
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
26/02: A Antena (Esteban Sapir, 2007)

Crítica: A Antena (Esteban Sapir, 2007)
Extraído de http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=4561
Inspirado no longa argentino Esperando o Messias (2000), de Daniel Burman, Jean-Claude Bernardet concluiu, parafraseando um amigo, que “os argentinos dão um banho nos brasileiros” (Revista de Cinema, fevereiro de 2003, republicado em Bernardet, Cinema Brasileiro: Propostas para uma história, São Paulo: Cia. das Letras, 2009, p. 256-8). Segundo o crítico, o fato de Esperando o Messias ser um filme médio “é a prova de que a Argentina tem produção média viva e inteligente, o que assinalam também outros filmes, como Nove rainhas ou O filho da noiva” (Bernardet, 2009, p. 256). Esse “banho”, continua Bernardet, deve-se em grande parte à forma da narração (2009, p. 256-7). O crítico identifica oportunamente um “enrijecimento da narrativa cinematográfica” em filmes de primeira linha do cinema brasileiro. “A ponto de podermos falar hoje na existência de um parnasianismo cinematográfico brasileiro. São parnasianos filmes como Abril despedaçado, Uma vida em segredo, Através da Janela (...).” (Bernardet, 2009, p. 257). Ainda segundo Bernardet, tais títulos “[s]ão filmes mortos porque ficam se regozijando com sua elaboração formal e ficam contemplando, maravilhados, a sua beleza” (2009, p. 257-8). O crítico sentencia: “Joguem fora seus storyboards. Injetem menos talento e mais vida nos seus fotógrafos e diretores de arte” (Bernardet, 2009, p. 258).
Numa comparação do cinema argentino de caráter fantástico, de fantasia ou ficção científica, com o equivalente brasileiro, o tal “banho” salta ainda mais aos olhos. Difícil pensar num filme como La Antena (2007), de Esteban Sapir, produzido no Brasil. Abusado demais, arriscado demais... criativo demais.
La Antena é uma fábula distópica em que os habitantes de uma cidade fictícia perderam a voz há duas décadas. Ninguém fala ou emite som algum. Os citadinos alimentam-se de TV, literal e metaforicamente, e sua voz serve de matéria-prima para a indústria do Sr. TV (Alejandro Urdapilleta), soberano da metrópole. Mas os recursos vêm se esgotando rapidamente, e o Sr. TV precisa d’A Voz (Florência Raggi) para sugar as palavras das pessoas e, com isso, continuar reinando em seu negócio. O Sr. TV aprisiona A Voz e, com a ajuda do Dr. Y (Carlos Piñeiro), usa a mulher numa máquina que emite mensagens subliminares. O objetivo é, também, aumentar definitivamente o consumo dos produtos TV. Mas o Sr. TV não contava que, com a ajuda de uma família de heróis, uma “segunda voz” entrasse em cena.
La Antena é um amálgama de influências que entabula uma série de citações diretas a obras mais ou menos famosas da história do cinema. A primeira influência, talvez a mais evidente, é Metropolis (1927), de Fritz Lang. As citações do filme alemão podem ser conferidas na paisagem urbana, no som visualmente sugerido, nas diversas montagens de imagens sobrepostas (chroma key), evocativas – guardadas as devidas proporções – do Processo Schüfftan. Uma passagem como o plano dos olhos multiplicados, quando os burgueses de Metropolis observam avidamente a dança da falsa-Maria, é reproduzida em La Antena. O Sr. TV e seu filho são análogos a Joh Fredersen e Freder em Metropolis, o Dr. Y é Rothwang e a homenagem ao filme de Lang é sacramentada na seqüência do experimento com “A Voz”.
O trabalho da direção de arte em La Antena, assinado por Daniel Gimelberg, é primoroso e, de acordo com o making-of do filme, disponível nos extras do DVD, fica clara a intenção de homenagear uma história dos efeitos especiais, com a emulação de alguns efeitos ópticos por meio de ferramentas digitais.
O roteiro de La Antena é razoavelmente confuso, e só em algumas seqüências excluídas do corte final, disponibilizadas nos extras do DVD, é que compreendemos determinadas ações e motivações dos personagens. Porém, a julgar pelo depoimento de Sapir no making-of do filme, a narrativa de La Antena foi muito mais baseada em sensações, impressões e atmosferas do que na progressão linear de um roteiro conservador. Falar em lógica, neste caso, seria um tanto quanto ocioso. De toda maneira, a despeito de quaisquer defeitos, La Antena é “um filme vivo, feito com as vísceras” – parafreaseando Jean-Claude Bernardet a respeito de Bicho de Sete Cabeças (2009, p. 258). Somando-se La Antena a La Sonámbula (1998) e Adiós Querida Luna (2004), ambos de Fernando Spiner, e ainda Moebius (1996), de Gustavo Mosquera, o cinema fantástico argentino contemporâneo ganha “de lavada” do equivalente brasileiro.

