domingo, 27 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
19/09 - O Fim e o Príncipio (2005)
Um filme nascido do zero. Sem pesquisa prévia, sem personagens, locações nem temas definidos, uma equipe de cinema chega ao sertão da Paraíba em busca de pessoas que tenham histórias pra contar. No município de São João do Rio do Peixe, o filme descobre o Sítio Araçás, uma comunidade rural onde vivem 86 famílias, a maioria ligada por laços de parentesco. Graças à mediação de uma jovem de Araçás, os moradeores - na maioria idosos - contam sua vida, marcada pelo catolicismo popular, pela hierarquia, pelo senso de família e de honra - um mundo em vias de desaparecimento. Duração: 101 minutos
Crítica - O fim e o príncipio (2005)
por Willians Fausto SilvaExtraído de http://www.cranik.com/ofimeoprincipio.html
O homem rural foi um dos temas recorrentes do cinema brasileiro na década de 50 e 60. Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha construíram boa parte do que conhecemos como Cinema Novo voltando suas câmeras para o Brasil rural, país que tentava se industrializar a todo custo, importando o modelo em que desenvolvimento e urbanização eram sinônimos.
Na contracorrente dos cinemanovistas, Mazaroppi emplacou o filme que estigmatizaria a imagem do homem do campo brasileiro. O Jeca, personagem de Monteiro Lobato, foi um grande sucesso do cinema paulista e ajudou a fixar a imagem que associa o atraso, a ingenuidade e a pobreza ao homem que opta pela vida no campo.
Desde então a mídia, e particularmente a industria cinematográfica, elegeram o espaço urbano das grandes cidades como local privilegiado da vida moderna. Os poucos filmes que se arriscam a falar do homem do campo ainda hoje o associam ao Jeca de Lobato e Mazaroppi.
Eduardo Coutinho é o diretor brasileiro que foge desta perspectiva na hora de filmar a zona rural brasileira. Em 1984, com o lançamento de Cabra marcado para Morrer, ele já indicava a opção por mostrar o homem do campo e a questão agrária brasileira a partir da voz e do olhar do camponês. Com O fim e o princípio o diretor volta a dialogar com uma comunidade rural.
O documentário expõe histórias de camponeses que vivem num sítio no interior da Paraíba. Coutinho conta com Rosa, moradora da comunidade, que aleatoriamente o leva as pequenas propriedades do sítio Araçás para que possa conversar com as famílias. Durante todas as entrevistas o diretor ouve histórias do cotidiano e procura compreender como os trabalhadores rurais encaram a morte e a velhice, temas que o ajudarão a amarrar a edição do filme.
O que continua impressionando no trabalho de Eduardo Coutinho é a capacidade que tem de situar o espectador sem ter que recorrer a dados e estatísticas para nos dizer como vive aquela comunidade. Ele consegue, como nenhum outro documentarista, ouvir e dialogar com o camponês, desconhecido para ele e para a platéia dos espaços urbanos. Através destas conversas, preocupadas em escutar histórias da vida de gente comum à geografia rural do Brasil, o diretor demarca o amplo contexto que compõe cultura do homem campo. Consegue superar os estereótipos, para mostrar a zona rural a partir de uma perspectiva densa, distante das superficialidades do Jeca.
Biografia - Eduardo Coutinho

Eduardo Coutinho cursou Direito em São Paulo, mas não concluiu. Em 1954, aos 21 anos, teve seu primeiro contato com cinema no Seminário promovido pelo MASP e dirigido por Marcos Marguliès. Trabalhou como revisor na revista Visão (1954-57) e dirigiu, no teatro, uma montagem da peça infantil Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado. Ganhou um concurso de televisão respondendo perguntas sobre Charles Chaplin. Com o dinheiro do prêmio, foi para a França estudar direção e montagem no IDHEC, onde realizou seus primeiros documentários.
De volta ao Brasil em 1960, teve contato com o grupo do Cinema novo e integrou-se ao Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC da UNE). No núcleo dirigido por Chico de Assis, trabalhou na montagem da peça Mutirão em Nosso Sol, apresentada no I Congresso dos Trabalhadores Agrícolas que aconteceu em Belo Horizonte em 1962. Foi gerente de produção do primeiro filme produzido pelo CPC, o longa-metragem de episódios Cinco Vezes Favela.
