sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

02/02: O Enigma de Kaspar Hauser (Werner Herzog, 1974)

O Enigma de Kaspar Hauser - Werner Herzog (1974)

Sinopse
Kaspar Hauser é um jovem que foi trancado a vida inteira num cativeiro, desconhecendo toda a existência exterior. Quando ele é solto nas ruas sem motivo aparente, a sociedade se organiza para ajudar Kaspar, que sequer conseguia falar ou andar, mas este logo acaba se tornando uma atração popular. Duração: 110 minutos.

Crítica: O Enigma de Kaspar Hauser (Werner Herzog, 1974)

por Kênia Freitas


O que é um ser humano? Essa parece ser a questão central de Herzog em O Enigma de Kaspar Hauser. No início do filme vemos um jovem acorrentado em um porão. O seu único contato social é com um homem que o alimenta e em determinado momento o ensina a escrever o seu nome: Kaspar Hauser. Um dia esse mesmo homem misterioso leva Kaspar até a cidade de Nuremberg deixando-o plantado na praça da cidade com uma carta na mão, que explica brevemente a história do rapaz e o oferece como voluntário à cavalaria.

A figura causa um estranhamento imediato, o seu corpo mal consegue se manter ereto, Kaspar não responde às perguntas dos moradores e autoridades da cidade — logo todos percebem que ele não sabe falar e não faz ideia alguma do que seja a vida em sociedade. De caso pitoresco à aberração, ele não se encaixa naquela sociedade do século XIX e, sobretudo, à sua definição do que seria um indivíduo. A inventividade de Herzog em filmar essa história verídica de uma criança selvagem está em por em questão nossas convenções sociais e as fronteiras que estas criam entre ilusão e realidade, falso e verdadeiro — temas centrais no cinema do diretor alemão.

Nesse sentido, um dos personagens fundamentais da trama é o escrivão que, desde o momento em que Kaspar é encontrado até a dissecação do seu cérebro após seu assassinato, registrava minuciosamente a vida dessa figura pitoresca. Mas o próprio escrivão e o seu ofício nos soam aberrantes em sua obsessão de documentar, tornando evidente que entre todas as instituições sociais do século XIX uma das mais importantes era a discursiva. O ser humano era mais do que um corpo científico, uma fé religiosa e um conceito filosófico, mas também a interseção de todos esses discursos pelo registro oficial.

Mais do que um ser sem linguagem ou convívio social, o Kaspar de Herzog é um indivíduo sem instituições e suas convenções. E, quando inserido nelas abruptamente, um ser no qual as suas relações de poder e força não repercutiam. É o que o diretor nos mostra repetidamente durante todo o processo de adaptação do personagem à sociedade. Kaspar é confrontado pela lógica da Igreja, do Estado (que o transforma em espetáculo), da filosofia e da aristocracia. E, em cada um desses momentos, sua inadequação é gritante. Ele possui uma lógica de pensamento que não se enquadra. A música, os sonhos, a poesia e a natureza são as linhas de fuga que tornam a sua existência suportável para ele mesmo. E a violência de um assassinato a facadas parece ser a única forma de, de fato, penetrá-lo.

Como formula Michel Foucault no seu belo texto, A vida dos homens infames, o registro incessante da vida do homem comum por meio do processo de documentação oficial acaba por gerar uma nova relação entre o poder, o discurso e o cotidiano: uma nova mise en scène. E assim cabe a Kaspar, a cada momento, um papel diferente: primeiro, o prisioneiro com o qual o Estado não sabe o que fazer; em seguida, a atração de circo e, por fim, o pupilo esforçado de um pensador. Obviamente, nenhum desses papéis o convém.

E, nesse momento derradeiro de sua trajetória, o personagem começa a finalmente a compreender as engrenagens daquela sociedade e as suas representações. Sua recusa a qualquer mise en scène é então ainda maior. Kaspar, que no período de encarceramento não distinguia entre sonho e realidade, afirma ao seu tutor que sua atividade preferida é a do sonho. Como muitos dos personagens de Herzog, ele está no domínio do delírio e da ilusão.