Falta no cinema brasileiro a mesma familiaridade com o trato do tema fantástico observável na Argentina, a mesma arte do improviso, sujeição ao arriscado – enfim, a mesma ousadia de fazer filmes “médios”, porém inspirados porque cheios de vida.
Assita AQUI ao trailer de A Antena.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
12/02: Solaris (Andrei Tarkovsky, 1972)

Artigo: Solaris (Andrei Tarkovsky, 1972)
Temas-chaves: crise das ci6encia e capitalismo tardio; técnica e tecnologia; memória e identidade humana; subjetividade, capital e tecnologia; valores sociais, técnica e sociabilidade.
Filmes relacionados: “Matrix”, dos Irmãos Wachowski; “Metropólis”, de Fritz Lang; “2001-Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick; “IA - Inteligência Artificial”, de Steven Spielberg; “Eu, Robô”, de Alex Proyas.
O projeto Solaris, que mantêm a Estação orbital em funcionamento, esta há tempos estancado. Está em crise desde que uma expedição que sobrevoava o oceano de Solaris teve um acidente, matando o radiobiólogo Vichiniakov e o físico Fechner. O piloto de helicóptero, Burton, que tentava o resgate, nada pode fazer. Como único sobrevivente desta trágica expedição, relatou que viu em Solaris árvores, arbustos, cercas, acácias e um objeto flutuante - a figura de um humano, uma criança, incrivelmente grande, de olhos azuis e cabelos negros, nadando no Oceano de Solaris com o tronco fora d'água - "...estava nu como quem acabou de nascer". A Comissão de Inquérito considerou Burton vítima de alucinações causadas pela influência da atmosfera de Solaris e acompanhada de sintomas de perda de razão estimulada pelas regiões limitrofes do córtex cerebral. Além disso, observou que a solaristica era “um aglomerado de fatos desconexos que não se encaixam em nenhuma concepção”. As visões de Burton atentavam contra a Razão científica. Como observou o Doutor em Física, Messanger, o projeto Solaris estava atingindo os limites do conhecimento humano.

A seguir, o psicólogo Kris Kelvin chega à Estação Orbital de Solaris, que possui ainda três tripulantes: o astrobiologo Sartorius, o especialista em cibernética Snout e o fisiologista Guibarian. Mas, chegando lá, Kris encontra um ambiente estranho, transtornado pela alucinação de seus tripulantes orbitais. Um deles – Guibarian - cometeu suicídio. Os outros vivem alucinações com pessoas que são materializaçòes de sua própria consciência. Kris Kelvin logo passa a conviver com uma dessas visitas (como seria chamada tais materializações). É a sua ex-mulher, Hary, que há cerca de dez anos, cometera suicídio. Ela é um fantasma - um espectro - dos próprios temores, medos e afetos inconscientes de Kris Kelvin. A Segunda Parte do filme tem inicio com a tentativa de Kris em se livrar de sua visita. Embora tente se livrar de Hary, ela retorna. As visitas são imortais. Ressuscitam após cada morte. Na verdade, Hary representa a materialização de um inconsciente de Kris Kelvin que resiste e se impõe. Ela é a prefiguração viva dos traumas do passado. Num certo momento, no diálogo na biblioteca da Estação Orbital, Hary irá dizer: “Para vocês [os tripulantes da Estação orbital], as visitas são uma coisa estranha e irritante. Mas as visitas são vocês próprios, são a vossa consciência.”. Kris Kelvin, não conseguindo eliminar Hary, acaba se envolvendo com ela. Cria laços afetivos. O que Tarkovski sugere é que o homem é capaz de criar laços afetivos com seus próprios fantasmas.