Escolhido para dirigir a segunda produção do CPC, Coutinho começou a trabalhar num projeto de ficção baseado em fatos reais, reconstituindo o assassinato do líder das Ligas Camponesas João Pedro Teixeira, a ser interpretado pelos próprios camponeses do Engenho Cananéia, no interior de Pernambuco, inclusive a viúva de João Pedro, Elizabeth Teixeira, que faria o seu próprio papel. O filme se chamaria Cabra Marcado para Morrer, e chegou a ter duas semanas de filmagens, até o Golpe Militar de 1964. Parte da equipe foi presa sob a alegação de comunismo e o restante se dispersou, interrompendo a realização do filme por quase 20 anos.
Em 1966, Coutinho constituiu, com Leon Hirszman e Marcos Faria, a produtora Saga Filmes. Dirigiu um episódio do longa ABC do Amor, foi diretor substituto em O Homem que Comprou o Mundo (1968) e realizou uma adaptação de Shakespeare para o cangaço brasileiro, em que o personagem Falstaff tornou-se "Faustão" (1970).
Especializando-se em roteiro, foi co-roteirista de vários títulos importantes do cinema brasileiro, como A Falecida (1965) e Garota de Ipanema (1967) de Leon Hirszman, Os Condenados de Zelito Viana (1973), Lição de Amor de Eduardo Escorel (1975) e Dona Flor e Seus Dois Maridos de Bruno Barreto (1976).
Em 1975, passou a integrar a equipe do programa Globo Repórter, da TV Globo, juntamente com Paulo Gil Soares, João Batista de Andrade e outros. Permaneceu no programa até 1984, sempre rodando em 16 mm, com uma liberdade editorial surpreendente para a época, e acabou descobrindo sua vocação de documentarista em trabalhos inovadores como Teodorico, o Imperador do Sertão, sobre o líder político nordestino Theodorico Bezerra.
Em 1981, Coutinho reencontrou os negativos de Cabra Marcado para Morrer, que haviam sido escondidos da polícia por um membro da equipe, e resolveu retomar o projeto. Conseguiu localizar Elizabeth Teixeira em São Rafael, no interior do Rio Grande do Norte, mostrou-lhe o que havia sido filmado em 1964 e filmou o depoimento dela sobre a dispersão de sua família após a interrupção do filme. A partir daí, a "ficção baseada em fatos reais" transforma-se num dos mais extraordinários documentários jamais filmados, retratando e acompanhando as tentativas de Elizabeth por reencontrar seus filhos, em diferentes pontos do país, e refletindo sobre o que aconteceu com a sociedade brasileira no longo período da ditadura militar. O filme ficou pronto em 1984 e ganhou 12 prêmios em festivais internacionais, no Rio de Janeiro, Havana, Paris, Berlim, Setúbal, entre outros.
Após o sucesso de Cabra marcado para morrer, Coutinho afastou-se do Globo Repórter e passou alguns anos trabalhando com documentários em vídeo para o CECIP (Centro de Criação da Imagem Popular), com temas ligados a cidadania e educação. São dessa época projetos como Santa Marta e Boca de lixo, visões humanistas e pessoais sobre indivíduos e populações marginalizadas. Também escreveu roteiros para séries documentais da TV Manchete, como "90 Anos de Cinema Brasileiro" e "Caminhos da Sobrevivência" (sobre a poluição em São Paulo).
Em 1988, com o centenário da Abolição da Escravatura, foi estimulado pela então Secretária de Cultura do Rio de Janeiro, Aspásia Camargo, a realizar um documentário sobre a população negra na História do Brasil. O Fio da Memória, centrado na figura do artista popular Gabriel Joaquim dos Santos, só viria a ser concluído três anos mais tarde, com o apoio das emissoras de televisão La Sept (França) e Channel Four (Inglaterra). Em 2004, a pesquisadora Consuelo Lins publicou, pela editora Zahar,o livro O Documentário de Eduardo Coutinho.
Filmografia
1966: O Pacto (episódio do longa ABC do Amor)
1968: O Homem que Comprou o Mundo
1970: Faustão
1976: O Pistoleiro de Serra Talhada (média-metragem)
1976: Seis Dias em Ouricuri (média-metragem)
1978: Teodorico, o Imperador do Sertão (média-metragem)
1979: Exu, uma Tragédia Sangrenta (curta-metragem)
1980: Portinari, o Menino de Brodósqui (média-metragem)
1984: Cabra Marcado para Morrer
1987: Santa Marta - Duas semanas no morro (média-metragem)
989: Volta Redonda, o Memorial da Greve (média-metragem)
1989: O Jogo da Dívida (média-metragem)
1991: O Fio da Memória
1992: A Lei e a Vida (média-metragem)
1993: Boca de Lixo (média-metragem)
1994: Os Romeiros de Padre Cícero (média-metragem)
1999: Santo Forte
2000: Babilônia
2002: Edifício Master
2004: Peões
2005: O Fim e o Princípio
2007: Jogo de Cena.