Domínio que aos poucos contagia o filme. Somos levados por Herzog para as imagens do sonho recorrente do personagem, da sua história inacabada — um deserto com uma caravana perdida guiada por um homem cego. Tanto quanto Kaspar, somos inadequados aquele tempo e as suas instituições, isso é o que nos grita o filme o tempo inteiro. Nós também preferimos o cinema do delírio, que assim como seu personagem, Herzog pouco pode desenvolver nessa história. Resta-nos a figura cômica do escrivão e das suas certezas discursivas, tão risíveis no prisma das nossas novas convenções — último truque do diretor, que por fim põe em joga nossa própria ignorância. Se Herzog não abandona uma questão ao longo de sua filmografia é a de que: o que é um ser humano e quais são os seus limites.

Para outra análise crítica (mais longa) do filme: http://pt.scribd.com/doc/54318572/Analise-Critica-do-Filme-O-enigma-de-Kaspar-Hauser

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

26/01: Um dia de cão (Sidney Lumet, 1975)

Um dia de Cão - Sidney Lumet (1975)

Sinopse
Em agosto de 1972 um assalto em um banco no Brooklyn chama a atenção da mídia e transforma-se em um show com uma enorme audiência. Era um roubo que teoricamente duraria apenas dez minutos, mas após várias horas os assaltantes estavam ainda cercados com reféns dentro do banco. Sonny (Al Pacino), o líder dos assaltantes, planejou conseguir dinheiro para Leon (Chris Sarandon), seu amante homossexual, fazer uma cirurgia de mudança de sexo. Enquanto tudo se desenrola a multidão apóia e aplaude as declarações de Sonny e fica contrária ao comportamento da polícia. Duração: 120 minutos

Crítica: Um dia de cão (Sidney Lumet, 1975)

por Rodrigo Cunha

Uma obra-prima do diretor Sidney Lumet, que levou para as telas a história real de um assalto famoso. 
 
Um Dia de Cão é mais uma obra-prima do diretor Sidney Lumet, lançado há quase vinte anos da obra máxima do diretor, Doze Homens e uma Sentença, e apenas a dois de Serpico, também com Al Pacino. Visto sob um olhar descuidado, pode parecer simples demais, uma história de assalto a banco feijão com arroz, mas, se visto com a devida atenção que merece, vai se mostrar infinitamente mais complexo do que antes; tanto na construção psicológica cuidadosa de seus personagens quanto no polimento das imagens.
Baseado na história real ocorrida em 22 de Agosto de 1972, conheça Sonny (Al Pacino) e Sal (John Cazale), dois homens comuns que simplesmente entram em um banco e o assaltam, sem nunca ter a mínima noção do que estão fazendo exatamente. O que era para durar apenas alguns minutos estende-se por várias e várias complicadas horas, com direito a policiais fortemente armados, imprensa tornando tudo em um gigantesco evento e uma platéia de curiosos que reage a todos os acontecimentos.

Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original, escrito por Frank Pierson, baseado nos artigos de Kluge e Thomas Moore, o brilhante aqui não é uma situação estratosférica, gigantesca, digna de um grande blockbuster; o que vale realmente é a situação simples, anormal, lotada de pequenos detalhes que a enriquecem e a aprofundam. Perceba, por exemplo, as reações de Al Pacino a todos os imprevistos da trama, como o olhar surpreso quando a polícia aparece ou então o modo gentil com que ele trata os funcionários do banco. É tudo muito óbvio, mas, ao mesmo tempo, profundo. Há um fundamental segredo para o desenvolvimento da trama, mas que todos os veículos de comunicação simplesmente ignoram e o revelam, tirando o choque de quem está assistindo ao filme – algo que não farei, mas dou a dica que é relacionado à motivação do assalto e que realmente é inesperado.