No final do filme, Hary busca se auto-destruir. Chegara à situação-limite das angústias de sua humanidade inconclusa. Novamente, podemos comparar Hary com o replicante Roy Batty (estrelado por Rudger Hauer) de Blade Runner. Ser não-humana - ou possuir a potência humana sem torná-la jamais ato - é o inferno de Hary. Entretanto, sua busca pela morte é inglória - Hary é "imortal". Ela não pertence a si própria. Nem pertence a Kris, mas tão-somente ao seu subconsciente. Só ele poderia emancipá-la deste inferno. No final, exposto a um tratamento encefalográfico, sugerido por Sartorius, Kris Kelvin submerge em suas reminiscências do passado. Como uma hipnose induzida, Kelvin adormece e sonha com sua mãe. No sonho, Hary e a mãe de Kelvin se confundem. Na verdade, ela é a própria representação da mãe de Kris. Existe uma densa relação problemática de natureza inconsciente entre Kris Kelvin e sua mãe que teria se projetado na relação dele com a ex-mulher. Num certo momento de seu sonho, Kris diz para sua mãe: "Não me lembro do teu rosto." Enfim, é um momento de plena ressonâncias freudianas na trama de Solaris.

As visitas do filme Solaris surgem a noite, após o sono dos tripulantes. Elas aparecem e passam a conviver com eles mesmo após terem acordado. Snout divaga: “Só chegam à noite. Mas precisamos dormir. Aqui está o problema – o homem perdeu o sono.” E pede para Kris Kelvin ler uma passagem do romance clássica do renascimento burguês Dom Quixote: “Só sei uma coisa, senhor, Quando estou dormindo, desconheço o medo, as esperanças, os trabalhos e a beatitude. Agradeço a quem inventou o sono, esta única balança que iguala um pastor a um rei; um imbecil a um sábio. Mas também tem o seu lado negativo, se parece muito com a morte.” Snout diz a seguir: “Nunca antes, Sancho [Pança], você disse algo tão gracioso. Ciência? Tolice! Na nossa situação, o gênio e o medíocre, dois impotentes. Dizemos que pretendemos conquistar o Cosmos. Na realidade, só queremos aproximar a Terra das fronteiras dele. Não nos importam outros mundos. Queremos é um espelho. Procuramos muito um contato, mas nunca o encontraremos. Estamos na situação idiota de quem aspira a um objetivo que teme e que não necessita.” E exclama: “O homem precisa do homem”. É uma passagem magistral de Solaris.


As cenas finais de Solaris estão imersas em alegorias complexas que nos fazem lembrar “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick. Mas, enquanto Kubrick nos conduz pelo deep space, ao som da Valsa Danúbio Azul de Johann Strauss, quase uma celebração irônica do domínio do homem burguês sobre a Natureza, Tarkovski nos conduz pelas inquietações íntimas da alma humana. É curioso que seja um cineasta soviético, de uma sociedade pós-capitalista, comprometida com o Materialismo Histórico, que tenha nos conduzido pelas dilacerações metafísicas da alma humana. Na verdade, Andrei Tarkovski é um herdeiro do imaginário russo de Dostoievski e Tolstoi. E o que está dilacerado é a alma burguesa e a civilização do capital. No final do filme, Hary desaparece tal como veio, talvez por conta de alterações no oceano de Solaris - ou será que foi pela ação do subconsciente de Kris Kelvin?. De repente, aquele oceano vivo passou a ter "ilhas". Kelvin está numa dessa "ilhas" de Solaris, sugerindo a absorção da sua dimensão psíquica pelo oceano do planeta vivo.
O filme Solaris sugere uma discussão sobre que é real e o que é virtual. Nessa perspectiva, o virtual é tão real quanto a própria realidade que somos nós. As visitas seriam espectros virtuais de nós mesmos. São parte de nós, algo ineliminável e imorredouro. Assim, Hary é uma extensão virtual de Kelvin, projeção de sua (in)consciência dilacerada. De certo modo, ao se apaixonar por Hary, ele se apaixona por si mesmo. "Queremos é um espelho!", dissera Snout. Hary é uma parte não-resolvida de Kris Kelvin. Como Hary afirmara, certa vez,“ é possível que [Kris] não me ame, [mas] apenas queira se defender de si mesmo”. É como se carregássemos em nós o irresoluto, o perdido, o enigmático que não sabemos nos desvencilhar. Na Primeira Parte de Solaris, Kris aparece se desvencilhando de pápeis e fotos antigas - uma delas é de Hary, sua ex-mulher. Mas dentro de si, ele ainda não conseguira resolver as dilaceraçõies deste passado. Seria o oceano de Solaris que iria materializar seus devaneios interiores. O que Tarkovski sugere é que não podemos descartar o que ainda está irresolvido dentro de nós. Na verdade, as cenas de abertura de Solaris mostram um Kelvin pensativo diante da Natureza exuberante. Ele possui uma expressão de melancolia e de crise interior.
O filme Solaris começa com a experiência “mística” de Burton e termina com a de Kelvin. Depois de ter passado por Solaris, Burton não conseguiu ser mais o mesmo. Por exemplo, na primeira parte do filme, a cena de seu trajeto da casa de campo de Kris Kelvin até a metrópole, com seus fluxos de néon e de carros em alucinada velocidade, é quase que uma viagem interior. Nela, Burton parece imerso em si, sendo conduzido pela máquina. Ele deixa-se conduzir. O carro o conduz, tal como ele é conduzido pela sua experiência "mística" em Solaris. Sua expressão é de preocupação contida pois o ceticismo de Kris Kelvin o frustrou terrivelmente.



