

Hitch dominava a linguagem e conhecia como ninguém os recursos técnicos que a indústria poderia lhe proporcionar, mas parecia sempre mais disposto a brincar com o público (inclusive aparecendo rapidamente em seus filmes) do que a agradar aos chefões.

Hitchcock nasceu na Inglaterra, teve uma rígida educação jesuíta e pretendia seu engenheiro, mas acabou, ainda bem jovem, desenhando legendas de filmes mudos numa produtora londrina. Na década de 20, com o cinema ainda numa fase romântica, a diferença entre desenhar legendas e dirigir um filme ainda não era tão grande. Depois de um breve período de aprendizado, como assistente de direção e montador, em 1925 fez seu primeiro filme, nunca concluído, "The pleasure garden", obra ainda medíocre. Em 1926, contudo, já assina "The Lodger", uma história com Jack, o Estripador, demonstrando grande talento. Daí por diante, não parou mais de filmar.

Sua "fase inglesa" vai até 1949, quando David Selznick o leva para os Estados Unidos. Em Hollywood, a personalidade reservada de Hitch, pouco afeita a festas e badalações, contribuiu para criar a sua aura de "senhor do suspense e do mistério". Na verdade, o que ele queria era filmar. E filmava como ninguém. Já começou ganhando um Oscar com "Rebecca", e foi afirmando-se como um cineasta capaz de extrair bons filmes até de argumentos fracos.

Como sua produção era muito extensa, e sempre no ritmo ditado pelos estúdio, teve momentos de maior ou menor qualidade. Mas quem vai negar os acertos de "Psicose", "Vertigo", "Disque M para matar", "Os pássaros", "Intriga internacional" e "O homem que sabia demais"? O estilo de Hitchcock, que combina realismo na ação, uma certo maneirismo na construção dos personagens e extrema inventividade na narrativa visual (resultante, antes de tudo, de uma decupagem brilhante e sofisticada), já foi muito copiado, mas, como acontece com obras e autores de exceção, não pode servir de paradigma para ninguém. Hitchcock foi um dos grandes. E ponto final.  
FILMOGRAFIA
Filmes mudos
1. The Pleasure Garden (1925)
2. The Mountain Eagle (1926)
3. The Lodger (1926)
4. A Story of the London Fog (1926)
5. Downhill (1927)
6. Easy Virtue (1927)
7. The Ring (O Anel, 1927)
8. The Farmer's Wife (A Mulher do Fazendeiro, 1928)
9. Champagne (idem, 1928)
10. The Manxman (O Ilhéu, 1929).  
Filmes sonoros
1. Blackmail (Chantagem e Confissão, 1929)
2. Juno and the Paycock (1929)
3. Murder (Assassinato, 1929)
4. The Skin Game (1931)
5. Rich and Strange (1932)
6. Number Seventeen (O Mistério no 17°, 1932)
7. Waltzes from Vienna (1933)
8. The Man who Knew Too Much (O Homem que Sabia
Demais, 1934)
9. The 39 Steps (Os 39 Degraus, 1935)
10. The Secret Agent (O Agente Secreto, 1936)
11. Sabotage (O Marido Era o Culpado, 1936)
12. Young and Innocent (1937)
13. The Lady Vanishes (A Dama Oculta, 1938)
14. Jamaica Inn (A Estalagem Maldita, 1939)
15. Rebecca (Rebeca, a Mulher Inesquecível, 1940)
16. Foreign Correspondent (Correspondente Estrangeiro, 1940)
17. Mr. and Mrs. Smith (Um Casal do Barulho, 1941)
18. Suspicion (Suspeita, 1941 )
19. Saboteur (Sabotador, 1942)
20. Shadow of a Doubt (A Sombra de uma Dúvida, 1943)
21. Lifeboat (Um Barco e Nove Destinos, 1943)
22. Spellbound (Quando Fala o Coração, 1945)
23. Notorious (Interlúdio, 1946)
24. The Paradine Case (Agonia de Amor, 1947)
25. Rope (Festim Diabólico, 1948)
26. Under Capricorn (Sob o Signo de Capricórnio, 1949)
27. Stage Fright (Pavor nos Bastidores, 1950)
28. Strangers on a Train (Pacto Sinistro, 1951 )
29. I Confess (A Tortura do Silêncio, 1952)
30. Dial M for Murder (Disque M para Matar, 1954)
31. Rear Window (Janela Indiscreta, 1954)
32. To Catch a Thief (Ladrão de Casaca, 1955)
33. The Trouble with Harry (O Terceiro Tiro, 1956)
34. The Man Who Knew Too Much (O Homem Que Sabia Demais, 1956)
35. The Wrong Man (O Homem Errado, 1958)
36. Vertigo (Um Corpo que Cai, 1958)
37. North by Northwest (Intriga Internacional, 1959)
38. Psycho (Psicose, 1960)
39. The Birds (Os Pássaros, 1963)
40. Marnie (Marnie, Confissões de Uma Ladra, 1964)
41. Torn Curtain (Cortina Rasgada, 1966)
42. Topaz (Topázio, 1969)
43. Frenzy (Frenesi, 1972)
44. Family Plot (Trama Diabólica, 1976).