Acompanhando unilateralmente a visão do personagem de Al Pacino, que está presente em todas as seqüências do longa, temos praticamente um "monólogo" interpretativo brilhante do ator, que indiretamente discute valores da sociedade, preconceitos e mídia. Só que isso não é ruim, pois simplesmente não atrapalha o andamento e nem o entendimento da obra e ainda tem o mérito de nos deixar interessados naquilo tudo – de uma forma ou de outra, somos também uma daquelas pessoas, seja da parte de fora do banco ou em casa, assistindo à televisão, interessados no que acontecerá a seguir. Algumas cenas são clássicas: o povo aplaudindo um Al Pacino que não sabe bem o que faz, agindo intuitivamente, o entregador de pizza comemorando ter participado do “evento” que a mídia construiu, ou então as pessoas totalmente à vontade dentro do banco, onde fica claro que Sonny e Sal nunca quiseram fazer mal a ninguém; eles foram tão ingênuos que nem um nome fictício eles chegaram a usar. Uma das reféns chega a dar entrevista durante um dos discursos de Sonny!

Ao contrário de seu parceiro, Sal é um mistério total para o público. Interpretando mais uma vez um personagem complexo em sua carreira, John Cazale, que fez apenas oito filmes, quase todos obras-primas, antes de falecer por câncer, monta um personagem extremamente sombrio, que faz tudo por algum motivo que nunca vamos saber. Sua característica mais forte durante todo o filme é a certeza de que ele mesmo tem: “não sou homossexual”, apesar de todas as evidências apontarem para o inverso.

Não há uma música sequer para realçar as emoções pré-estabelecidas pelo longa: as seqüências, por si só, já são tensas o suficiente para poder segurar a onda do longa. Recheado com um humor-negro de uma era pré-Tarantino, principalmente pelas atitudes ingênuas de Sonny (mas nunca idiota, ele está sempre ligado nos passos dos policiais), o filme tem ainda um final chocante e inesperado, cru e repentino - os policiais têm a sua teoria e a defendem até o desfecho.

A montagem é ágil e ajuda a manter o interesse em tudo o que está acontecendo. Mesmo com a escassez de informação do começo do filme (há personagens que aparecem e desaparecem do nada, mas, afinal, Sonny realmente não sabe o que aconteceu com eles durante o assalto), nunca perdemos o interesse do que está acontecendo. As calças coladas e cores extravagantes definem bem a época em que o filme foi realizado, mas, ao contrário de seus irmãos inovadores dos anos 70, não temos uma montagem experimental, e sim o mais linear possível, com as informações chegando aos poucos, mas sem toda a clareza que Hollywood costuma mastigar para o seu público. A compreensão vem da inteligência, e não do explícito.

Ao final, temos uma tragédia que a mídia transformou em evento e um evento que Sidney Lumet transformou em obra-prima.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

19/01: A Sangue Frio (Richard Brooks, 1967)

A Sangue Frio - Richard Brooks (1967)

Sinopse
Dois ex-condenados, Perry Edward Smith (Robert Blake) e Richard "Dick" Eugene Hickock (Scott Wilson), invadem a casa dos Clutter, pois Herbert Clutter (John McLiam, um rico fazendeiro, teria um cofre com US$ 10 mil. Esta informação vinha de uma "fonte segura", Floyd Wells, um condenado que conheceu Dick na prisão e lhe contou que viu o cofre quando, anos atrás, trabalhou para os Clutter. Mas Perry e Dick não acharam o cofre, pois ele não existia, e roubaram apenas US$ 43. Isto não os impediu de matarem Herbert, a esposa dele e um casal de filhos, pois não queriam deixar testemunhas. Alvin Dewey (John Forsythe) comanda as investigações e tenta encontrar alguma pista que leve aos assassinos. No entanto Dick e Perry foram para o México, onde Perry tem fantasias de achar um fabuloso tesouro. Quando os sonhos dele redundam em nada, Dick insiste que voltem para os Estados Unidos. Certos de que não deixaram alguma pista, eles trocam cheques sem fundo e são pegos em Las Vegas, dirigindo um carro roubado. Aos poucos os álibis vão sendo desmontados, pois contam histórias contraditórias. Baseado na obra de Trumam Capote. Duração: 134 minutos