2008: Moscou
Premiações
Melhor filme de 2007 segundo a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).
Kikito de Cristal, no Festival de Gramado pelo conjunto da obra (2007).
Prêmio Multicultural Estadão 2003, ganhador na categoria criadores.
Kikito de Ouro de Melhor Documentário, no Festival de Gramado, por Edifício Master (2002).
Prêmio de Melhor Documentário, no Grande Prêmio BR de Cinema, por Babilônia 2000 (2000).
Prêmio de Melhor Documentário - Crítica, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, por "Edifício Master" (2002).
Troféu Passista de Melhor Fotografia, no Festival de Recife, por Babilônia 2000 (2000).
Prêmio Especial do Júri, no Festival de Gramado, por Santo forte (1999).
Prêmio de Melhor Filme, no Festival de Brasília, por Santo forte (1999).
Prêmio de Melhor Roteiro, no Festival de Brasília, por Santo forte (1999).
Prêmio FIPRESCI, no Festival de Berlim, por Cabra marcado para morrer (1984).
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
12/09 - Sonho Tcheco
Sonho Tcheco - Vít Klusák e Filip Remunda (2004)Até meados de 89 os tchecos viviam sobre o socialismo, em que tinham que durmir em filas para conseguir produtos como comida e de higiene pessoal fornecidos pelo governo. Jamais poderam escolher o que queriam comprar. Com a abertura comercial, muitos supermercados invadiram o país, e as familias, fazem programas como passar o domingo todo em supermercados.
O filme é um documentário produzido por dois estudantes da escola de cinema de Praga, para seu TCC(trabalho de conclusão de curso).
Eles contratam uma das maiores agências de publicidade do mundo, e utilizam de toda tecnologia mais avançada para fazer pesquisas, testes e estudos sobre como persuadir ainda mais as pessoas através da publicidade.
No filme, você acompanha toda a criação do logo, jingle, comerciais de tv, banners, estratégia de marketing, teste e pesquisas(muito bons), chamadas de rádio e todo veículo de comunicação possível.
Eles LOTAM a cidade de anúncios, nos metrôs, nos ônibus, nas paradas de ambos, em shoppings, em folhetos, em propagandas de TV e Radio.
E tudo isso para divulgar o Sonho Tcheco, um supermercado que é o sonho para todo cidadão tcheco, tudo seria perfeito se não fosse o fato de o hipermercado não existir!Imaginem a reação das pessoas!
O consumismo alienado e poder de manipulação da mídia são os temas centrais deste documentário manipulador. Em cinco anos, 125 hipermercados foram construídos na República Tcheca e a população do antigo país socialista apaixonou-se pelo consumo. Uma mudança drástica para um povo que há poucos anos dormia em filas para comprar produtos de primeira necessidade. Em tom crítico, o filme lança a campanha de um novo e enorme supermercado fictício que promete os melhores produtos e preços para uma vida melhor. Duração: 90 minutos
terça-feira, 1 de setembro de 2009
05/09 - Ônibus 174 (José Padilha, 2002)
Ônibus 174 - José Padilha (2002)Documentário sobre o jovem rapaz que seqüestrou um ônibus no Centro do Rio de Janeiro e transformou a vida de todos os passageiros em um verdadeiro inferno. O caso serve como reflexão para o filme, que vê todos os lados da história, construindo um triste reflexo da realidade da nossa sociedade em geral. Vencedor do Prêmio de Melhor Documentário nos Festivais de Havana, São Paulo, Munique, Roterda, entre outro. Duração: 120 minutos.
Crítica - Ônibus 174 (José Padilha, 2002)

por Alexandre Koball
Extraído de http://www.cineplayers.com/critica.php?id=542
A realidade brasileira rende possibilidades muito extensas para se fazer cinema. Ainda assim, muitos diretores da atualidade parecem atraídos como um imã para o tema da pobreza, principalmente no Rio de Janeiro, cidade de contrastes desumanos entre os ricos e os pobres. Ônibus 174 proporciona, após o lançamento da obra-prima hoje reconhecida mundialmente por City of God, o melhor momento cinematográfico de nosso país explorando esse tema. Os dois filmes complementam-se perfeitamente: um é a dramatização da realidade; o outro é a realidade. São dois trabalhos que fazem com que assistir a qualquer outro filme com o tema torne-se irrelevante, pois eles dizem tudo o que há para dizer.