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Programação Fevereiro/Março 2013: Terror




Terror em língua inglesa
16/02: Os Pássaros (Alfred Hitchcock, 1963)
 23/02: Salome (Clive Barker, 1973)
           A Noite dos Mortos Vivos (George Romero, 1968) - longa
02/03: O Enigma de Outro Mundo (John Carpenter, 1982)

Giallo
09/03: Suspiria (Dario Argento, 1977)
16/03: A Máscara do Demônio (Mario Bava, 1960)

Terror Nacional
20/03: Amor só de mãe (Dennison Ramalho, 2003) - curta
           À Meia Noite Levarei a Sua Alma (José Mojica Marins, 1964) - longa
27/03: Trilogia do Terror (Ozualdo Candeias, Luís Sérgio Person, José Mojica Marins, 1968)

O Gênero Terror


Os filmes de terror nasceram junto com a cinematografia. George Mélies, um dos pioneiros do gênero, filmou, em 1896, Escamotege d'une Dame Chez Robert-Houdin e, em 1912, A Conquista do Pólo, no qual um dos expedicionários era devorado diante das câmaras pelo Abominável Homem das Neves. Posteriormente, o movimento cinematográfico alemão, denominado “Expressionismo Alemão”, teria como a maior parte de suas obras primas, filmes de terror que ganharam platéias de todo o mundo, como O Gabinete do Dr. Caligari (Robert Wiene, 1920), Nosferatu (Friedrich W. Murnau, 1922), O Gabinete da Figuras de Cera (Paul Leni, 1924), entre outros. A partir da década de 30, com o pioneirismo de Tod Browning (Drácula [1931], Freaks [1932]), começam a surgir grandes monstros, fantasmas, vampiros e outras criaturas capazes de provocar medo dominariam as telas dos cinemas nos filmes de terror até os anos 60. Até esse momento, o terror era produzido unicamente por uma figura monstruosa que surgia de repente na tela, anunciada com acordes de piano. Esse padrão só seria quebrado por Alfred Hitchock na década de 60, com seus filmes Psicose (1960) e Os Pássaros (1963), inaugurando o chamado terror psicológico. Posteriormente, O Bebê de Rosemary (Roman Polanski, 1968) e O Exorcista (William Friedkin, 1973), mostrariam que o mal poderia entrar em qualquer casa sem avisar e sem vestir roupas de monstro. Entretanto, esses monstros e figuras assustadoras ainda seriam bastante explorados nas obras de diretores mais contemporâneos em roteiros cada vez mais complexos, mergulhando na perversão humana e no mundo sobrenatural, como George Romero (A Noite dos Mortos Vivos [1968] e toda a sua obra sobre zumbis), Clive Barker (Hellraiser [1987]), John Carpenter (A Bruma Assassina [1980], O Enigma de Outro Mundo [1982], Christine – O Carro Assassino [1983], À Beira da Loucura  [1994]), Wes Craven (A Hora do Pesadelo [1984], Pânico [1996]), entre outros. 