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
05/02: Longa-metragem - O Hospedeiro (Joon-Ho Bong, 2006)

Na beira do rio Han, moram Hee-bong e sua família, donos de uma barraquinha de comida no parque. Seu filho mais velho, Gang-du, tem 40 anos, mas é um tanto imaturo; a filha do meio é arqueira do time olímpico coreano; e o filho mais novo está desempregado. Todos cuidam da menina Hyun-seo, filha de Gang-du, cuja mãe saiu de casa há muito tempo. Um dia, surge um monstro no rio, causando terror nas margens e levando com ele a neta querida de Hee-bong. Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes de 2006. Duração: 119 minutos.
Crítica: O Hospedeiro (Joon-Ho Bong, 2006)

Extraído de http://www.cranik.com/o_hospedeiro.html
À primeira vista, o filme do diretor Joon-ho Bong tem toda a cara de trash, mas por trás da criatura gigantesca meio peixe que sai do rio Han para criar pânico na cidade de Seul, ele é um perfeito exemplo de como fazer um filme de terror extremamente interessante sem cair em qualquer tipo de lugar comum.
Primeira coisa que salta aos olhos é um roteiro muito bem pensado, que sabe equilibrar muito bem toda a tensão do terror, com o drama da situação da família, mas sem deixar de lado toda uma crítica política, não só sobre a própria divisão do país em norte e sul (muito mais subjetiva), como a descarada critica em relação a “invasão” dos Estados Unidos na história ao melhor jeito “viemos aqui para salvar o mundo”, isso sem contar que no final das contas eles mesmos criaram o monstro.
Aqui uma curiosidade, o começo do filme mostra um caso real, que aconteceu anos atrás em uma base americana na Coréia, pelo menos até agora o monstro não apareceu.
Voltando ao filme, o diretor talvez tenha o seu maior acerto ao conseguir construir uma história que vai crescendo junto com o filme, prendendo totalmente o espectador na cadeira, te absorvendo completamente.
Mas provavelmente, algo que pode chamar muito a atenção do grande público seja os ótimos efeitos visuais, criados pela Orphanage INC, responsável entre outros sucessos por “Superman Returns” e os dois últimos “Piratas do Caribe”. O tal monstro meio peixe na melhor das palavras é muito feio, e isso ajuda a criar uma certa mítica, afinal ele dá uma mistura de horror e asco nas pessoas, nada de pensar em vender bonequinhos dele mais tarde, a única preocupação parece ser o status de criatura horrenda.
“O Hospedeiro” foi a maior bilheteria da história do Coréia de todos os tempos, com um número equivalente a 20% da população do país, é óbvio que uma grande parcela desse numero é de pessoas que viram o filme mais de uma vez, mas mesmo assim é um número impressionante, no resto do mundo provavelmente não vai fazer tanto sucesso assim, mas com certeza é uma ótima pedida para quem quer ser surpreendido por um filme diferente de tudo que aparece por ai.
05/02: Curta-metragem: Viagem à Lua (George Méliès, 1902)