Crítica: A Sangue Frio (Richard Brooks, 1967)

por Gabriel Neves

Traduzindo motivações para palavras, o homem permanece uma incógnita que permanecerá sem ser descoberta. A frieza humana provém do mesmo lugar que deu origem à bondade. E porque não se perguntam os motivos para ambos? Porque apenas o mal assume lugar nesse fim do devir, nessa decisão do bem e do mal, sem dar nenhuma chance das motivações boas se explicarem? Há bondade em impulsos considerados maldosos pela moral social? E como se define um psicopata numa sociedade? Todo o público que foi ver e ainda verá a obra de Truman Capote adaptada para o cinema sabe muito bem distinguir o certo do errado à partir de uma ideia perdurada da filosofia platônica. Mas é impossível sair do cinema balançado. Sabe-se que aquele ali é o certo, mas o final não poderia ser diferente?

A Sangue Frio é um filme baseado no romance homônimo de Truman Capote. Ele conta a história de Perry Smith (Robert Blake) e Dick Hickock (Scott Wilson), dois criminosos que começam a bolar um plano para roubar todo o dinheiro da família Clutter, uma família de fazendeiros ricos de Holcomb, Kansas, e assassinar todos os moradores da casa. Após a brutalidade do assassinato, que realmente ocorreu, o filme não para. Aos poucos ele mostra as motivações, as personalidades e a mentalidade dos dois criminosos, explorando tudo que os levou a cometer o crime.

O que difere essa obra de 1967 de qualquer outra que já tinha vindo é a aproximação do público com o lado antagonista do longa-metragem. Se alguém vai para o cinema e acaba simpatizando com um psicopata cuja única função no filme inteiro foi matar, roubar, estuprar, torturar e tudo isso à sangue frio, isso não é considerado normal se não houver um atrativo a mais para a caracterização do vilão. Mas quando o vilão nos é apresentado junto a sua ficha criminal e suas motivações para o caso e todo o psicológico é posto à prova, é difícil não admitir que o antagonista é que trouxe o carisma para a sessão. Primeiramente analisamos a visão de Dick, o homem que planejou tudo e apenas incluiu Perry em seu plano pela facilidade que ele tinha em perder a cabeça e matar. Dick fez tudo isso pelas motivações mais pífias que podem existir: conseguir dinheiro fácil, sair com as mãos limpas, apostar numa garantia inexistente na vida. É a despreocupação ambulante, que consegue improvisar caso algum plano dê errado. Todos os seus passos são movidos pela ganância e, após isso, pela aceitação. Desde que ele sempre esteja com um sorriso idiota no rosto, sempre com um ar superior aos demais até quando está por baixo. Ele não se deixa atingir e isso é fatal para ele. No fim do filme, o público chega a agradecer pelo final que lhe é dado.