A cena inicial é maravilhosa: dotada de uma linda - ou melhor, deslumbrante - seqüência aérea da cidade fluminense, ela resume o drama brasileiro da desigualdade social sem precisar de palavras - embora vários depoimentos paralelos às imagens aconteçam. É muito provavelmente o melhor toque de direção de José Padilha em todo o longa. O que vem daí para a frente é óbvio e previsível: polícia despreparada, cidadãos marginalizados pela sociedade e por eles mesmos através das drogas, irresponsabilidade pública e privada. É o Jornal Nacional levado às telas do cinema quase que literalmente.
Sandro do Nascimento assaltou um ônibus e fez vários reféns. Algo que não terminou bem no final do dia. E então? A quem culpar? A incompetente administração pública? A ele mesmo, drogado e ignorante? Ao Estado, que deixou-lhe ser ignorante? A mim, que pouco me importo com a sua situação? José Padilha joga para todos os lados. Atitude sem perspectiva essa! Não há uma resposta, quanto mais uma resposta fácil, que possa ser conseguida em um documentário, por melhor que este seja.
Ficar em cima do muro não significa ser covarde, e sim tentar não ser injusto. Se não há uma resposta para um problema, não há porque culpar alguém. O filme mostra depoimentos de todos os lados - dos guris de rua, dos policiais, de bandidos assumidos, de pseudo-intelectuais, embora tenda pelo menos um pouco mais para o lado dos pobres, o que pode tornar-se irritante para alguns espectadores, dependendo de suas crenças políticas e sociais.
Como cinema, Ônibus 174 consegue ser um trabalho bem regular, embora tenha uma duração um pouco além do que o realmente necessário. O excesso de entrevistas de conteúdo redundante acaba prejudicando o ritmo do filme em muitos momentos e, para o espectador brasileiro que já conhece os acontecimentos, creio que seja difícil chocar alguém. Pelo menos para quem vive na realidade e a conhece como um cidadão normal. Para o público internacional - o filme foi incrivelmente bem aceito na crítica fora do Brasil - este deve ser um filme muito superior pelo elemento da surpresa: como acabará o sequestro no ônibus 174?
Este é um dos grandes documentários dos últimos anos. Importantíssimo em conteúdo, mesmo que não vá mudar a realidade e bom como cinema. Um trabalho que deve ser conferido e analisado corretamente para o entendimento um pouco mais aprofundado de nossa realidade, pelo menos a realidade das grandes cidades, onde a violência impera e o mundo está virando uma anarquia cada vez maior.
Programação Setembro - 2009: Documentários
O Cine Clube Ybitu Katu exibe:
05/09: ÔNIBUS 174 (José Padilha, 2002)
Documentário sobre o jovem rapaz que seqüestrou um ônibus no Centro do Rio de Janeiro e transformou a vida de todos os passageiros em um verdadeiro inferno. O caso serve como reflexão para o filme, que vê todos os lados da história, construindo um triste reflexo da realidade da nossa sociedade em geral. Duração: 130 minutos.
12/09: SONHO TCHECO (Vít Klusák e Filip Remunda, 2004)
O consumismo alienado e poder de manipulação da mídia são os temas centrais deste documentário manipulador. Em cinco anos, 125 hipermercados foram construídos na República Tcheca e a população do antigo país socialista apaixonou-se pelo consumo. Uma mudança drástica para um povo que há poucos anos dormia em filas para comprar produtos de primeira necessidade. Em tom crítico, o filme lança a campanha de um novo e enorme supermercado fictício que promete os melhores produtos e preços para uma vida melhor. Duração: 90 minutos
19/09: O FIM E O PRÍNCIPIO (Eduardo Coutinho, 2005)
Sem pesquisa prévia, sem personagens, locações nem temas definidos, uma equipe de cinema chega ao sertão da Paraíba em busca de pessoas que tenham histórias para contar. No município de São João do Rio do Peixe a equipe descobre o Sítio Araçás, uma comunidade rural onde vivem 86 famílias, a maioria ligada por laços de parentesco. Graças à mediação de uma jovem de Araçás, os moradores - na maioria idosos - contam sua vida, marcada pelo catolicismo popular, pela hierarquia, pelo senso de família e de honra. Duração: 110 minutos
26/09: HOMEM EQUILIBRISTA (James March, 2008)
Em 1974, quando as Torres Gêmeas em Nova York haviam sido recém-inauguradas, um homem cometeu ali um crime. Para muitos, "o maior crime artístico do século". O nome do criminoso era Philippe Petit, que de forma ousada, arriscada e perigosa subiu ao topo de um dos edifícios mais altos de Manhattan para atravessar de um prédio ao outro se equilibrando num cabo de aço. Este documentário mostra cenas reais da época, misturando atores reencenando todo o plano arquitetado por Philippe Petit. Vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2009. Duração: 94 minutos.