Ainda que bastante popular, a produção cinematográfica do gênero terror, até os anos 50, estaria limitada a cinematografia alemã e norte-americana. Entretando, nos anos 60, esse gênero se expandiria rapidamente para a cinematografia de um grande número de países e, cada um, criaria uma identidade própria dentre dele. Na Itália, através das excêntricas obras de Dario Argento (O Pássaro das Plumas de Cristal [1970], Suspiria [1977], Phenomena [1985]), Mario Bava (A Maldição do Demônio [1960], O Ciclo de Pavor [1966], Diabolik [1968]), Lucio Fulci (Zombie 2 [1979], The Beyond [1981]), entre outros, surgiria o gênero giallo, onde um assassino em série, onde só se vê as suas mãos vestidas com luvas pretas de couro, ou alguma entidade sobrenatural, provoca chocantes assassinatos (e extremamente coloridos), sobretudo de mulheres, com uma grande exposição de seus corpos, totalmente ou parcialmente nús. No Brasil, ficaria notória a obra do José Mojica Marins (À Meia Noite Levarei a Sua Alma [1964], Esta noite encarnarei no teu cadáver [1966], O Despertar da Besta (1969], e seu famoso personagem, o  cruel e sádico agente funerário Zé do Caixão, figura amoral e niilista, um descrente obsessivo, que não crê em Deus ou no diabo e é temido e odiado pelos habitantes da cidade onde mora. O tema principal de sua saga é a busca da “mulher perfeita” que possa gerar o seu filho e nessa busca ele está disposta a matar quem cruza o seu caminho.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

02/02: O Enigma de Kaspar Hauser (Werner Herzog, 1974)

O Enigma de Kaspar Hauser - Werner Herzog (1974)

Sinopse
Kaspar Hauser é um jovem que foi trancado a vida inteira num cativeiro, desconhecendo toda a existência exterior. Quando ele é solto nas ruas sem motivo aparente, a sociedade se organiza para ajudar Kaspar, que sequer conseguia falar ou andar, mas este logo acaba se tornando uma atração popular. Duração: 110 minutos.

Crítica: O Enigma de Kaspar Hauser (Werner Herzog, 1974)

por Kênia Freitas


O que é um ser humano? Essa parece ser a questão central de Herzog em O Enigma de Kaspar Hauser. No início do filme vemos um jovem acorrentado em um porão. O seu único contato social é com um homem que o alimenta e em determinado momento o ensina a escrever o seu nome: Kaspar Hauser. Um dia esse mesmo homem misterioso leva Kaspar até a cidade de Nuremberg deixando-o plantado na praça da cidade com uma carta na mão, que explica brevemente a história do rapaz e o oferece como voluntário à cavalaria.

A figura causa um estranhamento imediato, o seu corpo mal consegue se manter ereto, Kaspar não responde às perguntas dos moradores e autoridades da cidade — logo todos percebem que ele não sabe falar e não faz ideia alguma do que seja a vida em sociedade. De caso pitoresco à aberração, ele não se encaixa naquela sociedade do século XIX e, sobretudo, à sua definição do que seria um indivíduo. A inventividade de Herzog em filmar essa história verídica de uma criança selvagem está em por em questão nossas convenções sociais e as fronteiras que estas criam entre ilusão e realidade, falso e verdadeiro — temas centrais no cinema do diretor alemão.

Nesse sentido, um dos personagens fundamentais da trama é o escrivão que, desde o momento em que Kaspar é encontrado até a dissecação do seu cérebro após seu assassinato, registrava minuciosamente a vida dessa figura pitoresca. Mas o próprio escrivão e o seu ofício nos soam aberrantes em sua obsessão de documentar, tornando evidente que entre todas as instituições sociais do século XIX uma das mais importantes era a discursiva. O ser humano era mais do que um corpo científico, uma fé religiosa e um conceito filosófico, mas também a interseção de todos esses discursos pelo registro oficial.