Perry é o contrário disso tudo em apenas uma parte de sua consciência perturbada. O homem tem seu certo carisma e cria toda uma aura bondosa ao redor de suas ações que o público consegue adquirir simpatia pelo antagonista, e esse é um grande trunfo tanto do livro quanto do filme. Ao tornar o criminoso o psicológico principal do longa metragem, explora-se um lado desconhecido do espectador. Como se sente tamanha afeição por um homem que se mostra implacável, que consegue matar facilmente e prova isso aos poucos para a tela? Com uma delineação magnífica da redenção e de um perfil perturbado, ele chega a um ponto em que só se pode sentir pena. Há até uma revolta por causa do final de Perry, mas, analisando o crime apenas em teoria e não colocando o papel social sobre o homicida, ele não fez por merecer? Os atores principais merecem uma ressalva, tanto Scott Wilson, por criar tamanho ódio num drama concentrado para as telas; quanto Robert Blake, que é o lado emocionante e humano de A Sangue Frio. Há até uma certa química entre os dois em cena, por meio de palavras ou de ações, que não se concretiza explicitamente. Outro ponto que merece ser levado em conta é a fotografia de Conrad Hall, que até foi indicada ao Oscar de 1967. O filme, que é todo rodado em preto e branco, possui cenas lindas que se contrastam graças aos diversos tons escuros.

Uma das últimas cenas foca a face de Perry enquanto ele faz um discurso. Observar as gotas de chuva caindo pela janela dá a impressão sutil de que ele chora enquanto fala. É a humanização do monstro até por parte da natureza. Tudo em A Sangue Frio é carismático, é tocante e é enganador. É a visão de um criminoso que não se espera encontrar em cada esquina, um criminoso que é gentil, que respeita e que tem medo, por mais que tenha uma facilidade espantosa em matar. É a inversão de papéis feita por Truman Capote em seu livro que tornou Perry a vítima de todo o planejamento, enquanto a sociedade se mostrou cruel em não deixar ele sair impune. Depoimentos foram feitos para deixar o homem cada vez mais bondoso. Mas de que, afinal, adianta a bondade num equilíbrio para redenção dos pecados? E onde está a verdadeira diferença entre o pecado e as boas intenções?

Programação Janeiro 2013

A programação de janeiro do Cine Clube Ybitu Katu será sobre filmes que foram baseados em fatos reais:

19/01: À Sangue Frio (Richard Brooks, 1967)
Dois ex-condenados, Perry Edward Smith (Robert Blake) e Richard "Dick" Eugene Hickock (Scott Wilson), invadem a casa dos Clutter, pois Herbert Clutter (John McLiam, um rico fazendeiro, teria um cofre com US$ 10 mil. Esta informação vinha de uma "fonte segura", Floyd Wells, um condenado que conheceu Dick na prisão e lhe contou que viu o cofre quando, anos atrás, trabalhou para os Clutter. Mas Perry e Dick não acharam o cofre, pois ele não existia, e roubaram apenas US$ 43. Isto não os impediu de matarem Herbert, a esposa dele e um casal de filhos, pois não queriam deixar testemunhas. Alvin Dewey (John Forsythe) comanda as investigações e tenta encontrar alguma pista que leve aos assassinos. No entanto Dick e Perry foram para o México, onde Perry tem fantasias de achar um fabuloso tesouro. Quando os sonhos dele redundam em nada, Dick insiste que voltem para os Estados Unidos. Certos de que não deixaram alguma pista, eles trocam cheques sem fundo e são pegos em Las Vegas, dirigindo um carro roubado. Aos poucos os álibis vão sendo desmontados, pois contam histórias contraditórias. Baseado no livro de Truman Capote. Duração: 134 minutos.

26/01: Um Dia de Cão (Sidney Lumet, 1975)
Em 1972, John Stanley Wojtowicz e um companheiro seu, Salvatore Naturile, elaboraram um esquema e procederam à tentativa de assalto a um banco em Brooklyn. O plano, contudo, colapsa mal entra em operação e no final do dia os dois assaltantes eram midiáticos. P.F. Kluge escreveu um artigo sobre este evento intitulado de “The Boys in the Bank”, tendo sido publicado pela revista Life nesse mesmo ano. Foi esse artigo que serviu de fonte de inspiração para Dog Day Afternoon. Sidney Lumet agarra a história, desenvolve-a e injeta uma grande frescura a este sub-gênero de Bank Heist, através de uma mistura de comédia e drama completamente harmoniosa. Baseado em eventos reais, Dog Day Afternoon retrata um assalto que em tudo corre mal, o que também não seria de espantar uma vez que as duas mentes por detrás do golpe não são propriamente as mais brilhantes que alguma vez pisaram a Terra. Duração: 124 minutos.