Programação Cine Clube Ybitu Katu Novembro - Quem escolhe é você!!
A votação se inicia hoje, 01 de setembro e vai até dia 30 de outubro. No dia 31 de outubro, sábado, serão anunciados os filmes vencedores. Boa votação!
Os vinte filmes são:
- O Gabinete do Dr. Caligari (Robert Wiene, 1920)
- O Encouraçado Potemkim (Sergei Eisenstein, 1925)
- Metropolis (Fritz Lang, 1927)
- Cidadão Kane (Orson Welles, 1941)
- O Falcão Maltês (A Relíquia Macabra) (John Houston, 1941)
- O Crepúsculo dos Deuses (Billy Wider, 1950)
- O Sétimo Selo (Ingmar Bergman, 1956)
- Doze Homens e Uma Sentença (Sidney Lumet, 1957)
- Um corpo que cai (Alfred Hitchcock, 1958)
- Acossado (Jean-Luc Godard, 1959)
- A Doce Vida (Federico Fellini, 1960)
- Yojimbo - O Guarda Costas (Akira Kurosawa, 1961)
- São Paulo Sociedade Anônima (Luís Sérgio Person, 1965)
- Blow up - Depois Daquele Beijo (Michelangelo Antonioni, 1966)
- Três homens em conflito (Sergio Leone, 1966)
- 2001 - Uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968)
- O Discreto Charme da Burguesia (Luis Buñuel, 1972)
- Chinatown (Roman Polanski, 1974)
- Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)
- Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore, 1988)
sábado, 29 de agosto de 2009
29/08 - Trabalho de Homem
Trabalho de Homem - Aleksi Salmenperä (2007)Juha tem 38 anos, três filhos pequenos e uma esposa com depressão. Ele se acha um sujeito forte, e acredita que um homem deve prover a família. Mas um dia Juha é despedido do emprego. Envergonhado, decide esconder a demissão da família, envolvendo-se numa teia de mentiras. Com a ajuda do amigo Olli, Juha decide se prostituir para sustentar a mulher e os filhos. Passa a receber por duas horas o que antes levava dois dias de trabalho para ganhar. A vergonha e as mentiras aumentam a cada dia, mas o dinheiro da nova profissão parece compensar o lado negativo. Duração: 97 minutos
Assista aqui ao trailer.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
22/08 - Terribly Happy
Terribly Happy - Henrik Ruben Genz (2008)Baseado no romance do escritor Erlinga Jepsena, o filme relata a trágica vivência de um policial de Copenhague, Robert, que para reparar uma negligência profissional é enviado a uma remota localidade com uma paisagem inóspita e onde o jovem agente se choca com os costumes locais. Inédito no Brasil. Duração: 90 minutos
Sinopse por finaendor (extraído de www.makingoff.org)
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
15/08 - Noi, o albino
Nói, o Albino - Dagur Kári (2003)Será que ele é o tolinho da aldeia ou um gênio disfarçado? Nói, 17 anos, desliza pela vida num fiorde remoto no norte da Islândia. No Inverno, o fiorde fica completamente isolado do resto do mundo, rodeado por montanhas assustadoras e enterrado debaixo de um manto de neve. Nói sonha em fugir desta prisão de muralhas brancas com Íris, uma rapariga da cidade que trabalha na bomba de gasolina local. Mas as suas tentativas desastradas de fuga fogem-lhe do controlo e resultam num rotundo fracasso. Apenas um desastre natural poderá arruinar o universo de Nói e oferecer-lhe uma janela para um mundo melhor. Vencedor de 20 premios em festivais internacionais. Duração: 89 minutos.
Assista aqui ao trailer.
Critica - Noi, o albino

por Bernardo Krivochein
Extraido de http://www.zetafilmes.com.br/criticas.asp?id=414
Esse é o grande mérito de "Nói, o albino": ele procura comunicar-se com sinceridade com o espectador, descrevendo momentos dispersos de um cotidiano comum (apesar do cenário insólito) e, na maioria das vezes, a descrição é na mosca.
