Ninho Vazio - Daniel Burman (2008)Assista aqui ao trailer.
Sessões aos sábado, 19h30 no Centro Cultural de Botucatu (ao lado do Cine Nelli) Entrada:1kg de alimento não perecível
Ninho Vazio - Daniel Burman (2008)
por Tiago Mota
Homem Olhando Para o Sudeste - Eliseo Subiela (1986)
O Segredo dos Seus Olhos - Juan Jose Campanella (2009)
por Bruno Marques
Novos Baianos Futebol Clube - Solano Ribeiro (1973)
Loki - Arnaldo Batista - Paulo Henrique Fontanelle (2009)
por Ana Martinellisinto o pulso de todos os tempos, comigo
até quando eu não sei
sinto o barato de ser ser humano, comigo
até quando, até quando Deus quiser.
O trecho acima faz parte da música Desculpe, do álbum Lóki?, de Arnaldo Baptista. O nome do primeiro álbum solo do eterno Mutante também dá nome ao documentário de Paulo Henrique Fontenelle, Loki – Arnaldo Baptista.
Produção do Canal Brasil, Loki – Arnaldo Baptista é muito fácil de assistir, por sua linguagem simples, direta, televisiva. O filme ganha com o tom despretensioso, Fontenelle deixa o espectador muito a vontade para se envolver com o personagem e sua trajetória de vida. Talvez a opção dê-se por conta da genialidade de seu objeto, podemos pensar em algo do tipo: ‘não temos a pretensão de ser tão genial quanto o gênio’. Mas pode ser também por falta de ousadia, pois o personagem permitia uma maior experimentação de linguagem.
Fontenelle acumula as funções de roteirista, diretor e montador. Logo, pressupõe-se que ele conhecia como ninguém o rico material que tinha em mãos e teve acesso privilegiado à Baptista, ex-Mutantes com exceção de Rita Lee, Tom Zé, Lobão, amigos e familiares. Cabia a ele a função de cortar os excessos e, certamente, o filme ganharia se fosse encurtado em pelo menos 20 minutos. O diretor faz um bom trabalho ao aproximar-se carinhosamente do mundo de Baptista, descortinar o que ele tem de mais precioso: seu senso de humanidade. Justamente por esta razão o filme merece ser visto, Arnaldo Baptista é absolutamente fascinante.
Arnaldo Baptista hoje dedica grande parte de seu tempo à pintura e Loki começa justamente com um quadro em branco. Com este recurso começamos o filme com um quadro a ser pintado, com as possibilidades de alçar vôo, a tela em branco é o convite à jornada e, cabe ao próprio Baptista a tarefa de pintá-la.
A ideia de construir com o espectador o quadro representando o caminho da narrativa da pintura pelo documentário é interessante e, apesar de não ser tão formal (leia-se muito "careta"), o filme é didático. Segue uma linha cronológica, aproveita-se de “ganchos” das falas dos entrevistados ou de frases musicais para introduzir e encadear a narrativa por temas. Flerta com a busca de imagens e sons mais poéticos ao sobrepor passado e presente.
Sem dúvida, é delicioso conhecer mais e, para alguns, até reviver os tempos dos Mutantes. Compartilhar a inocência e as rupturas do jovem grupo que revolucionou a música brasileira fazendo o bom e "novo" rock´n´roll. Mas Loki é sobre Arnaldo Baptista, o homem, que é também músico, compositor, que mantém uma pureza no olhar de causar inveja às crianças mais inocentes, mas que sofreu por viver para e pela música e nesta trajetória há passagens obscuras, drogas, depressão e mesmo uma tentativa de suicídio. Confortador, o documentário trata tudo com leveza, reverência, sem contestação.
Nos últimos tempos, o documentário brasileiro tem se dedicado a resgatar a memória musical do país, entre eles Um Homem de Moral, sobre Paulo Vanzolini, Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Deu e Cantoras do Rádio. Em breve teremos Raul Seixas: O Início, o Fim e o Meio. Loki – Arnaldo Baptista vem contribuir neste sentido, mas o seu maior trunfo não é a música em si. Arnaldo Baptista é um gênio, entrar em sua sintonia é um deleite!
A Palavra (En)Cantada - Helena Solberg (2008)
por Celso Sabadin
Uma Noite em 67 - Renato Terra & Ricardo Calil (2010)
por Mattheus Rocha
Em 21 de outubro de 1967, o III Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, colocou para competir pelos primeiros lugares da competição artistas hoje considerados fundamentais para a história da MPB. Tropicalismo explodindo, MPB rachando, passeata contra a guitarra elétrica, vaias e aplausos fervorosos como se a plateia fosse uma torcida de futebol, violão quebrado e arremessado ao público, músicos com firmes visões políticas que seriam refletidas em suas composições, entrevistas da época e atuais com os protagonistas do Festival, o jurado Sérgio Cabral e o produtor Solano Ribeiro, entre outros... Para os amantes da música brasileira, Uma Noite em 67 é um documentário obrigatório.