02/02: O Engima de Kaspar House (Werner Herzog, 1974)
O Enigma de Kaspar Hauser é uma das obras-primas do cineasta alemão Werner Herzog. Baseando-se em registros históricos, Herzog nos conta o estranho caso de Kaspar Hauser: um rapaz esfarrapado que é encontrado em Nuremberg, em 1828. Ele só sabe falar a palavra "cavalo" e tem nas mãos uma carta explicando sua história: tinha 16 anos e vivera até então num porão, nada conhecendo do mundo exterior. Recolhido pela prefeitura local e exposto com curiosidade, foi finalmente adotado por um homem rico que o ensinou a ler e escrever, mas nunca solucionou seu mistério. Seria ele um herdeiro nobre rejeitado, uma criança roubada, um impostor ou um louco? O Enigma de Kaspar Hauser é um filme indispensável para educadores, psicólogos e admiradores do bom cinema. Duração: 109 minutos.
 

sábado, 22 de setembro de 2012

22/09: Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)

Marcas da Violência - David Cronenberg (2005)

Sinopse
Tom Stall mora com sua esposa Edie e seus dois filhos na pequena cidade de Millbrook, no estado de Indiana. Certo dia, Tom percebe um assalto em andamento em seu restaurante e mata os assaltantes para defender seus clientes. Depois disso, passsa a ser visto por muitos como um herói e a mídia passa a incomodá-lo. Porém, o que Tom não esperava é que um homem chamado Carl Fogarty lhe procurasse para acusá-lo de ter lhe feito um grande mal no passado. Duração: 96 minutos

sábado, 8 de setembro de 2012

08/09: Gêmeos - Mórbida Semelhança (David Cronenberg, 1988)

Gêmeos - Mórbida Semelhança - David Cronenberg (1988)

Sinopse
A deprimente história de gêmeos idênticos, ambos ginecologistas -- o cortês Elliot e o sensível Beverly, lados bipolares de uma só personalidade -- que compartilham a mesma profissão, o mesmo apartamento, as mesmas mulheres. Quando uma nova paciente, a fascinante atriz Claire Niveau, abala esse estranho vínculo, eles afundam em um redemoinho de confusão sexual, drogas e loucura. A impressionante atuação de Jeremy Irons -- no papel de ambos os gêmeos -- levanta questões perturbadoras sobre a natureza da identidade pessoal.  Duração: 117 minutos

sábado, 1 de setembro de 2012

01/09: Videodrome (David Cronenberg, 1983)

Videodrome - David Cronenberg (1983)

Sinopse
Max Renn, o dono de uma pequena emissora de televisão a cabo, capta imagens de uma "snuff", que seriam cenas de pessoas que eram realmente torturadas e mortas. Inicialmente os sinais pareciam vir da Malásia, mas depois descobre-se que eram gerados em Pittsburgh. Gradativamente Max fica sabendo que esta transmissão se chama Videodrome, que na verdade é muito mais que um mórbido show de televisão e sim um experimento que usa as transmissões regulares de televisão para alterar permanentemente as percepções de quem as vê, causando danos no cérebro. Max começa a sofrer efeitos bizarros e alucinógenos destas transmissões, se vendo no meio das forças que criaram e querem controlar o Videodrome. Mas Max descobre que seu corpo pode ser a última arma que poderá usar contra seus inimigos. Duração: 90 minutos.

sábado, 25 de agosto de 2012

25/08: Código Desconhecido (Michael Haneke, 2000)

Código Desconhecido  - Michael Haneke (2000)