Mais do que um ser sem linguagem ou convívio social, o Kaspar de Herzog é um indivíduo sem instituições e suas convenções. E, quando inserido nelas abruptamente, um ser no qual as suas relações de poder e força não repercutiam. É o que o diretor nos mostra repetidamente durante todo o processo de adaptação do personagem à sociedade. Kaspar é confrontado pela lógica da Igreja, do Estado (que o transforma em espetáculo), da filosofia e da aristocracia. E, em cada um desses momentos, sua inadequação é gritante. Ele possui uma lógica de pensamento que não se enquadra. A música, os sonhos, a poesia e a natureza são as linhas de fuga que tornam a sua existência suportável para ele mesmo. E a violência de um assassinato a facadas parece ser a única forma de, de fato, penetrá-lo.

Como formula Michel Foucault no seu belo texto, A vida dos homens infames, o registro incessante da vida do homem comum por meio do processo de documentação oficial acaba por gerar uma nova relação entre o poder, o discurso e o cotidiano: uma nova mise en scène. E assim cabe a Kaspar, a cada momento, um papel diferente: primeiro, o prisioneiro com o qual o Estado não sabe o que fazer; em seguida, a atração de circo e, por fim, o pupilo esforçado de um pensador. Obviamente, nenhum desses papéis o convém.

E, nesse momento derradeiro de sua trajetória, o personagem começa a finalmente a compreender as engrenagens daquela sociedade e as suas representações. Sua recusa a qualquer mise en scène é então ainda maior. Kaspar, que no período de encarceramento não distinguia entre sonho e realidade, afirma ao seu tutor que sua atividade preferida é a do sonho. Como muitos dos personagens de Herzog, ele está no domínio do delírio e da ilusão.

Domínio que aos poucos contagia o filme. Somos levados por Herzog para as imagens do sonho recorrente do personagem, da sua história inacabada — um deserto com uma caravana perdida guiada por um homem cego. Tanto quanto Kaspar, somos inadequados aquele tempo e as suas instituições, isso é o que nos grita o filme o tempo inteiro. Nós também preferimos o cinema do delírio, que assim como seu personagem, Herzog pouco pode desenvolver nessa história. Resta-nos a figura cômica do escrivão e das suas certezas discursivas, tão risíveis no prisma das nossas novas convenções — último truque do diretor, que por fim põe em joga nossa própria ignorância. Se Herzog não abandona uma questão ao longo de sua filmografia é a de que: o que é um ser humano e quais são os seus limites.

Para outra análise crítica (mais longa) do filme: http://pt.scribd.com/doc/54318572/Analise-Critica-do-Filme-O-enigma-de-Kaspar-Hauser

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

26/01: Um dia de cão (Sidney Lumet, 1975)

Um dia de Cão - Sidney Lumet (1975)

Sinopse
Em agosto de 1972 um assalto em um banco no Brooklyn chama a atenção da mídia e transforma-se em um show com uma enorme audiência. Era um roubo que teoricamente duraria apenas dez minutos, mas após várias horas os assaltantes estavam ainda cercados com reféns dentro do banco. Sonny (Al Pacino), o líder dos assaltantes, planejou conseguir dinheiro para Leon (Chris Sarandon), seu amante homossexual, fazer uma cirurgia de mudança de sexo. Enquanto tudo se desenrola a multidão apóia e aplaude as declarações de Sonny e fica contrária ao comportamento da polícia. Duração: 120 minutos

Crítica: Um dia de cão (Sidney Lumet, 1975)

por Rodrigo Cunha

Uma obra-prima do diretor Sidney Lumet, que levou para as telas a história real de um assalto famoso. 
 
Um Dia de Cão é mais uma obra-prima do diretor Sidney Lumet, lançado há quase vinte anos da obra máxima do diretor, Doze Homens e uma Sentença, e apenas a dois de Serpico, também com Al Pacino. Visto sob um olhar descuidado, pode parecer simples demais, uma história de assalto a banco feijão com arroz, mas, se visto com a devida atenção que merece, vai se mostrar infinitamente mais complexo do que antes; tanto na construção psicológica cuidadosa de seus personagens quanto no polimento das imagens.
Baseado na história real ocorrida em 22 de Agosto de 1972, conheça Sonny (Al Pacino) e Sal (John Cazale), dois homens comuns que simplesmente entram em um banco e o assaltam, sem nunca ter a mínima noção do que estão fazendo exatamente. O que era para durar apenas alguns minutos estende-se por várias e várias complicadas horas, com direito a policiais fortemente armados, imprensa tornando tudo em um gigantesco evento e uma platéia de curiosos que reage a todos os acontecimentos.

Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original, escrito por Frank Pierson, baseado nos artigos de Kluge e Thomas Moore, o brilhante aqui não é uma situação estratosférica, gigantesca, digna de um grande blockbuster; o que vale realmente é a situação simples, anormal, lotada de pequenos detalhes que a enriquecem e a aprofundam. Perceba, por exemplo, as reações de Al Pacino a todos os imprevistos da trama, como o olhar surpreso quando a polícia aparece ou então o modo gentil com que ele trata os funcionários do banco. É tudo muito óbvio, mas, ao mesmo tempo, profundo. Há um fundamental segredo para o desenvolvimento da trama, mas que todos os veículos de comunicação simplesmente ignoram e o revelam, tirando o choque de quem está assistindo ao filme – algo que não farei, mas dou a dica que é relacionado à motivação do assalto e que realmente é inesperado.

Acompanhando unilateralmente a visão do personagem de Al Pacino, que está presente em todas as seqüências do longa, temos praticamente um "monólogo" interpretativo brilhante do ator, que indiretamente discute valores da sociedade, preconceitos e mídia. Só que isso não é ruim, pois simplesmente não atrapalha o andamento e nem o entendimento da obra e ainda tem o mérito de nos deixar interessados naquilo tudo – de uma forma ou de outra, somos também uma daquelas pessoas, seja da parte de fora do banco ou em casa, assistindo à televisão, interessados no que acontecerá a seguir. Algumas cenas são clássicas: o povo aplaudindo um Al Pacino que não sabe bem o que faz, agindo intuitivamente, o entregador de pizza comemorando ter participado do “evento” que a mídia construiu, ou então as pessoas totalmente à vontade dentro do banco, onde fica claro que Sonny e Sal nunca quiseram fazer mal a ninguém; eles foram tão ingênuos que nem um nome fictício eles chegaram a usar. Uma das reféns chega a dar entrevista durante um dos discursos de Sonny!

Ao contrário de seu parceiro, Sal é um mistério total para o público. Interpretando mais uma vez um personagem complexo em sua carreira, John Cazale, que fez apenas oito filmes, quase todos obras-primas, antes de falecer por câncer, monta um personagem extremamente sombrio, que faz tudo por algum motivo que nunca vamos saber. Sua característica mais forte durante todo o filme é a certeza de que ele mesmo tem: “não sou homossexual”, apesar de todas as evidências apontarem para o inverso.

Não há uma música sequer para realçar as emoções pré-estabelecidas pelo longa: as seqüências, por si só, já são tensas o suficiente para poder segurar a onda do longa. Recheado com um humor-negro de uma era pré-Tarantino, principalmente pelas atitudes ingênuas de Sonny (mas nunca idiota, ele está sempre ligado nos passos dos policiais), o filme tem ainda um final chocante e inesperado, cru e repentino - os policiais têm a sua teoria e a defendem até o desfecho.

A montagem é ágil e ajuda a manter o interesse em tudo o que está acontecendo. Mesmo com a escassez de informação do começo do filme (há personagens que aparecem e desaparecem do nada, mas, afinal, Sonny realmente não sabe o que aconteceu com eles durante o assalto), nunca perdemos o interesse do que está acontecendo. As calças coladas e cores extravagantes definem bem a época em que o filme foi realizado, mas, ao contrário de seus irmãos inovadores dos anos 70, não temos uma montagem experimental, e sim o mais linear possível, com as informações chegando aos poucos, mas sem toda a clareza que Hollywood costuma mastigar para o seu público. A compreensão vem da inteligência, e não do explícito.