Viagem à lua - George Méliès (1902)
Um grupo de astrônomos vão para a Lua em uma cápsula gigante, chegando lá se deparam com seres esquisitos e selvagens. Primeiro filme de ficção científica da história do cinema. Duração: 12 minutos.
Crítica
por Victor Ramos
Extraído de http://pudimdecinema.blogspot.com/2010/11/viagem-lua-1902-critica.html
Para falar de Viagem à Lua, é preciso saber antes de tudo que foi um filme mais que inovador em sua época, efeitos visuais de ultima geração e um gênero novo(ficção científica) que futuramente se tornaria sensação por muuiittoo tempo (e se é que vai acabar)... Estamos falando do primeiro filme a tratar de vida fora da terra, coisa que muitos outros como Ridley Scott, Steven Spielberg e uma porrada de outros diretores atuais (ou não) se inspirariam nesta magnífica obra-prima, sim, todo filme de ficção científica presente hoje só existe pelo fato de grandes diretores e mais ainda de Georges Méliès, um dia terem derrubado grandes barreiras de dificuldades da sétima arte... Georges Méliès foi um ilusionista francês de grande calibre, e o púlblico não poderia esperar coisa melhor vindo de Georges Méliès; no início da vida da sétima arte, nada melhor que um ilusionista de sucesso para criar efeitos inovadores na a época, e depois de mostrar seu potencial, ser chamado de ‘’pai dos efeitos especiais’’.
Georges Méliès prova melhor que ninguém com seu maravilhoso e belíssimo ‘Viagem à Lua’ que o homem no ano de 1902 já tinha alcançado o objetivo ambicioso de viajar à lua... Discorda de minha afirmação? Pois bem, vamos dialogar... O cinema desde sua criação foi uma máquina se sonhos onde quase tudo é possível, mesmo sem a existência dos ainda inéditos efeitos especiais, e hoje produções espetaculares para os olhos como Avatar, só conseguiram alcançar o objetivo de realidade (ou quase perfeição) porque muito antes mestres do cinema como Georges Méliès derrubaram tabus que na época eram barreiras para a criatividade dos diretores; fez uso, ou melhor, criou efeitos visuais para Viagem à Lua, usou técnicas de dupla exposição para obter resultados inovadores para a época.
Viagem à Lua é um verdadeiro deleite para os olhos que encantou (e inda é capaz de encantar) adulto de crianças do mundo inteiro com seu modo único de criar filmes literalmente mágicos e encantadores no melhor estilo da obra Alice in Wonderland de Lewis Carroll... Não vejo motivos para não dar 10 para um filme tão importante como este, e ainda mais para um diretor que influenciou importantes diretores como Charles Chaplin e D. W. Griffith.
"a ele tudo devo"
-D. W. Griffith-
"o alquimista da luz".
- Charles Chaplin
Não tem como negar que para o cinema, Méliès foi mais que importante. Inovador, visionário e mágico, o Jules Verne do cinema... Simplismente brilhante.
Programação Fevereiro de 2011: Ficção Científica
05/02:
Curta-metragem: Viagem à Lua (George Méliès, 1902)
Um grupo de astrônomos vão para a Lua em uma cápsula gigante, chegando lá se deparam com seres esquisitos e selvagens. Primeiro filme de ficção científica da história do cinema. Duração: 12 minutos.
Longa-metragem: O Hospedeiro (Bong Joon-ho, 2006)
Solaris (Andrei Tarkovsky, 1972)
19/02:
Mistérios e Paixões (David Cronenberg, 1991)
26/02:
A Antena (Steban Sapir, 2007)
Em uma gélida metrópole dos anos XXX, toda a população está muda. O cruel Mr. TV comanda o país, monopolizando as palavras e imagens, e as pessoas nada fazem para protestar. Passam os dias sentadas, vendo televisão e comendo os alimentos produzidos por ele. Enquanto isso, Mr. TV coordena um plano sinistro para escravizar o povo inteiro, eternamente. Mas, para alcançar seus objetivos, ele precisa seqüestrar uma bela cantora, a única que ainda tem A VOZ. Feito à moda do cinema mudo, o filme é uma fábula sobre o poder da fala humana. Estréia mundial no Festival de Rotterdam 2007. Duração: 95 minutos