Sinopse
A narrativa é divida entre três grupos de pessoas: a atriz francesa Anne Laurent (Juliette Binoche), o marido dela e sogros; uma romena, Maria (Luminita Gheorghiu), luta para ter dinheiro para sua família voltar para casa; e Amadou (Ona Lu Yenke), um professor para crianças surdas-mudas que está em conflito com seu clã africano. O catalisador das histórias começa numa esquina, onde o cunhado de Anne, Jean (Alexander Hamidi), insulta Maria, que implora ajuda. Amadou, enraivecido, provoca uma briga com Jean, resultando em repercussões negativas para os três grupos. Duração: 118 minutos

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

11/08: Cópia Fiel (Abbas Kiarostami, 2010)

Cópia Fiel - Abbas Kiarostami (2010)

Sinopse
James Miller (William Shimell) é um filósofo inglês que vai a uma pequena cidade da Toscana apresentar seu livro sobre o valor da cópia na arte. Chegando lá, encontra Elle (Juliete Binoche), uma francesa que é dona de uma galeria de arte há muitos anos, que vive com seu filho pré-adolescente (Adrian moore). Eles passam a tarde juntos. Ao mesmo tempo em que vão se conhecendo, começam a desenvolver um complexo jogo de interpretação de personagens. Duração: 106 minutos.

Crítica: Cópia Fiel (Abbas Kiarostami, 2010)


por Marcelo  Hessel

Se a qualidade de uma obra de arte depende do contexto e está nos olhos de quem a vê, argumenta o escritor inglês James Miller (William Shimell) no começo de Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010), então uma falsificação pode ter a mesma validade do original. É como a imagem da Coca-Cola reinventada pela pop art, diz ele, que está na Toscana para divulgar o seu livro, intitulado justamenteCópia Fiel.

Em seu primeiro filme rodado fora do Irã, o mais importante cineasta do país, Abbas Kiarostami, parte desse princípio de Miller para legitimar a sua homenagem a Viagem à Itália. Como no clássico de 1954 de Roberto Rosselini, temos o que normalmente seria uma pequena questão burguesa - os problemas de relacionamento de um casal - amplificada pela concha acústica que é a história da arte europeia. Uma obra depende de seu contexto: entre os muros da Itália, as pequenezas da vida a dois se tornam material de um drama maior.

James Miller precisa voltar para a Inglaterra, mas antes aceita de Elle (Juliette Binoche), uma francesa dona de galeria que há anos vive na Itália com seu filho, um convite para passear pelas ruazinhas da comuna de Lucignano. Passando por um café, os dois são confundidos como marido e mulher, e por brincadeira passam a encenar esses papéis. O momento dessa virada é essencial: James e Elle por uma viela antes deserta, mas que de repente se enche de varais e mulheres e barulhos de bebês. É como se atravessassem um portal para o neorrealismo.

Kiarostami diz que cada um deve interpretar a obra como quiser, mas é inegável que duas obsessões de sua cinematografia iraniana seguem preservadas aqui: as mulheres e o tempo. Em filmes como Gosto de Cereja (1997), a obra que transformou Kiarostami em grife e o cinema iraniano em moda, percebe-se mesmo no mais seco monte de terra o acúmulo do tempo. O tempo, inscrito na paisagem, é que molda os homens. Mas com as mulheres é diferente. Elas vivem no Irã em uma espécie de estado de suspensão, numa semiclandestinidade, e sobre elas o tempo não parece agir. É uma condição trágica, no fundo, e Kiarostami tem passado anos fazendo filmes com close-ups de mulheres para tentar socorrê-las.

Na Europa de Viagem à Itália e de Cópia Fiel, o secularismo permite um acúmulo do tempo distinto do iraniano. É o tempo, por exemplo, que cerca James à esquerda e à direita na cena da foto com a noiva. Lucignano surge constantemente em espelhos, janelas, romanceada por velas, por não dá pra negar a História. Mas enquanto James Miller filosofa contra o "eterno" da arte, contra a mistificação, porque afinal logo retornará para a Inglaterra, a francesa Elle está sofrendo no rosto o peso dos anos mal vividos. Fora do Irã, é sobre as mulheres que age o tempo de Kiarostami.