Ao final, temos uma tragédia que a mídia transformou em evento e um evento que Sidney Lumet transformou em obra-prima.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

19/01: A Sangue Frio (Richard Brooks, 1967)

A Sangue Frio - Richard Brooks (1967)

Sinopse
Dois ex-condenados, Perry Edward Smith (Robert Blake) e Richard "Dick" Eugene Hickock (Scott Wilson), invadem a casa dos Clutter, pois Herbert Clutter (John McLiam, um rico fazendeiro, teria um cofre com US$ 10 mil. Esta informação vinha de uma "fonte segura", Floyd Wells, um condenado que conheceu Dick na prisão e lhe contou que viu o cofre quando, anos atrás, trabalhou para os Clutter. Mas Perry e Dick não acharam o cofre, pois ele não existia, e roubaram apenas US$ 43. Isto não os impediu de matarem Herbert, a esposa dele e um casal de filhos, pois não queriam deixar testemunhas. Alvin Dewey (John Forsythe) comanda as investigações e tenta encontrar alguma pista que leve aos assassinos. No entanto Dick e Perry foram para o México, onde Perry tem fantasias de achar um fabuloso tesouro. Quando os sonhos dele redundam em nada, Dick insiste que voltem para os Estados Unidos. Certos de que não deixaram alguma pista, eles trocam cheques sem fundo e são pegos em Las Vegas, dirigindo um carro roubado. Aos poucos os álibis vão sendo desmontados, pois contam histórias contraditórias. Baseado na obra de Trumam Capote. Duração: 134 minutos

Crítica: A Sangue Frio (Richard Brooks, 1967)

por Gabriel Neves

Traduzindo motivações para palavras, o homem permanece uma incógnita que permanecerá sem ser descoberta. A frieza humana provém do mesmo lugar que deu origem à bondade. E porque não se perguntam os motivos para ambos? Porque apenas o mal assume lugar nesse fim do devir, nessa decisão do bem e do mal, sem dar nenhuma chance das motivações boas se explicarem? Há bondade em impulsos considerados maldosos pela moral social? E como se define um psicopata numa sociedade? Todo o público que foi ver e ainda verá a obra de Truman Capote adaptada para o cinema sabe muito bem distinguir o certo do errado à partir de uma ideia perdurada da filosofia platônica. Mas é impossível sair do cinema balançado. Sabe-se que aquele ali é o certo, mas o final não poderia ser diferente?

A Sangue Frio é um filme baseado no romance homônimo de Truman Capote. Ele conta a história de Perry Smith (Robert Blake) e Dick Hickock (Scott Wilson), dois criminosos que começam a bolar um plano para roubar todo o dinheiro da família Clutter, uma família de fazendeiros ricos de Holcomb, Kansas, e assassinar todos os moradores da casa. Após a brutalidade do assassinato, que realmente ocorreu, o filme não para. Aos poucos ele mostra as motivações, as personalidades e a mentalidade dos dois criminosos, explorando tudo que os levou a cometer o crime.

O que difere essa obra de 1967 de qualquer outra que já tinha vindo é a aproximação do público com o lado antagonista do longa-metragem. Se alguém vai para o cinema e acaba simpatizando com um psicopata cuja única função no filme inteiro foi matar, roubar, estuprar, torturar e tudo isso à sangue frio, isso não é considerado normal se não houver um atrativo a mais para a caracterização do vilão. Mas quando o vilão nos é apresentado junto a sua ficha criminal e suas motivações para o caso e todo o psicológico é posto à prova, é difícil não admitir que o antagonista é que trouxe o carisma para a sessão. Primeiramente analisamos a visão de Dick, o homem que planejou tudo e apenas incluiu Perry em seu plano pela facilidade que ele tinha em perder a cabeça e matar. Dick fez tudo isso pelas motivações mais pífias que podem existir: conseguir dinheiro fácil, sair com as mãos limpas, apostar numa garantia inexistente na vida. É a despreocupação ambulante, que consegue improvisar caso algum plano dê errado. Todos os seus passos são movidos pela ganância e, após isso, pela aceitação. Desde que ele sempre esteja com um sorriso idiota no rosto, sempre com um ar superior aos demais até quando está por baixo. Ele não se deixa atingir e isso é fatal para ele. No fim do filme, o público chega a agradecer pelo final que lhe é dado.