O personagem principal é um adolescente islandês, Nói, que mora com a avó em um fiorde na Islândia (o equivalente a uma cidade do interior por aqui). Nós o encontramos num ponto em que ele já está farto da vida e cagando para tudo. Mesmo sendo considerado um prodígio pelo psicólogo do colégio, seu comportamento e rendimento escolar são medíocres. A pasmaceira e o isolamento do cotidiano sem perspectivas são quebrados com a chegada de Íris, a filha do livreiro da cidade que passa a trabalhar no posto de gasolina. Ele se apaixona e seu desejo de fugir do lugar passa a ser alimentado ainda mais. Uma história maliciosamente simples, mas que surpreende e hipnotiza mais do que qualquer mega-trama.
Esse é o primeiro filme do diretor Dagur Kári, que jura ter aprendido a fazer cinema assistindo a "Os Simpsons". Pelo humor inesperado da história, isso deve ter seu quê de verdade. "Nói, o albino" é um drama, mas contado com um incrível humor negro, uma manobra de um diretor que confia no próprio taco - e dá samba: os elementos cômicos e dramáticos encontram-se perfeitamente integrados (momento preferido: "O iluminado", se fosse na vida real; eu só vou dizer isso). Muitos filmes que concentram-se no tédio de um personagem acabam tornando a si próprios um porre, o que não é o caso aqui.
É, sobretudo, uma história de personagens e, se funciona, grande responsabilidade vem do elenco, a começar pela atuação do protagonista, Tómas Lemarquis numa atuação explosiva de tão quieta. Os momentos alegres entre Nói e Íris (a muito-bonita-MESMO Elín Hansdottír) são tão reais que você quer tirá-los daquele lugar isolado de helicóptero e comprar uma casa para os dois: naquela hora, a única preocupação do espectador é que haja algo mais para os dois além daquela vida. O núcleo da família de Nói é completo pela enternecedora figura da avó (Anna Fridriksdottir) e o pai alcóolatra (Thröstur Leó Gunnarsson), com o qual Nói tem o relacionamento mais interessante, recheado de sentimentos de culpa/cumplicidade, onde o fato de Nói saber que se transformará nele (seu pai) caso não escape do fiorde não impede que interajam normalmente.
Fui levado a pensar que, da mesma maneira que "Corra, Lola, Corra" é um filme de ação perfeito para meninas culturalmente desenvolvidas, "Nói, o albino" é o perfeito drama introspectivo para meninos. E, quando um tem a emblemática figura da garota de cabelos vermelhos correndo pela cidade, o outro tem na corrida desesperada quase fantasmagórica de Nói pela neve, sua imagem marcante. A fotografia, ajudada pelo cenário natural impressionante, trata de capturar o ambiente tão bem, que o uso do ar condiconado no cinema é dispensado; o trabalho de arte nos transporta para um lugar, ahem... congelado de certo modo no tempo.
Mas a visão leve que a narrativa têm da história não desvia o curso natural dos eventos do filme e, fatalmente, o final de "Nói, o albino" surge para fazer sua cobrança aos personagens. Se existe uma mensagem em "Nói...", ela não é óbvia, então somos abandonados com uma melancolia que, por alguma razão, não equivale a depressão. Resta, inclusive, uma certa esperança. Talvez seja pela humanidade do filme, coisa que o espectador tem visto com certa dificuldade no cinema. "Nói..." é inesperadamente engraçado, emocionante, deprimente e, apesar da historinha bem básica, originalíssimo. Mas o que me conquistou foi a honestidade. Não garanto que você vá gostar do filme como eu, mas venda, não, melhor... penhore sua mãe para conseguir assistí-lo.
Eu amo, amo muito esse filme.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
08/08 - Cinema Nórdico: Noruega - O Homem Incomodado
O Homem Incomodado - Jens Lien (2006)Andreas tem 40 anos de idade e se vê chegando numa cidade completamente estranha. Ele não faz a menor idéia de como chegou naquele local, mas descobre que tem um emprego, uma casa e até mesmo uma esposa. No entanto, Andreas sabe que algo está muito errado. Ele até tenta escapar da cidade, mas percebe que não existe saída. As revelações começam a surgir quando ele conhece Hugo, um homem que conseguiu escapar da prisão ao encontrar um buraco na parede de sua cela. Duração: 95 minutos.