E se o diretor apega-se ao close-up de Juliette Binoche, que nunca esteve tão bonita e tão vulnerável, é para entender por que tanto sorri essa sua Mona Lisa.

sábado, 4 de agosto de 2012

04/08: Elles (Malgorzata Szumowska, 2011)

Elles - Malgorzata Szumowska (2011)

Sinopse
Jornalista de uma grande revista voltada para o público feminino, Anne (Juliette Binoche) trabalha em uma matéria sobre a prostituição estudantil. Ela consegue os depoimentos de duas estudantes de Paris, Alicja (Joanna Kulig) e Charlotte (Anaïs Demoustier), que abrem suas vidas sem pudor ou vergonha. Tais confissões acabam ecoando no dia a dia de Anne e interferindo em seus relacionamentos pessoais. Duração: 96 minutos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Programação Agosto de 2012: Juliette Binoche

No mês de agosto, a encantadora atriz francesa Juliette Binoche ganha uma mostra especial com quatro filmes estrelados por ela aqui no Cine Clube Ybitu Katu.

04/08: Elles (Malgorzata Szumowska, 2011)
Jornalista de uma grande revista voltada para o público feminino, Anne (Juliette Binoche) trabalha em uma matéria sobre a prostituição estudantil. Ela consegue os depoimentos de duas estudantes de Paris, Alicja (Joanna Kulig) e Charlotte (Anaïs Demoustier), que abrem suas vidas sem pudor ou vergonha. Tais confissões acabam ecoando no dia a dia de Anne e interferindo em seus relacionamentos pessoais. Duração: 96 minutos.

11/08: Cópia Fiel (Abbas, Kiarostami, 2010)
James Miller (William Shimell) é um filósofo inglês que vai a uma pequena cidade da Toscana apresentar seu livro sobre o valor da cópia na arte. Chegando lá, encontra Elle (Juliete Binoche), uma francesa que é dona de uma galeria de arte há muitos anos, que vive com seu filho pré-adolescente (Adrian moore). Eles passam a tarde juntos. Ao mesmo tempo em que vão se conhecendo, começam a desenvolver um complexo jogo de interpretação de personagens. Duração: 106 minutos.

17/08: Os Amantes da Pont-Neuf (Leos Carax, 1991)
Pont-Neuf, a ponte mais antiga de Paris, serve de abrigo para muitos sem-teto. É lá que Alex (Denis Lavant) conhece Michele (Juliette Binoche). Ela é uma pintora de classe média que, fugindo de um relacionamento que não deu certo, decidiu viver nas ruas para pintar o máximo possível antes que fique cega em função de uma doença. Alex ganha alguns trocados fazendo perfomances circenses, mas é viciado em álcool e sedativos. Eles se tornam amigos e amantes e dividem as duras experiências cotidianas das ruas. O relacionamento entre os dois acaba se tornando uma dependência, e o medo de um perder o outro começa a se tornar massacrante. Duração: 120 minutos.

25/08: Código Desconhecido (Michael Haneke, 2000)
A narrativa é divida entre três grupos de pessoas: a atriz francesa Anne Laurent (Juliette Binoche), o marido dela e sogros; uma romena, Maria (Luminita Gheorghiu), luta para ter dinheiro para sua família voltar para casa; e Amadou (Ona Lu Yenke), um professor para crianças surdas-mudas que está em conflito com seu clã africano. O catalisador das histórias começa numa esquina, onde o cunhado de Anne, Jean (Alexander Hamidi), insulta Maria, que implora ajuda. Amadou, enraivecido, provoca uma briga com Jean, resultando em repercussões negativas para os três grupos. Duração: 118 minutos.