Perry é o contrário disso tudo em apenas uma parte de sua consciência perturbada. O homem tem seu certo carisma e cria toda uma aura bondosa ao redor de suas ações que o público consegue adquirir simpatia pelo antagonista, e esse é um grande trunfo tanto do livro quanto do filme. Ao tornar o criminoso o psicológico principal do longa metragem, explora-se um lado desconhecido do espectador. Como se sente tamanha afeição por um homem que se mostra implacável, que consegue matar facilmente e prova isso aos poucos para a tela? Com uma delineação magnífica da redenção e de um perfil perturbado, ele chega a um ponto em que só se pode sentir pena. Há até uma revolta por causa do final de Perry, mas, analisando o crime apenas em teoria e não colocando o papel social sobre o homicida, ele não fez por merecer? Os atores principais merecem uma ressalva, tanto Scott Wilson, por criar tamanho ódio num drama concentrado para as telas; quanto Robert Blake, que é o lado emocionante e humano de A Sangue Frio. Há até uma certa química entre os dois em cena, por meio de palavras ou de ações, que não se concretiza explicitamente. Outro ponto que merece ser levado em conta é a fotografia de Conrad Hall, que até foi indicada ao Oscar de 1967. O filme, que é todo rodado em preto e branco, possui cenas lindas que se contrastam graças aos diversos tons escuros.

Uma das últimas cenas foca a face de Perry enquanto ele faz um discurso. Observar as gotas de chuva caindo pela janela dá a impressão sutil de que ele chora enquanto fala. É a humanização do monstro até por parte da natureza. Tudo em A Sangue Frio é carismático, é tocante e é enganador. É a visão de um criminoso que não se espera encontrar em cada esquina, um criminoso que é gentil, que respeita e que tem medo, por mais que tenha uma facilidade espantosa em matar. É a inversão de papéis feita por Truman Capote em seu livro que tornou Perry a vítima de todo o planejamento, enquanto a sociedade se mostrou cruel em não deixar ele sair impune. Depoimentos foram feitos para deixar o homem cada vez mais bondoso. Mas de que, afinal, adianta a bondade num equilíbrio para redenção dos pecados? E onde está a verdadeira diferença entre o pecado e as boas intenções?

Programação Janeiro 2013

A programação de janeiro do Cine Clube Ybitu Katu será sobre filmes que foram baseados em fatos reais:

19/01: À Sangue Frio (Richard Brooks, 1967)
Dois ex-condenados, Perry Edward Smith (Robert Blake) e Richard "Dick" Eugene Hickock (Scott Wilson), invadem a casa dos Clutter, pois Herbert Clutter (John McLiam, um rico fazendeiro, teria um cofre com US$ 10 mil. Esta informação vinha de uma "fonte segura", Floyd Wells, um condenado que conheceu Dick na prisão e lhe contou que viu o cofre quando, anos atrás, trabalhou para os Clutter. Mas Perry e Dick não acharam o cofre, pois ele não existia, e roubaram apenas US$ 43. Isto não os impediu de matarem Herbert, a esposa dele e um casal de filhos, pois não queriam deixar testemunhas. Alvin Dewey (John Forsythe) comanda as investigações e tenta encontrar alguma pista que leve aos assassinos. No entanto Dick e Perry foram para o México, onde Perry tem fantasias de achar um fabuloso tesouro. Quando os sonhos dele redundam em nada, Dick insiste que voltem para os Estados Unidos. Certos de que não deixaram alguma pista, eles trocam cheques sem fundo e são pegos em Las Vegas, dirigindo um carro roubado. Aos poucos os álibis vão sendo desmontados, pois contam histórias contraditórias. Baseado no livro de Truman Capote. Duração: 134 minutos.

