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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

24/01 - O castelo animado

O castelo animado - Direção: Hayao Miyazaki. Duração: 119 minutos

Sinopse
Sofia é uma jovem de 18 anos que trabalha na chapelaria de seu pai. Em uma de suas raras idas à cidade ela conhece Hauru, um mágico bastante sedutor mas de caráter duvidoso. Ao confundir a relação existente entre eles, uma feiticeira lança sobre Sofia uma maldição que faz com que ela tenha 90 anos. Desesperada, Sofia foge e termina por encontrar o Castelo Animado de Hauru. Escondendo sua identidade, ela consegue ser contratada para realizar serviços domésticos no local, se envolvendo com os demais moradores do castelo.

Assista aqui ao trailer.

Biografia - Hayao Miyazaki


O japonês Hayao Miyazaki (05/01/1941 é um dos mais famosos e respeitados criadores do cinema de animação japonesa, alcançando sucesso e reconhecimento em todo o mundo. Iniciou sua carreira em 1963 trabalhando para a Toei Animation, produzindo seu primeiro longa metragem Watchdog Bow Wow. Produziu um grande número de mangás, animes,e séries de TV até 1983, quando começou a se dedicar exclusivamente aos longas metragens. Graças ao grande sucesso do mangá Nausicaä of the Valley of the Wind, Hayao Miyazaki em parceria com Isao Takahata, funda o seu próprio estúdio de animação, o Estúdio Ghibli, no qual ele viria a produzir as suas mais premiadas e reconhecidas animações. Após o lançamento de Princesa Mononoke em 1997, anuncia sua aposentadoria, mas retorna em 2002 para dirigir A Viagem de Chihiro, filme com o qual recebe o Oscar de melhor longa-metragem animado de 2003. Depois de A Viagem de Chihiro, Miyazaki ainda dirige O castelo animado e o seu trabalho mais recente, Ponyo on the Cliff by the Sea (Ponyo no Penhasco à Beira do Mar), lançado no Japão em 2008, com previsão de ser lançado no Brasil em abril de 2009.


Filmes produzidos no Estúdio Ghibli:

1984: Nausicaä do vale dos ventos
1986: Laputa: castle in sky
1988: Meu vizinho Totoro
1989: O Serviço de Entregas de Kiki
1992: Porco Rosso - o último herói romântico
1997: A Princesa Mononoke
2001: A Viagem de Chihiro
2004: O castelo animado

domingo, 18 de janeiro de 2009

Crítica - O castelo animado


por Flávio Augusto do site especializado www.cineplayers.com

Enquanto as animações ocidentais aparecem cada vez mais sofisticadas, com efeitos de computação gráfica que deixam o público indeciso quanto ao estúdio mais competente, o diretor Hayao Miyazaki e o Studio Ghibli não trocam por nada seu estilo de animação. Os traços transparentes e inconfundíveis permanecem, mesclando-se perfeitamente com detalhes computadorizados, em cenários deliciosos que estúdio ocidental nenhum poderia imaginar.

Desta vez, Miyazaki optou por transportar às telas uma história já existente, um livro da britânica Diana Wynne Jones, que, tendo sido aluna de mestres como J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis, acrescenta às suas obras o teor ideal de fantasia. O livro conta a história de Sophie, uma jovem que vive numa cidade industrial, de formato claramente europeu, e leva uma vida ordinária em sua chapelaria. Sua rotina muda completamente quando uma bruxa vem visitá-la, lançando sobre ela um feitiço que a transforma numa velha senhora de 90 anos.

A partir daí, Miyazaki atrela seu estilo à obra original. Sophie foge de casa e procura outro abrigo, acabando por encontrar o castelo que dá título ao filme, onde conhece o demônio de fogo Calcifer, o garoto Markl e o próprio dono do castelo, Howl. Enquanto procura a relação existente entre Howl, Calcifer e as guerras que eclodem a todo momento, Sophie imerge num mundo inimaginável e absolutamente fantástico, tendo que lidar com as armadilhas do caráter humano e seus desdobramentos. A premissa criada por Diane Wynne Jones permanece; o que Miyazaki faz é retocá-la, adicionando e modificando elementos que se complementam. No final, é como se o filme e o livro fossem extensões de si mesmos.

As comparações com A Viagem de Chihiro são inevitáveis, por ter sido este o ápice da expressão artística de Miyazaki. Chihiro sintetiza todo o estilo do diretor, toda sua filosofia de trabalho e também seu modo de expressão. Por isso mostra-se um filme visivelmente chocante e metafórico, munido de produção artística atordoante. O Castelo Animado é menos arrebatador, como que uma retomada de fôlego após tanto estardalhaço visual. Ainda assim, Miyazaki não abandonou sua melhor arma – as cores – e coloriu cenários e personagens até não poder mais. O melhor de tudo – e mais surpreendente – é que o visual fervescente não cansa, nem enjoa, talvez porque a preocupação de Miyazaki não seja colorir apenas para agradar.

Os traços delicados e ainda assim veementes, a leveza do desenho e as metáforas visuais são apenas um anestésico, se comparados à inventividade da animação. As personagens, inclusive animais e seres inanimados, têm seus próprios conflitos e amadurecem durante a película, moldando características e personalidade. A maldição de Sophie, transformar-se numa velha de 90 anos, acaba por se tornar num aprendizado, e ela aprende que a vida é proveitosa em qualquer idade.

O Castelo Animado, bem como a maioria dos desenhos feitos pelo Studio Ghibli, é um filme inegavelmente adulto, apenas disfarçado como diversão infantil. É através deste disfarce, inclusive, que Miyazaki lembra ao espectador comum a importância do sonho e da imaginação, porque o próprio Miyazaki, ao que parece, não cessará seus sonhos tão cedo.