26/01: Um Dia de Cão (Sidney Lumet, 1975)
Em 1972, John Stanley Wojtowicz e um companheiro seu, Salvatore Naturile, elaboraram um esquema e procederam à tentativa de assalto a um banco em Brooklyn. O plano, contudo, colapsa mal entra em operação e no final do dia os dois assaltantes eram midiáticos. P.F. Kluge escreveu um artigo sobre este evento intitulado de “The Boys in the Bank”, tendo sido publicado pela revista Life nesse mesmo ano. Foi esse artigo que serviu de fonte de inspiração para Dog Day Afternoon. Sidney Lumet agarra a história, desenvolve-a e injeta uma grande frescura a este sub-gênero de Bank Heist, através de uma mistura de comédia e drama completamente harmoniosa. Baseado em eventos reais, Dog Day Afternoon retrata um assalto que em tudo corre mal, o que também não seria de espantar uma vez que as duas mentes por detrás do golpe não são propriamente as mais brilhantes que alguma vez pisaram a Terra. Duração: 124 minutos.

02/02: O Engima de Kaspar House (Werner Herzog, 1974)
O Enigma de Kaspar Hauser é uma das obras-primas do cineasta alemão Werner Herzog. Baseando-se em registros históricos, Herzog nos conta o estranho caso de Kaspar Hauser: um rapaz esfarrapado que é encontrado em Nuremberg, em 1828. Ele só sabe falar a palavra "cavalo" e tem nas mãos uma carta explicando sua história: tinha 16 anos e vivera até então num porão, nada conhecendo do mundo exterior. Recolhido pela prefeitura local e exposto com curiosidade, foi finalmente adotado por um homem rico que o ensinou a ler e escrever, mas nunca solucionou seu mistério. Seria ele um herdeiro nobre rejeitado, uma criança roubada, um impostor ou um louco? O Enigma de Kaspar Hauser é um filme indispensável para educadores, psicólogos e admiradores do bom cinema. Duração: 109 minutos.
 

sábado, 22 de setembro de 2012

22/09: Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)

Marcas da Violência - David Cronenberg (2005)

Sinopse
Tom Stall mora com sua esposa Edie e seus dois filhos na pequena cidade de Millbrook, no estado de Indiana. Certo dia, Tom percebe um assalto em andamento em seu restaurante e mata os assaltantes para defender seus clientes. Depois disso, passsa a ser visto por muitos como um herói e a mídia passa a incomodá-lo. Porém, o que Tom não esperava é que um homem chamado Carl Fogarty lhe procurasse para acusá-lo de ter lhe feito um grande mal no passado. Duração: 96 minutos

sábado, 8 de setembro de 2012

08/09: Gêmeos - Mórbida Semelhança (David Cronenberg, 1988)

Gêmeos - Mórbida Semelhança - David Cronenberg (1988)

Sinopse
A deprimente história de gêmeos idênticos, ambos ginecologistas -- o cortês Elliot e o sensível Beverly, lados bipolares de uma só personalidade -- que compartilham a mesma profissão, o mesmo apartamento, as mesmas mulheres. Quando uma nova paciente, a fascinante atriz Claire Niveau, abala esse estranho vínculo, eles afundam em um redemoinho de confusão sexual, drogas e loucura. A impressionante atuação de Jeremy Irons -- no papel de ambos os gêmeos -- levanta questões perturbadoras sobre a natureza da identidade pessoal.  Duração: 117 minutos

sábado, 1 de setembro de 2012

01/09: Videodrome (David Cronenberg, 1983)

Videodrome - David Cronenberg (1983)

Sinopse
Max Renn, o dono de uma pequena emissora de televisão a cabo, capta imagens de uma "snuff", que seriam cenas de pessoas que eram realmente torturadas e mortas. Inicialmente os sinais pareciam vir da Malásia, mas depois descobre-se que eram gerados em Pittsburgh. Gradativamente Max fica sabendo que esta transmissão se chama Videodrome, que na verdade é muito mais que um mórbido show de televisão e sim um experimento que usa as transmissões regulares de televisão para alterar permanentemente as percepções de quem as vê, causando danos no cérebro. Max começa a sofrer efeitos bizarros e alucinógenos destas transmissões, se vendo no meio das forças que criaram e querem controlar o Videodrome. Mas Max descobre que seu corpo pode ser a última arma que poderá usar contra seus inimigos. Duração: 90 minutos.